terça-feira, 30 de dezembro de 2008


Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético. A fortaleza, a liberdade que vem da força e sobrefoça do espírito, prova-se mediante o ceticismo. Homens de convicção não devem ser levados em conta em nada fundamental referente em valor e desvalor. Convicções são prisões. Eles não vêem longe o bastante, não vêem abaixo de si: mas para poder falar sobre valor e desvalor é preciso ver quinhentas convicções abaixo de si – atrás de si... Um espírito que quer coisas grandes, que quer também os meios para elas, é necessariamente um cético. Ser livre de todo tipo de convicção faz parte da força, poder olhar livremente... A grande paixão, o fundamento e o poder de seu ser, ainda mais esclarecida, mais despótica do que ele mesmo, toma todo o seu intelecto a seu serviço; ela tira toda hesitação; da-lhe coragem até para usar meios profanos; em algumas circunstâncias, permite- lhe convicções. A convicção como meio: muita coisa se alcança por meio de uma convicção. A grande paixão necessita, utiliza convicções, não se submete a elas – sabe-se soberana. – Inversamente: a necessidade de fé, de algum incondicional Sim e Não, o carlylismo, se me permitem a palavra, é a necessidade da fraqueza. O homem de fé, o “crente” de todo tipo, é necessariamente um homem dependente – que não pode colocar a si como finalidade, que não pode absolutamente colocar finalidades a partir de si. O “crente” não pertence a si; pode apenas ser meio; tem de ser usado; necessita de alguém que o use. Seu instinto atribui a honra máxima a uma moral de abnegação; tudo o persuade a esta, sua prudência, sua experiência, sua vaidade. Todo tipo de fé, é em si mesmo a expressão de abnegação, de alienação de si...Se considerarmos o quanto é necessário para a imensa maioria um regulador que desde fora amarra e fixa, como a coação, a escravidão, num sentido mais alto, é a única e derradeira condição em que prospera o indivíduo de vontade fraca, sobretudo a mulher: então compreendemos também a convicção, a "fé". O homem de convicção tem nela a sua espinha dorsal. Não ver muitas coisas, em nenhum ponto ser imparcial, ser inteiramente partidário, ter uma ótica estrita e necessária em todos os valores – apenas isso faz com que exista esse tipo de pessoas. Mas com isso ele é o oposto, o antagonista do veraz - da verdade...O crente não é livre para ter alguma consciência quanto à questão do "verdadeiro" e do "não verdadeiro": ser honesto nesse ponto seria a sua imediata ruína. O condicionamento patológico de sua ótica faz do convicto um fanático - Savonarola, Lutero, Rousseau, Robespierre, Saint-Simon -, o tipo contrário do espírito forte, que se tornou livre. Mas as grandes atitudes desses espíritos doentes, desses epilépticos do conceito, influi sobre a grande massa - os fanáticos são pitorescos, a humanidade prefere ver gestos a ouvir razões...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Perspectivas distantes. - A: Mas por que essa solidão? - B: Não estou aborrecido com ninguém. Mas sozinho pareço ver os amigos de modo mais nítido e belo do que quando estou com eles; e quando amei e senti mais a música, vivia longe dela. Parece que necessito de perspectivas distantes para pensar bem das coisas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


"Humanidade". - Nós não consideramos os animais seres morais. Mas vocês acham que os animais nos consideram seres morais? - Um animal que podia falar afirmou: "Humanidade é um preconceito de que pelo menos nós, animais, não sofremos".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008


Cristianismo. - A crença que um judeu-zumbi-cósmico pode fazer você viver eternamente, se você simbolicamente comer sua carne e telepaticamente dizê-lo que você o aceita como seu mestre, assim ele pode remover uma força maligna da sua alma que está presente em toda a humanidade devido uma mulher-costela ter sido convencida por uma serpente falante, a comer um fruto de uma árvore mágica.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Comparando no todo o homem e a mulher, podemos dizer: a mulher não teria o gênio para o ornamento, não tivesse o instinto para o papel secundário.

