segunda-feira, 31 de dezembro de 2007


Não acreditem em nada só porque lhes foi dito.
Não acreditem na tradição apenas porque foi passada de geração em geração.
Não acreditem em nada só porque está escrito nos seus livros sagrados.
Não acreditem em nada apenas por respeito à autoridade de seus mestres.
Mas qualquer coisa que, depois do devido exame e análise, vocês achem que leva ao bem, ao benefício e ao bem-estar de todos os seres - nesta doutrina creiam e aferrem-se a ela e a tomem como guia.
Duvidem de tudo. Encontrem sua própria luz.

domingo, 30 de dezembro de 2007


Roma era muito melhor quando pagã que quando católica.
Era melhor quando deixava que gladiadores e criminosos se enfrentassem que quando queimava homens honestos na fogueira.
Os grandes homens de Roma denunciaram a crueldade das arenas.
Sêneca condenou até mesmo as lutas entre animais.
Ele disse que "devemos ter simpatia por todas as criaturas, já que apenas os maus e depravados podem sentir prazer ao ver sangue e sofrimento".
Aurélio incentivava os gladiadores a lutar com espadas sem fio.
Legisladores romanos declararam que todos os homens são livres por natureza e iguais.
As mulheres, sob a lei pagã de Roma, tornaram-se livres como os homens.
Zeno, muito antes de Cristo, ensinou que apenas a virtude diferencia os homens.
Sabemos que a lei romana está na base de nossas leis.
Sabemos que fragmentos da arte greco-romana - alguns poucos manuscritos salvos da destruição pelos cristãos, e as invenções e descobertas dos árabes foram as sementes da civilização moderna.
O cristianismo, por mil anos, ensinou à memória a esquecer e à razão a acreditar.
Nenhum passo adiante foi dado.
Por cima dos manuscritos de filósofos e poetas, religiosos ignorantes devotamente rabiscaram as falsidades da fé.
Por mil anos a chama do progresso foi extinta pelo sangue de Cristo; seus discípulos, movidos por um zelo ignorante, por credos insanos e cruéis, destruíram pelo fogo e pela espada cem milhões de seus irmãos.
Fizeram deste mundo um inferno.
Mas, se catedrais tivessem sido universidades, se masmorras da Inquisição tivessem sido laboratórios, se cristãos tivessem acreditado em caráter em vez de credo, se tivessem aproveitado da Bíblia apenas as partes boas e jogado fora as más e absurdas, se os missionários tivessem ensinado artes e ofícios, se astrologia tivesse sido astronomia, se as artes negras tivessem sido química, se a superstição tivesse sido ciência, se as religiões tivessem sido humanidades, o mundo teria sido um céu cheio de amor, com liberdade e alegria.

sábado, 29 de dezembro de 2007


Há milhares de anos, as lendas, mentiras, besteiras, mitos e costumes primitivos de uma pequena tribo de nômades semi-selvagens foram reunidos e escritos em pergaminhos.
Ao longo dos séculos estes textos foram modificados, mutilados, truncados, floreados e divididos em pequenos pedaços que foram então embaralhados várias vezes.
Em seguida, este material foi mal traduzido para várias línguas e vários povos o adotaram como a expressão da verdade, a palavra de Deus definitiva e irretocável.

Se Deus é infinitamente bom, por que temê-lo?
Se ele sabe de tudo, por que precisamos informá-lo de nossas necessidades e aborrecê-lo com orações?
Se está em toda parte, por que construir templos?
Se ele é justo, por que temer que ele castigue as criaturas que ele encheu de fraquezas?
Se ele é todo poderoso, como ofendê-lo, como resistir a ele?
Se ele é razoável, por que ficaria irritado com os pobres ignorantes a quem deu a liberdade de não serem razoáveis?
Se ele é imutável, por que a pretensão de querer que mude suas decisões?
Se ele é inconcebível, por que perder tempo com ele?
Se ele já falou, porque o universo não se convenceu?
Se conhecer sua vontade é tão importante, por que ele não se faz claro e evidente?

Por que é preciso louvar a Deus o tempo todo e até depois de se chegar ao céu?
Para satisfazer sua infinita vaidade?
Para mantê-lo de bom humor e evitar punições?
Ou sua auto-estima é tão baixa que ele poderia cair em depressão?
E louvá-lo pelo quê?
Por nos jogar neste vale de lágrimas sem nos consultar?
Por que rezar? Se isto faz Deus mudar de idéia, então ele não é soberano.
Se não faz, então é inútil.
Ou talvez ele queira que nos humilhemos diante dele...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007


As horas devem ser mortas.
Enquanto você está esperando.
As horas perfeitas são as que passo nesta máquina.
Mas você tem que ter horas imperfeitas para ter as perfeitas.
Você tem que matar dez horas para que duas vivam.
O que você tem que cuidar é para não matar TODAS as horas, TODOS os anos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


John Kennedy foi morto quando desfilava em carro aberto diante de uma multidão.
A cena foi filmada e o assassino preso.
Se até hoje não há um consenso sobre o que aconteceu, que credibilidade podem ter as Escrituras, escritas décadas ou séculos depois dos supostos fatos por gente que nem estava lá e das quais não nos chegou nenhum original, apenas cópias divergentes?
Nossos olhos podem nos enganar.
Nisto se baseiam os espetáculos de mágica e prestidigitação.
Nossa memória tende a filtrar os acontecimentos passados, eliminando as coisas ruins e destacando as boas, o que nos leva a suspirar pelos "bons velhos tempos".
Memórias confusas, relatos obscuros, lendas e convicções podem se misturar na cabeça de gente desesperada, dando origem a um passado que nunca existiu mas que, com o tempo e a repetição, se torna "fato".

