segunda-feira, 5 de novembro de 2007


Quando o centro de gravidade da vida é colocado, não nela mesma,
mas no “além” – no nada – então se retirou da vida o seu centro de gravidade.
A grande mentira da imortalidade pessoal destrói toda razão,
todo instinto natural – tudo que há nos instintos que seja benéfico,
vivificante, que assegure o futuro, agora é causa de desconfiança.

Viver de modo que a vida não tenha sentido: agora esse é o “sentido” da vida...
Para que o espírito público?
Para que se orgulhar pela origem e antepassados?
Para que cooperar, confiar, preocupar-se com o bem-estar geral e servir a ele?
Outras tantas “tentações”, outros tantos desvios do “bom caminho”.
“Somente uma coisa é necessária”...
Que todo homem, por possuir uma “alma imortal”, tenha tanto valor quanto qualquer outro homem; que na totalidade dos seres a “salvação” de todo indivíduo um possa reivindicar uma importância eterna; que beatos insignificantes e desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor – não há como expressar desprezo suficiente por tamanha intensificação de toda espécie de egoísmos ad infinitum, até a insolência.

E, contudo, o cristianismo deve o seu triunfo precisamente a essa deplorável bajulação de vaidade pessoal – foi assim que seduziu ao seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os vencidos, todo o refugo e vômito da humanidade.

A “salvação da alma” – em outras palavras: “o mundo gira ao meu redor”...

A venenosa doutrina dos “direitos iguais para todos” foi propagada como um princípio cristão: a partir dos recônditos mais secretos dos maus instintos o cristianismo travou uma guerra de morte contra todos os sentimentos de reverência e distância entre os homens, ou seja, contra o primeiro pré-requisito de toda evolução, de todo desenvolvimento da civilização – do ressentimento das massas forjou sua principal arma contra nós, contra tudo que é nobre, alegre, magnânimo sobre a terra, contra nossa felicidade na Terra...

Conceder a “imortalidade” a qualquer Pedro e Paulo foi a maior e mais viciosa afronta à humanidade nobre já perpetrada.
E não subestimemos a funesta influência que o cristianismo exerceu mesmo na política!
Atualmente ninguém mais possui coragem para os privilégios, para o direito de dominar, para os sentimentos de veneração por si e seus iguais – para o pathos da distância...

Nossa política está debilitada por essa falta de coragem!
Os sentimentos aristocráticos foram subterraneamente carcomidos pela mentira da igualdade das almas; e se a crença nos “privilégios da maioria” faz e continuará a fazer revoluções – é o cristianismo, não duvidemos disso, são as valorações cristãs que convertem toda revolução em um carnaval de sangue e crime!

O cristianismo é uma revolta de todas as criaturas rastejantes contra tudo que é elevado: o Evangelho dos “baixos” rebaixa...

Um comentário:

  1. Latin-Pacis/ bello
    Portugês-Paz/gerra
    ;)

    "Amicitia est rerum humanarum et divinarum cum benevolentia et caritate consensio".

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