terça-feira, 25 de novembro de 2008


Eu não preciso ser um cidadão global
Porque sou abençoado pela nacionalidade
Sou membro de uma população crescente
Nós reforçamos nossa popularidade
Há coisas que parecem nos puxar abaixo
E há as coisas que nos arrastam para baixo
Mas há um poder e uma presença vital
Espreitando tudo a sua volta

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Ele ajudou a construir o estado do presidente

Eu sinto pena pela população da terra.
Porque poucos vivem no EUA
Pelo menos os estrangeiros podem copiar nossa moral
Eles podem visitar, mas não podem ficar
Somente alguns preciosos podem ter a prosperidade
Isso nos faz seguir com confiança renovada
Temos um lugar para ir quando morrermos
E o arquiteto mora bem aqui

Nós temos o Jesus Americano
Sustentando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Oprimindo milhões todo dia

Ele é o campo estéril do fazendeiro (em Deus)
A força, que o exército exerce (nós confiamos)
A expressão nos rostos (porque)
Dos milhões de famintos (ele é um de nós)

O poder dos homens (Rompendo)
É o combustível que move o clã (cavando)
É o motivo e consciência (nós podemos)
Do assassino (recolher nossos pecados)

Ele é o pregador na TV (coração forte)
A falsa sinceridade (tão alto)
A letra de forma que foi escrita (de um infinito)
Pelos grandes computadores (jeito)

As bombas nucleares (você perde)
E as crianças sem mães (nós ganhamos)
E sou temente a isto (ele é)
Ele está dentro de mim (nosso campeão)

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Exercendo sua autoridade
Nós temos o Jesus Americano
Sustentando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Oprimindo milhões todo dia


Uma nação sob Deus...
Uma nação sob Deus...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Modern man

Eu não tenho nada a dizer
Eu não tenho nada para fazer
Todos os meus neurônios estão funcionando suavemente
E eu continuo um ciborgue assim como você
Eu sou um grande mioma que pensa
Meu planeta suporta apenas eu
Eu tenho apenas um problema: irei eu viver para sempre?
Eu tenho apenas pouco tempo para ver


Homem moderno, traidor evolucioário
Homem moderno, destruidor do ecosistema
Homem moderno, destrói a si mesmo vergonhosamente
Homem moderno, exemplo patético da herança orgânica da terra

Quando eu olho para trás e penso
Quando eu pondero e pergunto "porque?"
Eu vejo meus ancestrais gastando com abandono descuidado
Supondo suprimento eterno

Homem moderno, traidor evolucioário
Homem moderno, destruidor do ecosistema
Homem moderno, destrói a si mesmo vergonhosamente
Homem moderno, exemplo patético da herança orgânica da terra

Apenas uma amostra de desperdício baseado em carbono
Apenas a porra de uma tragédia épica de você e eu