Aqueles a quem Deus se revelou devem acreditar nele.
Mas ele não se revelou a mim e eu não sou obrigado a acreditar na palavra dos outros.
Tudo o que eles me dizem é aquilo que eles pensam ter visto ou ouvido, distorcido por suas convicções e filtrado pela cultura do seu povo e sua época.
Mais distorções, interpretações pessoais e acréscimos são introduzidos a cada intermediário na transmissão da mensagem.

Seria muito bonito se houvesse um Deus que criou o mundo, uma Providência benevolente, uma ordem moral e uma vida após a morte.
Não parece curioso que tudo isto seja exatamente como desejaríamos que fossem as coisas?

domingo, 23 de dezembro de 2007


Um filósofo é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias.
Um filósofo, ah, um ser que foge, muitas vezes para longe de si mesmo, muitas vezes tem medo de si mesmo, mas que é demasiado curioso para que não volte sempre a si.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Viver perto demais de um homem é a mesma coisa que retomássemos sempre uma bela gravura com os dedos nus: um belo dia teremos nas mãos um péssimo papel sujo e nada mais.
A alma de um homem se desgasta também por um contato contínuo; pelo menos é o que nos acaba por parecer – nunca mais haveremos de rever sua figura e suas belezas originais. Sempre se perde no relacionamento demasiadamente íntimo com mulheres e amigos: e nisso se perde às vezes a pérola da própria vida.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007


Ele se apresenta como bom; não comete nenhum mal, a não ser contra si e a natureza! Preciso fazer com que deixe de ser um daqueles que se julgam bons, porque eles não têm garras.
Acredito que ele tenha que aprender a blasfemar antes que eu possa confiar em sua generosidade.
Ele não sente raiva!
Terá tanto medo de que alguém o magoe?
Será que por isso não ouse ser ele próprio?
Por que desejar somente pequenas felicidades?
E ele denomina isso virtude.
Seu nome real é covardia!
Ele é civilizado, polido, um homem bem-educado.
Ele domou sua natureza selvática, transformou seu lobo num cão de raça.
Ele denomina moderação. Seu nome real é mediocridade.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


A sabedoria é um paradoxo.
O homem que mais sabe é aquele que mais reconhece a vastidão da sua ignorância.

sábado, 15 de dezembro de 2007


O acorde maior é o primeiro e único acorde puro que encontramos nos harmônicos naturais; o maior é geralmente considerado como alegre, e o menor como triste.
Acredito que isso tenha a ver com fato de que o menor baixou o intervalo natural da nota intermediária no acorde em um semitom artificial.
Em Dó maior a nota intermediária é Mi, e em Dó menor esta nota se torna Mi bemol, onde colide com o Mi implícito.
O conflito não é tão forte a ponto de perturbar o vigor do acorde básico de três notas, mas perturba a série de harmônicos naturais que se segue.
E o que é tristeza?
É uma divisão, um senso de que as coisas não estão certas, de que queremos o que não podemos ter, ou deploramos o que não fizemos.
Lamentamos a perda de alguma coisa, não estamos integrados conosco ou com o mundo.
No acorde menor, essa perda é a pureza da nota intermediária, que deseja elevar-se, tornar-se maior, unir-se outra vez com sua série natural.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


"Uma civilização superior só pode surgir onde haja duas castas diferentes...a casta do trabalho forçado e a casta do trabalho livre."

"... os escravos vivem ... com mais segurança e felicidade que o
operário moderno, ... o trabalho do escravo é muito pouco trabalho em comparação com o do 'trabalhador'."

No contexto em que vivemos, defender a escravidão suscita uma reação adversa em nossos ouvintes contemporâneos.
Geralmente, a liberdade é o critério maior, na consideração da dignidade humana.
Não importa que alguém passe fome, sede, não tenha onde morar, não tenha um trabalho, não possa estudar, dar educação, alimento e saúde à sua prole.
Se ele é livre, tudo parece estar resolvido. A dignidade humana parece ter-se reduzido à questão da liberdade.

É nesse contexto que analisamos os dois aforismos.
No primeiro, o autor defende a tese de que a liberdade não é o critério maior na construção de uma civilização superior.
Para que tal tarefa possa se dar, é necessário que haja duas classes: a classe dos trabalhadores livres(ociosos) e a classe dos trabalhadores forçados (escravos). A primeira, é tida como superior, a segunda, como inferior.

A pergunta intrigante que poderíamos fazer é a seguinte: qual é o perfil dos tipos que compõem cada classe?
O que determina que alguém seja partícipe da classe superior (ociosos), ou inferior (escravos)?
Seria o critério do poderio econômico, riquezas materiais, bens de consumo?
Em nossa sociedade, não restaria dúvidas quanto à resposta: realmente o que nos define, enquanto partícipes de uma determinada casta ou classe social é inexoravelmente, a nossa condição econômica.

