
Uma das tarefas mais nobres do ensino é despertar no aluno a compreensão para o passado e, ao mesmo tempo ,abrir-lhe perspectivas para o futuro.
Assim, o ensino pode ter um valor histórico, estabelecendo os nexos entre o que foi, o que é, e o que presumivelmente será.
O historiador pode ser realmente produtivo quando, em vez de limitar-se a fornecer dados cronológicos, oferece uma concepção histórica; quando não se restringe a enumerar, mas se esforça em ler, no passado, o futuro.
Em nosso caso, isso significa que o aluno deve aprender as leis e efeitos da tonalidade como se estivessem hoje em plena vigência, mas deve também saber dos movimentos que conduzem à sua abolição.
Deve saber que as condições para a dissolução do sistema tonal estão contidas já nas próprias condições sobre as quais se fundamenta. Deve saber que em tudo o que vive
está contida a sua própria mudança, desenvolvimento, e dissolução.
A vida e a morte estão já na mesma origem. O que existe entre elas é o tempo.
Portanto, nada essencial, apenas uma medida, a qual é, porém, necessariamente consumada.
Com este exemplo, o aluno aprenderá a conhecer a única coisa que é eterna: a mudança; e o que é transitório: a existência.
Dar-se-á conta, assim, de que muito do que se tem tido como estética - ou seja, por fundamento necessário do belo-, não esta sempre alicerçado na essência das coisas.
Que é a imperfeição de nossos sentidos o que o que nos obriga a compromissos graças aos quais alcançamos uma ordem.
Porque a ordem não vem exigida pelo objeto, mas pelo sujeito.
Que assim essas numerosas leis dadas como leis naturais surgem do desejo de tratar o material da maneira mais correta do ponto de vista artesanal.
E que a adaptação daquilo que o artista quer realmente expor, a redução a essas fronteiras que delimitam a forma, a forma artística, se deve apenas à nossa incapacidade de compreender o indistinto e o desordenado.
A ordem que nós chamamos de "forma artística" não é uma finalidade em si, mas apenas um recurso.
Como tal devemos aceitá-la, porém rechaçando-a quando pretende apresentar-se como algo mais, como uma estética.
Como isto, não se quer dizer que possam faltar numa obra de arte a ordem, clareza e a integibilidade; senão que por "ordem" não devemos entender apenas as qualidades que percebemos como tais.
Pois a natureza também é bela quando não a compreendemos e quando nos parece caótica.
Uma vez curados da ilusão de imaginar que o artista cria por razões de beleza; uma vez que se tenha compreendido que somente a necessidade de criar o obriga a produzir o que depois talvez designaremos como beleza, então compreende-se que a inteligibilidade e a clareza não são condições que o artista necessita exigir da obra e da arte, mas condições que o espectador espera ver satisfeitas.
Texto espetacular!
ResponderExcluirComo diria o escritor Marcel Proust:"Os dados reais da vida não têm valor para o artista, são unicamente um ensejo para manifestar o seu génio."