http://www.youtube.com/watch?v=Q3gViF5SIWw

domingo, 23 de novembro de 2008


Deus, o psicótico. - Acabei de receber um e-mail dizendo: Espero que encontre Deus em 2009. O que é um sentimento positivo. Muito obrigado por isso. No entanto, espero que isso não ocorra pois, pelo que ouvi sobre Deus e o jeito que ele gosta de fazer as coisas e o tipo de gente que ele atrai, todas essas coisas combinaram para desejar que ele fique o mais distante de mim; humana ou desumanamente possível. Estamos falando sobre o deus do deserto, o deus da morte. E sabemos que todos os três dogmas do deserto são variações do mesmo culto à morte. E todos eles louvam esse Deus de suposto amor e misericórdia, que é o motivo pelo qual eles devem se odiar com essa violenta paixão. Vocês teriam que perguntar isso a eles. Coletivamente, eles são conhecidos como filhos de Abraão, pois Abraão é o patriarca original do qual eles descendem. De fato, sem a influência de Abraão, pode ser que nenhum desses dogmas existisse nos dias de hoje. O que me faz desejar voltar no tempo e ter com Abraão uma conversa muito séria: “Seu idiota,” eu diria, “não pode prever o que aconteceria? Olhe o profeta que você se tornou?” Abraão foi quem decidiu que só haveria um deus dali em diante. Tamanho único – esse era o lema. E isso deve ter sido um efeito devastador na comunidade divina daquele tempo. Todos os deuses dos rios, das montanhas, das matas, etc, os pequenos e especializados deuses que haviam servido tão bem ao povo por gerações, eles se viram apertados para fora do quadro, ou forçadamente amalgamados em um conglomerado gigante, de controle central, um estreito código central com uma vingança correta em seu coração. Até hoje, a quem se pergunte se essa foi à decisão certa para a humanidade àquele tempo. O debate continua. Bem, dadas as religiões que ele fez criar, Abraão não se notalizou particularmente pela sua estabilidade mental. Ele estava preparado para matar próprio o filho pois Deus assim o ordenou. Felizmente Deus interveio no último segundo e o impediu, provando quão justo e misericordioso deus, ele é. Se você ignorar o trauma psicológico que ele deixou nessas duas pessoas. Sem dúvidas, marcou-os para sempre. Mas isso é parte da maldição, não é? Para o Antigo Testamento todos acabam feridos mentais e fisicamente. Dificilmente alguém sai inteiro. Veja o tratamento dado a Adão e Eva, os primeiros habitantes do planeta. Foram punidos por serem verdadeiros com sua natureza, que deus havia dado a eles. Deus sabia que eram curiosos, que eles tinham que ser curiosos para sobreviver. Deus sabia que eles comeriam aquela maça. Alguém cínico pode desconfiar que Deus criou-nos apenas para punir-nos. Pois esta é a 1ª lição que aprendemos nos Gênesis: que ser humano, é um pecado. Fomos punidos e banidos do paraíso por termos sido fiéis a nossa natureza, mas nos recuperamos e começamos a torre de Babel, pois queríamos ir ao paraíso e dar uma olhadinha. Por curiosidade, fazendo o que a natureza manda. Mas, Deus não gostou nada daquilo, então ele confundiu-nos as línguas. Assim, aqui estamos, apenas no início da Bíblia e já recebemos dois golpes massacrantes do nosso amável e misericordioso deus. Logo após, ele inunda todo planeta pois alguém deve ter olhado torto para Ele. Mas ele deu a dica a alguém para construir um barco, porque ele não queria acabar com todo mundo, senão não haveria ninguém para ser punido. Posso entender uma pessoa ler a Bíblia por prazer, pois é, discutivelmente, uma grande obra literária e certamente um artefato cultural interessante. Mas não é a palavra de Deus e já é hora de pararmos de fingir que é, ou que venha ser. Deus é o personagem principal do livro, e se você ler, logo verá isso. Ele é uma personalidade interessante, se definido cruamente. É basicamente uma tentativa de se por uma face humana na força criativa da vida. Mas, infelizmente nós o projetamos com todos os nossos preconceitos e o fizemos um pouco humano demais para o nosso próprio bem. Porque uma coisa que eu notei foi que ser humano apenas funciona com humanos. Não se transfere a divindade. Deuses humanos tendem a serem insensatos, violentos e imprevisíveis de um jeito superficial e egoísta. A única coisa ilimitada neles é a sua gana para se sentirem ofendidos, como as muitas almas sensíveis que os louvam. Mas, se você procura ofensa, não há livro melhor do que a bíblia, certamente um dos mais ofensivos que você pode ler. A não ser que você acredite que adúlteros devem ser mortos, ou que é correto vender sua filha como escrava ou que qualquer um que trabalhe no sábado deve ser apedrejado. Talvez você concorde com isso ou com o fato de Deus repetidamente iniciar genocídios. Claro que não mencionou mísseis ou bombas especificamente, mas sem dúvida é aí que entra a fina arte da interpretação bíblica. Ele tem uma ficha criminal que faz Saddam parecer Gandhi. Em Deuteronômio 13, se você souber de uma cidade onde se louva a outro deus você deve matar cada um naquela cidade: homem, mulher, bebê e até o gado. Depois queimar tudo. Oh, e não se esqueça: Não matarás! Bem, espero que você entenda porque eu tenho dificuldade em aceitar esse deus do deserto, deus de morte do qual você parece gostar tanto. Espero que você possa entender porque é que eu não quero ter nada com ele, quer ele exista ou não. Eu simplesmente não compartilho de suas idéias. Eu as acho literalmente desumanas. Então eu realmente não me importo com o que ele tem a dizer. E se ele descer do céu agora mesmo em botas de sete léguas esfregando o livro de Juízes na minha cara, eu apenas diria o mesmo que digo a todos os evangélicos que encontro: “Não, obrigado. Não estou interessado na sua salvação. Prefiro o inferno. Agora, vá se danar, tenho alguns pecados para cometer.”
Paz, se não for blasfemar muito. Não quero machucar os preciosos sentimentos de ninguém.