Porém, o critério para o enquadramento não é de forma alguma econômico, financeiro. O critério é o talento, a faculdade, a capacidade pessoal que um indivíduo tem. Parece que o autor faz uma inversão quanto ao papel desempenhado pelos indivíduos que compõem as duas classes.
Na ótica hodierna, tenderíamos a nos compadecer dos indivíduos escravos, e a alimentarmos um 'certo' rancor, com relação aos indivíduos livres.
Os indivíduos livres são aqueles que mais sofrem, em virtude do fato de terem o que o filósofo denomina de "uma grande missão".
Cumpre-nos perguntar: que grande missão é essa?
Embora o filósofo não explicite, arriscaríamos uma resposta: como o papel social é determinado por seus valores intrínsecos, seus talentos, e não pelos bens materiais que eles possuem, a missão desta classe é conduzir a sociedade, para uma cultura
superior , para uma civilização superior.
Seu papel é criar valores, dirigir, determinar sentidos que sejam culturalmente positivos.

Já os indivíduos escravos, ao contrário do que poderíamos pensar, não sofreriam tanto, pois a eles apenas caberia obedecer, seguir o caminho apontado pela classe livre (ociosa). O termo 'ocioso', em nossa tradição linguística, dá a idéia de alguém que não trabalha.
Figura-nos, de imediato, a ilustração do capitalista, que serve-se da mais-valia do seu empregado, para viver no 'ócio', aproveitando a vida, enquanto que aquele mata-se de trabalhar, sem que isso baste para seu próprio sustento.
O ócio é de outra natureza. É um ócio, uma atitude na qual o indivíduo tem um "desejo indefinido". Por este termo ('desejo indefinido'), parece significar o cuidar das coisas e dos interesses alheios, visando o bem da civilização, e não apenas o seu próprio bem.
O escravo, por sua vez, seria determinado como quem possui um "desejo definido", isto é, um desejo voltado para sua própria realidade, atendo-se aos seus interesses imediatos, e não aos interesses da cultura, como um todo.

O ideal moderno de 'liberdade' não passa de um embuste, mediante o qual a sociedade vende uma imagem de igualdade que, no fundo, não é senão um esquema implacável de aprisionamento, de estancamento social.
Nesta situação, a liberdade é a maior das vaidades humanas.
O indivíduo, como falamos no início deste texto, prescinde de todas as condições básicas de uma existência nobre, tais como segurança, alojamento, diversão, alimentação, estudo, saúde.
Ele pode-se ver apartado de todas estas questões e ainda é capaz de defender a sociedade em que vive. Porém, se ao menos fazer a menção de retirar-lhe a liberdade, ele se revolta, se volta contra a sociedade.
O que percebemos? Na verdade, o escravo, objeto da reflexão do autor, é muito mais digno do que o homem livre, moderno, o operário, o funcionário, o empregado: "(...) o trabalho do escravo é muito pouco trabalho em comparação com o do 'trabalhador'".

Diante desta argumentação , não podemos nos defender.
Como combater suas evidências? Não somos, nós mesmos, vítimas de tal perversidade social, que nos faz acreditar sermos livres mas que, ao final, nos relega a uma condição bem pior do que a do escravo apontado, que ao menos tem as condições básicas para que um indivíduo pudesse se considerar sendo humano, ter uma qualidade de vida nobre?

O ideal que a política moderna nos vende, ela não pode nos dar:
segurança, dignidade.
Porém, ela coloca isso como ponto fundamental/dogmático, tabu.
Na verdade, até entre as sociedades escravocatas, tinha-se mais dignidade.
A humanidade transformou a liberdade em um dogma, mas tirou do homem sua dignidade.

Cada um de nós, homens livres, vivemos em função de nossos desejos particulares, sabedores que somos de quão difícil é conquistá-los.
Não temos tempo algum para um ideal de civilização superior, visto que nossas ações mal são produtivas o suficiente para que possam garantir nossa subsistência, quanto mais, gerar uma 'civilização superior'.

Embalados por este ritmo, por este sonho dogmático, de estarmos voltados apenas para nós mesmos, perdemos um referencial social, e passamos a um referencial puramente individual o qual, diga-se de passagem, jamais será atingido, pois a sociedade na qual estamos inseridos cria mecanismos perversos para o impedir.
Vivemos alienados em função da felicidade.
E o que é pior, da felicidade egoísta.
Esse é o primeiro ponto em que o autor insiste que abandonemos: "O ponto de vista da repartição da felicidade não é essencial, quando se trata de dar origem a uma civilização superior".
Não importa que todos sejam felizes.
O homem superior não se submete nem se integra à definição da vida feliz do maior número. Sua felicidade é fazer aquilo que lhe ordena sua vocação interior.

Para se criar uma sociedade superior, é necessário que não tenhamos
a estrutura que temos hoje, onde "cegos conduzem cegos".
A estrutura proposta é uma estrutura onde a nata da inteligência, os gênios, os homens mais nobres, conduzam o processo, não em seu nome, mas em prol de uma cultura superior, em prol do todo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007


O homem domesticou os lobos até não serem mais lobos, mas cães.
Cuidar das ovelhas é a função de um lobo domesticado.
Cabe a cada um dar o valor que quiser agora para a domesticação.
Não é esse justamente o método civilizatório?
A domesticação?
O que significa ser livre dentro da sociedade?
Um lobo entre cães e ovelhas.
Nós sabemos da inimizade entre lobos e cães.
Um lobo em meio a uma matilha de cães será dilacerado.
Ser lobo significa necessariamente ficar a margem.
Ser cão significa apenas manter as ovelhas vivas para que se tome sua lã... e sua carne.
A distinção maquiaveliana das duas naturezas continua aqui. Nietzsche adora essa distinção.
Mas Maquiavel pensa a comunidade como cães e ovelhas; Nietzsche introduz o lobo uivando de cima da colina.
O lobo é um outsider.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


A mulher tornou-se gozo comum, posse material, ignorância, escravidão, objeto de venda, prazer bruto dos sentidos, o vício, a depravação, sempre uma coisa entre todos os povos, pessoa em nenhum deles.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007


Meu caro Théo...há um outro vagabundo, o vagabundo que é bom apesar de si, que intimamente é atormentado por um grande desejo de ação, que nada faz porque está impossibilitado de fazê-lo, porque está como que preso por alguma coisa, porque não
tem o que lhe é necessário para ser produtivo, porque a fatalidade das cirscuntâncias o reduz a este ponto.
Um vagabundo assim nem sempre sabe por si próprio o que poderia fazer, mas, por instinto, sente: No entanto eu sirvo para algo, sinto em mim uma razão de ser, sei que poderia ser um homem completamente diferente.
No que é que eu poderia ser útil, para o que poderia eu servir; existe algo dentro de mim, o que será então?
Você sabe o que faz desaparecer a prisão.
É toda afeição profunda, séria.
Ser amigos, ser irmãos, amar, isto abre a porta da prisão para o poder soberano, como um encanto muito poderoso.
Mas aquele que não tem isto permanece na morte... Só, que se lhe fosse possível ver em mim algo mais que um vagabundo da pior espécie, eu ficaria muito contente.
Então se eu puder alguma vez fazer algo por você, ser-lhe útil em alguma coisa, saiba que estou à sua disposição.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


Acredito que os filósofos voam como as águias e não como pássaros pretos.
É bem verdade que as águias, por serem raras, oferecem pouca chance de serem vistas e muito menos de serem ouvidas, e os pássaros pretos, que voam em bando, param em todos os cantos enchendo o céu de gritos e rumores, tirando o sossego do mundo.

"Para habitar os habismos é preciso ser águia." (Friedrich Nietzsche)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


É o segundo este ano...
o segundo chamado...
o segundo ceifado...
o segundo amado...
o segundo perdido...
quantos segundos ainda perderemos?
quantos segundos ainda nos restam?
é o que me resta nesta segunda...

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"Para quem quer se soltar
Invento um cais..."

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"Estudar e fazer música pode ser muito mais do que colecionar truques e macetes.
Se soubermos interagir com as receitas dos grandes feiticeiros, seremos capazes de renova-las a cada execução, a cada obra, a cada nota.
Não importa se é pop, rock, baião, frevo, jazz, samba, choro... Qualquer que seja a “gramática”.
Acredito que boa música é aquela que se faz de dentro pra fora e que fica mais próxima da alma quando, ao invés dos olhos, miramos nos ouvidos e ao invés do espanto investimos na empatia."

Willians Pereira.

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Como se não bastasse o músico...
Mas também a figura humana, o educador, o amigo...
Dissonâncias da vida...

domingo, 2 de dezembro de 2007


You think you're going to live your life alone
in darkness and seclusion... yeah, I know
You've been out there and tried to mix with those animals
and it just left you full of humiliated confusion
So you stagger back home and wait for nothing
but the solitary refinement of your
room spits you back onto the streets
And now you're desperate and in need of human contact
And then you meet me and yur whole world changes
because everything I say is everything you've ever wanted to hear
so you drop all you defenses, I'm perfect in every way
'cause I make you feel so strong and so powerfull inside
You feel so lucky
But your ego obscures reality that you never bothered to
wonder why things are going so well
You want to know why?

'Cause I'm a liar, yeah, I'm a liar
I'll tear (rip) your mind up, I'll burn your soul
I'll turn you into me, I'll turn you into me
'Cause I'm a liar, a liar, a liar, a liar...

I'll hide behind a smile and understanding eyes
and I'll tell you things that you already know so you can say:
I really identify with you, so much
and all the time that you're needing me is just the time
that I'm bleeding you, don't you get it yet?
I'll come to you like an affliction
then I'll leave you like an addiction
you'll never forget me... wou wanna know why?

'Cause I'm a liar, yeah, I'm a liar
I'll tear (rip) your mind up, I'll burn your soul
I'll turn you into me, I'll turn you into me
'Cause I'm a liar, a liar, a liar, a liar...

I don't know why I feel the need to lie and cause you so much pain
maybe it's something inside, maybe it's something I can't explain
'cause all I do is mess you up and lie to you
I'm a liar, ooh, I'm a liar

But if you'll give me another chance
I swear I'll never lie to you again
'cause now I see the destructive power of a lie,
they're stronger than truth
I can't believe I ever hurt you, I swear I will never lie to you again
please, just give me one more chance, I'll never lie to you again, no,
I swear, I will never tell a lie, I will neer tell a lie, no, no

Ha Ha Ha Ha Ha Ha Ha Ha Ha! Sucker! Sucker! Sucker!