sábado, 22 de novembro de 2008


A maldição da fé. - Posso apenas dizer a todas as pessoas que continuam dizendo que eu estou errado quando digo que os cristãos já nascem em dívida com Jesus: será que eu não percebo que essa dívida já foi paga em dobro, por Jesus? Ah sim, é claro, mas apenas da mesma maneira que uma financeira pagará por todas as suas dívidas, mas então você tem que pagar de volta a financeira, ou vai haver problemas. Similarmente, se você decide dar o calote na dívida com Jesus, aquela que ele pagou com o seu precioso sangue, bem então você estará com grandes problemas, meu amigo. De fato, grande é provavelmente uma palavra pequena demais para descrever o tipo de roubada em que você vai se encontrar se você o rejeitar como seu salvador, porque você vai fritar pela eternidade, e a eternidade é algo com que não se brinca, porque é para sempre. E nós sabemos disso porque mediram a eternidade e deu exatamente para sempre. E é isso que te aguarda: sofrimento eterno inimaginável, e Jesus não vai fazer coisa alguma a respeito. Por que? Porque ele não dá a mínima! Esse é o quanto ele te ama. Eu acho que depois de dois mil anos, se não coisa melhor, ele nos deve outra crucificação. Você não pode viver de glórias passadas para sempre! Quem ele pensa que é, Woody Allen? Ora! De qualquer forma, por causa disso, hoje eu gostaria de dizer algumas palavras sobre a Fé, a qual eu penso que tem o potencial de nos escravizar a todos sorrateiramente, porque eu acho que Fé é uma palavra muito perigosa e enganosa. Ela remete a duas idéias completamente separadas, que têm absolutamente nada a ver uma com a outra. Uma é boa e a outra é má. Uma é chamada espiritualidade e a outra é chamada religião. Uma é uma experiência pessoal e a outra é um problema público. uma leva ao auto-conhecimento e a outra à auto-indulgência, às custas dos outros. Em uma não há compulsão enquanto que a outra depende da compulsão para a sua sobrevivência. Uma é baseada na inocência, a outra na culpa. Uma abraça a vida, a outra cultua a morte. É difícil imaginar como estas duas coisas poderiam ser mais diferentes, entretanto, por alguma razão elas sempre nos são vendidas juntas em um mesmo pacote sob a bandeira da Fé. Se você leva uma, você tem que levar a outra. Um pouco como um pet shop dando uma cascavel de graça com cada coelhinho. Agora, eu não estou dizendo que não há mais nesta vida do que aquilo que vemos, porque obviamente há. A Ciência já nos mostrou isso: no mundo subatômico descobre-se que nada é realmente sólido, se é que você consegue entender isso, e algumas partículas são tão imprevisíveis que nós sequer temos certeza se elas existem ou não; elas parecem estar lá e não estar lá ao mesmo tempo. Um pouco como a Democracia Ocidental, ou sou só eu que acho? Mas, de qualquer forma, é claro que nós somos parte de uma realidade que nós não entendemos totalmente e, se existe uma força vital neste universo, e, encaremos, deve haver, do contrário não haveria vida alguma, É natural que nós iríamos querer fazer alguma conexão com ela, porque qualquer um quer se sentir mais vivo, certo? Mas não há evidências de que ela requeira veneração nem qualquer forma de comportamento subserviente, ou que nós sejamos de qualquer forma centrais aos seus planos, ou sequer relevantes para eles mais do que qualquer outro organismo no planeta, ou no universo; este universo ou qualquer outro universo. Então, nesse sentido, eu acho que nós realmente precisamos nos superar pra valer. Além disso, nós precisamos parar de fingir que todas as armadilhas da Fé feitas pelo homem, os acessórios ornamentais, se você preferir, são realmente nada mais do que apenas isso. Eu estou falando das escrituras, dogmas rituais, profecias, leis religiosas, todas essas coisas colocadas lá para dar às religiões algum tipo de estrutura, e para ser justo, é para isso que elas estão lá, não é? É um pouco como vestir o homem invisível: Uma vez vestido, você pode vê-lo! Mas, é claro, você não o vê, você vê a roupa. E este é o problema: todos se tornaram tão obcecados pelas malditas roupas, que esquecemos se havia alguém lá em primeiro lugar. Se você é uma pessoa espiritual, você não precisa da religião e você sabe disso. E você certamente não está interessado em forçar as suas crenças nas outras pessoas. Se você não é uma pessoa espiritual, então que diabos você está fazendo de joelhos rezando feito um idiota, como um cachorro que foi ensinado a fazer algo sem entender o porquê? Levante-se e pare de se fazer de bobo, porque a sua fé não é uma virtude, é um vício, é uma escravidão ao dogma, às certezas das escrituras, que estão ainda assim abertas a interpretações em interesse próprio pelos homens. Agora, eu estou certo que mesmo você pode ver a óbvia falha nesse pequeno arranjo. Além do mais, a Fé, na sua maneira de Alice no País das Maravilhas, define-se e avalia-se de acordo com falta de evidências. Quanto menos evidências se tem, mais fé é necessária e mais digna de respeito e deferência ela é, por alguma razão. Sem mencionar grandes quantidades de dinheiro público, generosos incentivos fiscais e a liberdade para preencher as mentes de crianças inocentes com superstições violentas e medos infundados. E isso para mim realmente é a maldição da Fé, e é algo que nos envergonha a todos de geração em geração: é a forma covarde em que nós permitimos que a religião seja forçada às crianças, em uma clara violação dos direitos humanos delas, hipnotizando-as quase que ao nascer, seqüestrando suas vidas e as transformando em pequenos cristãos, pequenos muçulmanos, pequenos judeus, antes que elas tenham a chance de entender a primeira coisa que está envolvida. Ah, nós vivemos em tempos tão civilizados no século 21, não é? Os direitos humanos são tudo para nós.
Nós nos esforçamos tanto para obter compensação para qualquer oportunista barato, qualquer marginal criminoso canalha cujos preciosos sentimentos foram feridos, mas não damos a mínima para os direitos das crianças que estão tendo as suas mentes moldadas e atrofiadas pelos outros antes de terem a chance de se formarem completamente. Como arrancar flores antes que elas desabrochem. É um crime contra a humanidade, é o que é, e um dia será contra a lei. Diga isso a Jesus, se você o vir. E diga por mim que ele vá se ferrar à arvore mais próxima. Paz. E quem sabe, talvez um dia...civilização.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Deus abençoe o ateísmo. - Vivo em uma sociedade em que todas as crenças são respeitadas, desde que se acredite em Deus. Apesar disso, há ainda boas razões para ser ateu. Pessoalmente gosto das horas: 24 por dia. Acho que elas me servem muito bem. As pessoas sempre me perguntam sobre ser ateu. E certas perguntas surgem toda hora. Exemplo: Como você separa o bem e o mal sem a religião pra te guiar? Bem, esta é a questão não é mesmo? A religião me guia sim. A maioria das coisas que relaciono com religião acho que são do