I am a liar, yeah, I am a liar, yeah, I am a liar
I lie you, I feel good, I am a liar, yeah
I lie, ooh, I lie, yeah, I lie
I'm a liar, I lie, I like it, I feel good, I like it, and again
I like it again and I'll keep lying, I'll promise

quinta-feira, 29 de novembro de 2007


Aquele que eu desprezo advinha que é desprezado por mim:
tão-só através da minha existência eu deixo indignado tudo aquilo que tem sangue ruim no corpo...
Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: não querer ter nada de diferente , nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade... Não meramente suportar aquilo que é necessário, muito menos dissimulá-lo - todo o idealismo é falcidade diante daquilo que é necessário -, mas sim amá-lo...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


As mesmas paixões no homem e na mulher são diferentes em seu andamento
e é por isso que o homem e a mulher jamais deixam de se desentender.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007


O aço nunca mente para você.
Você pode andar por ai, e escutar todo tipo de conversas,
dizendo que você é um deus, ou um completo bastardo.
O aço sempre irá chutá-lo de volta à realidade
O aço é o grande ponto de referência, "o doador de toda perspectiva conhecida."
Sempre lá como um farol no breu escuro.
Eu tenho descoberto que o aço é o meu melhor amigo.
Ele nunca me esculacha, nem nunca foge.
Amigos podem ir e vir.
Mas 90 kilos serão sempre 90 kilos.

domingo, 25 de novembro de 2007


As dissonâncias diferenciam-se das consonâncias apenas em grau;
que outra coisa não são que consonâncias mais distantes,
cuja análise é mais difícil para o ouvido em razão de seu distanciamento;

quinta-feira, 22 de novembro de 2007


Hoje sendo o dia do Músico, presto aqui minha homenagem a um dos grandes nomes desta nobre arte, e sendo mais expecífico a um grande Violonista.

ANDRÉS SEGOVIA, teve um papel duplo no desenvolvimento do violão no século XX, o de ampliar o repertório através de obras por ele comissionadas a outros compositores e o de grande divulgador destas obras. Segovia alcançou seus objetivos, conseguindo firmar o violão como um instrumento sério e de grande prestígio nas salas de concerto.

Segovia nasceu em Jaén, em 1893, e teve sua formação musical iniciada em Granada. Sempre considerou-se autodidata, no que diz respeito a sua formação violonística. Também considerava-se um discípulo indireto de Tárrrega; apesar de nunca ter encontrado o maestro, foi influenciado por Llobet através de gravações deste e de diversos encontros entre os dois amigos e mestres.

Tendo a técnica de Tárrega como base, Segovia ampliou-a e aperfeiçoou-a. A técnica "segoviana", por sua vez, tornou-se a base para desenvolvimentos posteriores, resultados do trabalho de outros violonistas ilustres.

A carreira de concertista de Segovia é bem conhecida. Iniciou-se com um recital no Ateneo de Madri, em 1916. Rapidamente, tornou-se um dos mais conhecidos e requisitados instrumentistas da Espanha. O seu primeiro recital em Paris ocorreu na Sala de Concertos do Conservatório, em 1924. Naquela ocasião, estavam na audiência ilustres compositores, como Paul Dukas, Manuel de Falla e Albert Roussel, que teve nesta ocasião a oportunidade de ouvir pela primeira vez sua obra Segovia op. 29, dedicada ao maestro espanhol. Em 1928, Segovia fez seu primeiro concerto em Nova Iorque. Seguiram-se tournées pelo Japão, China e Indonésia, além de apresentações através da Europa.

Durante os anos de guerra, Segovia limitou suas atividades às Américas, especialmente a Montevidéu, onde residiu por vários anos. Passada a guerra, retomou suas atividades na Europa. Além de extensas tournées, são famosas suas "masterclasses" em Santiago de Compostela e na Accademia Musicale Chigiana di Siena.

A influência de Segovia sobre vários dos maiores violonistas atuais é considerável, destacando-se, entre outros, John Willians, Julian Bream e Abel Carlevaro. Aos 92 anos de idade e ainda cheio de energia, Segovia realizava "masterclasses" nas mundialmente famosas Julliard School e Manhattan School of Music, em Nova Iorque.

Faleceu em Madri, no ano de 1987.

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Curiosidade...

O encontro entre Segovia e Heitor Villa-Lobos (1887-1959), deu-se em Paris, em 1924, por ocasião de uma tertúlia musical organizada na alta sociedade brasileira. Segundo um depoimento de Segovia, o encontro deu-se como segue:

"Quando terminei minha apresentação, Villa-Lobos aproximou-se e disse-me em tom confidencial: "-Também toco violão." - Maravilhoso! - respondi.
"Você é então capaz de compor diretamente para o instrumento".
Estendendo-me as mãos, ele pediu-me o violão.
Sentou-se, atravessou-o nos joelhos e segurou-o firmemente de encontro ao peito, como se temesse que o instrumento fugisse.
Olhou severamente para os dedos da mão direita, como ameaçando-os de castigo por ferir erroneamente alguma corda.
E quando menos esperava, desferiu um acorde com tal força, que deixei escapar um grito, pensando que o violão tinha se despedaçado.
Ele deu uma gargalhada e com alegria infantil disse-me: "-espere, espere..." Esperei, refreando com dificuldade meu primeiro impulso, que era o de salvar o meu pobre instrumento de tão veemente e ameaçador entusiasmo.
Após várias tentativas para começar a tocar, ele acabou por desistir(...) os poucos compassos que tocou foram o suficientes para revelar, primeiro, que aquele mal intérprete era um grande músico, pois os acordes que conseguiu produzir fascinantes dissonâncias, os fragmentos melódicos possuíam originalidade, os ritmos eram novos e incisivos e até a dedilhação era engenhosa; segundo que ele era um verdadeiro amante do violão.
No calor desse sentimento, nasceu entre nós uma sólida amizade.
Hoje o mundo da música reconhece que a contribuição desse gênio para o repertório violonístico constituiu uma benção tanto para o instrumento como para mim."

domingo, 18 de novembro de 2007


Se somos compostos de muitas partes, cada qual clamando por expressão, podemos ser responsabilizados apenas pelo acordo final, não pelos impulsos caprichosos de cada uma das partes.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007


Uma das tarefas mais nobres do ensino é despertar no aluno a compreensão para o passado e, ao mesmo tempo ,abrir-lhe perspectivas para o futuro.
Assim, o ensino pode ter um valor histórico, estabelecendo os nexos entre o que foi, o que é, e o que presumivelmente será.