mal, e acho isso uma referência bem útil: se há religião envolvida, o mal não estará longe. Outra questão é: Ateísmo em si não é apenas mais uma religião? Bem, acho que ateísmo é uma religião do mesmo modo que Criacionismo é Ciência, ou Islamismo é uma religião de paz. Resumindo: quando a linguagem não mais importa. Como Ateísmo pode ser uma religião? Quem adoramos? E quem vamos matar se não o adorar? Ateísmo não requer obediência inquestionável e absoluta, ou ameaça com sofrimento eterno nem se ofende com coisas sem importância. Não protege pervertidos sexuais da justiça, tampouco trata as mulheres como gado. É até uma pena que não seja uma religião pois poderíamos ter certa isenção fiscal, mas não. Ateísmo não tem privilégios especiais. Não há escolas ensinando Ateísmo as crianças como crenças, pagas com dinheiro público. Nem requer que se reserve 10% da sua renda para manter certos cínicos criminosos no alto luxo. Viu? Nem começa a se qualificar como religião digna do nome. Não, para mim Ateísmo é só uma palavra para realidade. Significa apenas: não ver necessidade de se desculpar por ser humano, e ser bem feliz com a vida que levamos e não confiar num truque celestial que diz: “O paraíso está logo ali esperando por você. Tudo que você tem a fazer é morrer.” É o preço a se pagar pelo ingresso a um lugar que deve estar cheio de clérigos e de cristãos renascidos, o que na minha opinião é um destino pior que a morte. Mas, certamente as pessoas precisam da religião para responder a certas perguntas. Perguntas como: qual o melhor meio de se sufocar o espírito humano? Quanto podemos sugar dos pobres e ingênuos? E em quantos palácios podemos viver sem sentir vergonha? A estas questões a religião responde muito bem. Mas infelizmente há outras questões as quais ela não responde. Então a religião apenas inventa. Aí entra o Ateísmo que diz: "Ei, você está inventando". A religião diz: “Não. Isso chamamos de Teologia”. Qual a diferença entre um doutor em medicina e um doutor em Teologia? Um receita drogas e o outro deve estar drogado. Um teólogo é aquele que é especializado no que não se pode conhecer e tem todas as qualificações para prová-lo. Sim... um especialista de verdade! Por isso acho que a pergunta que devemos fazer não é se o Ateísmo é uma religião, e sim, por que a Teologia é tida como ramo da Filosofia e não como uma arte criativa? Porque é muito criativa. Você pode vestir seu Deus com qualquer das roupas do rei. E deve ser muito divertido para quem se interessa. Mas pessoalmente não vejo mais razão para que seja ensinada em universidades e não se ensine astrologia. Ok. Já entendemos, você não acredita em Deus. Mas ao menos as organizações religiosas fazem um bom trabalho, especialmente no 3º mundo. Isso não se pode negar. Então quer dizer que se eles não fossem religiosos não estariam fazendo esse trabalho? Estão fazendo isso obrigados? É isso que você quer dizer? Acho que se eles fossem ateus disfarçados não teriam tempo pra fazer nada, não é? Estariam ocupados com práticas imorais e satisfazendo-se com qualquer produto da sua vã imaginação. Porque é isso que os ateus fazem é claro! Temos almas corrompidas e pecaminosas, pois é um grande estilo de vida...francamente. Na verdade, quando eu terminar esse texto, pretendo passar a tarde toda pecando, pois sei que não serei punido por isso. De fato, estou tão animado que acho que vou parar agora. Então, paz a todos, especialmente aos hereges, descrentes e infiéis.