O historiador pode ser realmente produtivo quando, em vez de limitar-se a fornecer dados cronológicos, oferece uma concepção histórica; quando não se restringe a enumerar, mas se esforça em ler, no passado, o futuro.

Em nosso caso, isso significa que o aluno deve aprender as leis e efeitos da tonalidade como se estivessem hoje em plena vigência, mas deve também saber dos movimentos que conduzem à sua abolição.
Deve saber que as condições para a dissolução do sistema tonal estão contidas já nas próprias condições sobre as quais se fundamenta. Deve saber que em tudo o que vive
está contida a sua própria mudança, desenvolvimento, e dissolução.

A vida e a morte estão já na mesma origem. O que existe entre elas é o tempo.
Portanto, nada essencial, apenas uma medida, a qual é, porém, necessariamente consumada.
Com este exemplo, o aluno aprenderá a conhecer a única coisa que é eterna: a mudança; e o que é transitório: a existência.

Dar-se-á conta, assim, de que muito do que se tem tido como estética - ou seja, por fundamento necessário do belo-, não esta sempre alicerçado na essência das coisas.

Que é a imperfeição de nossos sentidos o que o que nos obriga a compromissos graças aos quais alcançamos uma ordem.
Porque a ordem não vem exigida pelo objeto, mas pelo sujeito.

Que assim essas numerosas leis dadas como leis naturais surgem do desejo de tratar o material da maneira mais correta do ponto de vista artesanal.
E que a adaptação daquilo que o artista quer realmente expor, a redução a essas fronteiras que delimitam a forma, a forma artística, se deve apenas à nossa incapacidade de compreender o indistinto e o desordenado.
A ordem que nós chamamos de "forma artística" não é uma finalidade em si, mas apenas um recurso.

Como tal devemos aceitá-la, porém rechaçando-a quando pretende apresentar-se como algo mais, como uma estética.
Como isto, não se quer dizer que possam faltar numa obra de arte a ordem, clareza e a integibilidade; senão que por "ordem" não devemos entender apenas as qualidades que percebemos como tais.

Pois a natureza também é bela quando não a compreendemos e quando nos parece caótica.
Uma vez curados da ilusão de imaginar que o artista cria por razões de beleza; uma vez que se tenha compreendido que somente a necessidade de criar o obriga a produzir o que depois talvez designaremos como beleza, então compreende-se que a inteligibilidade e a clareza não são condições que o artista necessita exigir da obra e da arte, mas condições que o espectador espera ver satisfeitas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007


O discernimento, o dizer-sim à realidade é, para o forte,
uma necessidade tão grande quanto a covardia e a fuga da realidade - o “ideal” - o é para o fraco, subjugado sob a inspiração da fraqueza…
Eles não têm liberdade para reconhecer: os décadents têm necessidade da mentira; a mentira é uma das condições de sua conservação…

terça-feira, 13 de novembro de 2007


Na solidão, o solitário devora a si mesmo;
na multidão devoram-no inúmeros.
Então escolhe.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007


Quanta é a verdade que um espírito suporta?
Quanta é a verdade que ele ousa?
Essa foi para mim, e cada vez mais, a tábua para medir valores. Engano -a crença no ideal- não é cegueira, engano é covardia...
Toda a conquista, todo o passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza em relação a si mesmo, da decência consigo mesmo...
Eu não refuto os ideais, eu apenas visto luvas diante deles...
Nitimur in vetitum(nós buscamos o proibido): é sob esse signo que a minha filosofia sai vitoriosa...

domingo, 11 de novembro de 2007


Os jovens começam a fumar para mostrar que são adultos.
Vinte ou trinta anos depois, procuram deixar de fumar com o mesmo objectivo.

sábado, 10 de novembro de 2007


- Os espíritos livres viverão com mulheres? Em geral acredito que, como os pássaros verídicos da antiguidade, sendo aqueles que pensam em dizer a verdade sobre o presente, preferirão voar sozinhos.

- O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo.
Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso.

- Um bom par de óculos tem, muitas vezes sido suficiente
para curar uma pessoa do amor

segunda-feira, 5 de novembro de 2007


Quando o centro de gravidade da vida é colocado, não nela mesma,
mas no “além” – no nada – então se retirou da vida o seu centro de gravidade.
A grande mentira da imortalidade pessoal destrói toda razão,
todo instinto natural – tudo que há nos instintos que seja benéfico,
vivificante, que assegure o futuro, agora é causa de desconfiança.

Viver de modo que a vida não tenha sentido: agora esse é o “sentido” da vida...
Para que o espírito público?
Para que se orgulhar pela origem e antepassados?
Para que cooperar, confiar, preocupar-se com o bem-estar geral e servir a ele?
Outras tantas “tentações”, outros tantos desvios do “bom caminho”.
“Somente uma coisa é necessária”...
Que todo homem, por possuir uma “alma imortal”, tenha tanto valor quanto qualquer outro homem; que na totalidade dos seres a “salvação” de todo indivíduo um possa reivindicar uma importância eterna; que beatos insignificantes e desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor – não há como expressar desprezo suficiente por tamanha intensificação de toda espécie de egoísmos ad infinitum, até a insolência.

E, contudo, o cristianismo deve o seu triunfo precisamente a essa deplorável bajulação de vaidade pessoal – foi assim que seduziu ao seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os vencidos, todo o refugo e vômito da humanidade.

A “salvação da alma” – em outras palavras: “o mundo gira ao meu redor”...

A venenosa doutrina dos “direitos iguais para todos” foi propagada como um princípio cristão: a partir dos recônditos mais secretos dos maus instintos o cristianismo travou uma guerra de morte contra todos os sentimentos de reverência e distância entre os homens, ou seja, contra o primeiro pré-requisito de toda evolução, de todo desenvolvimento da civilização – do ressentimento das massas forjou sua principal arma contra nós, contra tudo que é nobre, alegre, magnânimo sobre a terra, contra nossa felicidade na Terra...

Conceder a “imortalidade” a qualquer Pedro e Paulo foi a maior e mais viciosa afronta à humanidade nobre já perpetrada.
E não subestimemos a funesta influência que o cristianismo exerceu mesmo na política!
Atualmente ninguém mais possui coragem para os privilégios, para o direito de dominar, para os sentimentos de veneração por si e seus iguais – para o pathos da distância...

Nossa política está debilitada por essa falta de coragem!
Os sentimentos aristocráticos foram subterraneamente carcomidos pela mentira da igualdade das almas; e se a crença nos “privilégios da maioria” faz e continuará a fazer revoluções – é o cristianismo, não duvidemos disso, são as valorações cristãs que convertem toda revolução em um carnaval de sangue e crime!

O cristianismo é uma revolta de todas as criaturas rastejantes contra tudo que é elevado: o Evangelho dos “baixos” rebaixa...

domingo, 4 de novembro de 2007



De repente eu estava rodeado por meia dúzia de aparições em gazes e lantejoulas, que me olhavam expectantes.
Fiquei ali parado por um momento, perplexo.
Depois instintivamente fui até um piano como a única criatura com alma naquele grupo e toquei alguns acordes.
Eles me liberaram da minha paralisia, e saí dali.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007


Tupã o Espírito Supremo e protetor de minha raça
Encontrou-me um dia no meio de um bosque florescido
E me disse: Toma esta caixa misteriosa e descobre seus segredos
E aprisionando nela todos os pássaros canoros da floresta
E a alma resignada dos vegetais, abandonou-a em minhas mãos
Tomei-a, obedecendo a ordem de Tupã
Colocando-a bem junto ao coração
Abraçado a ela passei muitas luas à borda de uma fonte
E uma noite, Jaci retratada no líquido cristal
Sentindo a tristeza de minha alma índia
Deu-me seis raios de prata para com eles descobrir seus arcanos segredos
E o milagre se operou: do fundo da caixa misteriosa,
Brotou a sinfonia maravilhosa
De todas as vozes virgens da natureza da América

segunda-feira, 29 de outubro de 2007


Roll the Dice

Se você vai tentar, vá até o fim.
Do contrário, nem comece.

Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos.
E talvez sua cabeça.

Pode significar ficar 3 ou 4 dias sem comer.
Pode significar congelar em um banco de praça.
Pode significar prisão, zombaria, escárnio, isolamento.

Isolamento é a dádiva.

Todos os outros são testes para a sua resistência.
Do quanto realmente você deseja.

E você vai fazer, apesar da rejeição e das piores chances.
E vai ser melhor que qualquer coisa que você puder imaginar.

Se você vai tentar, vá até o fim.

Não há nenhum outro sentimento como este.
Você estara sozinho com os deuses
E as noites vão arder com o fogo.

Faça

Você vai conduzir a vida direto à risada perfeita.
É o único bom combate que existe.

O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco,
baixo, incapaz, e transformou em um ideal a oposição
aos instintos de conservação da vida saudável;
e até corrompeu a faculdade daquelas naturezas intelectualmente poderosas, ensinando que os valores superiores do intelecto não passam de pecados, desvios "tentações".
O mais lamentável exemplo: a concepção de Pascal,
que julgava estar a sua razão corrompida pelo pecado original;
estava corrompida sim, mas apenas pelo seu cristianismo!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007


A vida consiste em raros momentos da mais alta significação
e de incontáveis intervalos, em que, quando muito,
as sombras de tais momentos nos rondam.
O amor, a primavera, toda bela melodia, a Lua, as montanhas,
o mar - apenas uma vez tudo fala plenamente ao coração:
se é que atinge a plena expressão.
Pois muitos homens não tem de modo algum esses momentos,
e são eles próprios intervalos e pausas na sinfonia da vida real