terça-feira, 18 de novembro de 2008


Ilusório, porém firme. - Assim como, para passar junto a um precipício ou cruzar uma frágil ponte sobre um rio profundo, necessitamos de um corrimão, não para nos agarrar a ele - pois logo se romperia conosco -, mas para despertar na visão a idéia de segurança, assim também precisamos, quando jovens, de pessoas que inconscientemente nos prestem o serviço daquele corrimão. É verdade que elas não nos ajudariam, se realmente nos apoiássemos nelas em caso de perigo, mas dão a impressão tranquilizadora de que há uma proteção ao lado (os pais, professores e amigos, por exemplo, tais como são normalmente os três).

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Da origem da religião. - A necessidade metafísica não constitui a origem das religiões, como quer Schopenhauer, mas apenas um rebento posterior das mesmas. Sob o domínio de idéias religiosas, habituamo-nos à concepção de um "outro mundo" (atrás, abaixo, acima de nós) e sentimos, após o aniquilamento da ilusão religiosa, uma privação e um vazio incômodos - e desse sentimento brota mais uma vez um "outro mundo", agora apenas metafísico, não mais religioso. No entanto, aquilo que nos tempos primitivos levou à suposição de um "outro mundo" não foi um impulso ou necessidade, mas um erro de interpretação de determinados processos naturais, uma perplexidade do intelecto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


O sacrifício necessário. - Esses homens justos, sérios, capazes, profundamente sensíveis, que ainda hoje são cristãos de coração: eles devem a si mesmos experimentar viver por algum tempo sem cristianismo, eles devem a sua fé empreender assim uma permanência "no deserto" - apenas para conquistarem o direito de opinar na questão de se o cristianismo é necessário. Por enquanto se apegam a seu torrão, e de lá caluniam o mundo além do torrão: sim, ficam amargos e irritados se alguém dá a entender que além do seu torrão existe o mundo, o mundo inteiro! Que o cristianismo, tudo somado, é apenas um recanto! Não, seu testemunho não tem peso algum antes que tenham vivido durante anos sem cristianismo, com honesto fervor em suportar a vida no oposto dele: até que tenham se afastado para longe, muito longe dele. Apenas quando forem impelidos de volta pelo julgamento com base numa estrita comparação, e não pela saudade de casa, é que seu regresso à casa terá sentido! - Os homens do futuro assim farão com todas as valorações do passado; é preciso vivê-las deliberadamente uma vez mais, e também o seu oposto - para enfim ter o direito de passá-las na peneira.

terça-feira, 11 de novembro de 2008


A arquitetura dos homens do conhecimento - Será preciso entendermos um dia, talvez um dia próximo, o que falta acima de tudo nas nossas cidades: tranqüilos e amplos, espaçosos lugares para a reflexão, lugares com longas e altas galerias para o tempo ruim ou demasiado claro, aonde não chegue o barulho dos carros e dos pregoeiros, e onde um refinado decoro proibisse até um padre de reza em voz alta: construções e passeios que, no conjunto, exprimissem o que há de sublime no meditar e no pôr-se de lado. Foi-se o tempo em que a Igreja tinha monopólio da reflexão, em que a vita contemplativa tinha de ser antes vita religiosa: tudo o que a Igreja construiu dá expressão a essa idéia. Eu não sei como tais construções, ainda que fossem despidas de sua finalidade eclesiástica, poderiam nos satisfazer; elas falam uma linguagem demasiado patética e constrita, enquanto casas de Deus e luxuosos pontos de um comércio supraterreno, para que nós, os sem-deus, pudéssemos pensar ali os nossos pensamentos. Queremos ver nós mesmos traduzidos em pedra e planta, queremos passear em nós mesmos, ao andar por essas galerias e jardins.