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Talvez a miséria tenha chegado.
Não se pode viver da própria alma.
Não se pode pagar o aluguel com a alma.
Experimente fazer isso um dia.
É o início do Declínio e Queda do Ocidente, como Splenger dizia.
Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou.
Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso.
Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Meu coração não se cansa de ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meu sonho sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo Em mim

sábado, 20 de outubro de 2007


Estou perdido.
Alguém possui minha alma e a domina.
Alguém ordena todos os meus atos, todos os meus movimentos, todos os meus pensamentos.
Não sou mais nada, exceto espectador escravizado e amedrontado de tudo o que faço.
Quero sair, não posso.
Ele não quer, e assim permaneço, trêmulo e perplexo, na poltrona onde ele me mantém sentado.
Desejo apenas levantar-me e me animar, mas não posso!
Estou preso à cadeira, e esta adere ao chão de tal maneira que não existe força capaz de mover-nos.
De repente, sinto que devo, preciso ir ao fundo do quintal colher morangos e comê-los, e lá vou eu.
Colho os morangos e como-os!
Meu Deus! Meus Deus!
Deus existe? Se existe, libertai-me!
Salvai-me! Socorrei-me! Perdão!
Piedade! Misericórdia! Salvai-me! Quanto sofrimento!
Que tormento! Que horror!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007


Voilà!
À vista, um humilde veterano vaudevilliano,
apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino.
Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi,
agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança
agora venera aquilo que uma vez vilificaram.
Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada,
e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados
vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição.
O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,
não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia
deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos.
Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose
vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la
e você pode me chamar de V

terça-feira, 16 de outubro de 2007


"Tá vendo esse buraco aqui?
Quem matou esse cara aqui?
Um de vocês é o caralho!
Quem matou esse cara aqui foi você seu viado.
É você que financia essa merda aqui.
Seu maconheiro! Seu merda!
A gente vem aqui pra disfazer a merda que você faz!"

"Fazer o quê com o verme aqui capitão?
Bota na conta do Papa."

"Fica tranquila que o Baiano, tem conciência social"

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Estudante rico gosta de ajudar criança pobre, e quem é que não sente pena de criança pobre?
O que me fode é o sujeito que nasce com oportunidade e termina entrando nessa vida.
Quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico, só para um playboy fumar um baseado?
Ninguém faz passeata quando morre policial.
Quando eu vejo passeata contra violência, parceiro; eu tenho vontade de sair metendo porrada.

domingo, 14 de outubro de 2007


Para suportar a minha seriedade e a minha paixão,
é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até as últimas conseqüências;
estar acostumado a viver nas montanhas, a ver abaixo de si,
o mesquinho Charlatanismo actual da política e do egoísmo dos povos;
e, finalmente ter-se tornado indiferente e jamais perguntar se a verdade é útil,
se chegará a ser uma fatalidade.
Necessária é também uma inclinação para enfrentar questões que hoje ninguém se atreve a elucidar; inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto

sábado, 13 de outubro de 2007


Nunca encontrei um amigo de verdade.
Com as mulheres, havia esperança com cada uma, mas isso era no princípio.
Mesmo no começo, eu saquei, parei de procurar a Garota Ideal;
eu só queria uma que não fosse um pesadelo

sexta-feira, 12 de outubro de 2007


De algum modo me perdi, os olhos grudados nas pernas dela.
Sempre fui de perna.
Foi a primeira coisa que vi quando nasci.
Mas então eu tentava sair.
Desde então, tenho me virado no sentido contrário, e com um azar dos diabos.

Fiquei magoado, não por me teres mentido,
mas por não poder voltar a acreditar-te.

Levar insidiosamente o próximo a uma boa opinião de nós e, depois, acreditar piamente nessa boa opinião: quem consegue imitar nesta habilidade as mulheres?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007


Quando ando no meio de outras pessoas, não me sinto bem.
O que elas falam e o entusiasmo que demonstram nada têm a ver comigo.
O mais curioso é que justamente quando estou na companhia delas que me sinto mais forte.
Me vem a idéia seguinte: se podem existir só com esses fragmentos de coisas, então eu também posso.
Mas é quando estou sozinho e todas as comparações se reduzem a mim mesmo contra as paredes, contra a minha própria respiração, contra a história, contra o meu fim, que começam a ocorrer coisas estranhas.
Sou evidentemente um sujeito fraco.
Experimentei ler a bíblia, os filósofos, os poetas, mas pra mim, de certo modo, erraram de alvo.
Ficam falando de uma coisa completamente diversa.
Por isso há muito tempo desisti de ler.
Encontro um pouco de conforto na bebida, no jogo e no sexo, e dessa forma me assemelho bastante a qualquer membro da comunidade, da cidade e do país; a única diferença é que não tenho o menor interesse em "vencer", constituir família, ter casa própria, um emprego respeitável etc. e tal.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007


Aqueles que pregam Deus, precisam de Deus
Aqueles que pregam a paz, não têm paz
Aqueles que pregam o amor, não tem amor

Cuidado com os pregadores
Cuidado com os Sabedores

Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros

Cuidado com aqueles que detestam a pobreza
ou que são orgulhosos dela

Cuidado com aqueles que elogiam fácil
Porque eles precisam de elogios de volta

Cuidado com queles que censuram fácil
Eles têm nedo daquilo que não conhecem

Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões;
Eles não são nada sozinhos...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007


Eu tenho muito pouca confiança em minhas opiniões.
Eu não sei as respostas… minhas opiniões são apenas isto, opiniões; fundadas no que eu espero ser uma avaliação racional da minha própria experiência.
Atitude esta que deveria ser a de todo mundo… mas raramente é.