domingo, 9 de novembro de 2008


i will light the match this mornin', so i won't be alone
watch as she lies silent, for soon light will be gone
i will stand arms outstretched, pretend i'm free to roam
i will make my way, through, one more day in hell...
how much difference does it make
how much difference does it make...
i will hold the candle till it burns up my arm
i'll keep takin' punches until their will grows tired
i will stare the sun down until my eyes go blind
hey i won't change direction, and i won't change my mind
how much difference does it make
how much difference does it make
how much difference...
i'll swallow poison, until i grow immune
i will scream my lungs out till it fills this room
how much difference
how much difference

sábado, 8 de novembro de 2008


Instinto de rebanho - Onde quer que deparemos com uma moral, encontramos uma avaliação e uma hierarquização dos impulsos e atos humanos. Tais avaliações e hierarquizações sempre constituem expressão das necessidades de uma comunidade, de um rebanho: aquilo que beneficia este em primeiro lugar - e em segundo e terceiro - é igualmente o critério máximo quanto ao valor de cada indivíduo. Com a moral o indivíduo é levado a ser função do rebanho e a se conferir valor apenas como função. Dado que as condições para a preservação de uma comunidade eram muito diferentes daquela de uma outra comunidade, houve morais bastante diferentes; e, tendo em vista futuras remodelações essenciais dos rebanhos e comunidades, pode-se profetizar que ainda aparecerão morais muito divergentes. Moralidade é o instinto de rebanho no indivíduo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008


A obra de arte consegue refletir o que se enxerga nela. Nisto podem ser reconhecidas as condições que a nossa capacidade de entendimento estabelece, ou seja: um reflexo de nossa própria natureza. Mas esse reflexo não mostra o plano de orientação da obra de arte, e sim o plano de nosso método de orientação. Se também a obra de arte esta na mesma relação com seu criador, refeletindo o que ele viu nela, então as leis que ele acredita perceber podem não ser próprias da obra de arte, mas tão-somente da sua imaginação. E sua declaração quanto a suas próprias intenções formais poderia ser levada pouco em conta. Porque poderá ser correta subjetivamente, mas não objetivamente. Basta dar uma olhada no espelho de outro ângulo para acreditar ser o novo reflexo também a imagem da obra, quando, na verdade, é novamente o reflexo do espectador, apenas diverso do anterior . Poder-se-ia objetar que o espectador não tem porque enxergar, na obra de arte, algo completamente diverso do que nela se encontra , uma vez que entre sujeito e objeto existe uma interação. Porém, a possibilidade de engano é demasiado grande para deixarmos de duvidar que a suposta ordem seja a do sujeito. Todavia, ao menos pode-se daí deduzir o estado do espectador.

domingo, 26 de outubro de 2008


Caro Sr. Warren Schmidt...
Meu nome é Irmã Nadine Gautier da ordem das Irmãs do Sagrado Coração.
Trabalho numa pequena aldeia perto da cidade de Mbeya, na Tanzânia.
Uma das crianças de quem eu cuido é o pequeno Ndugu Umbo o menino que o senhor apadrinha.
Ndugu é um menino muito inteligente e muito afetuoso.
Ele é órfão.
Recentemente, teve uma infecção no olho. Precisou de cuidados médicos.
Mas, agora ele está melhor.
Ele adora comer melão e adora pintar.
Ndugu e eu queremos que saiba que ele recebe todas as suas cartas.
Ele espera que o senhor esteja feliz e com saúde.
Ele pensa no senhor todo dia e quer muito a sua felicidade.
Ndugu tem apenas seis anos e não sabe ler nem escrever mas ele fez esta pintura para o senhor.
E espera que goste dela.

Atenciosamente,
Irmã Nadine Gautier.

Caro Ndugu...

Você ficará feliz em saber que deu tudo certo no casamento da Jeannie.
Ela e o Randall estão agora a caminho de Orlando às minhas custas, é claro.
Quanto a mim, estou voltando para Omaha.
Desta vez, estou dirigindo direto e fiz apenas uma parada no impressionante arco novo sobre a interestadual de Kearney, Nebraska.
Um arco que celebra a coragem e a determinação dos pioneiros que atravessaram o estado a caminho do oeste.
Só vendo mesmo para crer!
E, de certa forma, me fez pensar.
Olhar para tanta história e refletir sobre os feitos de pessoas há tanto tempo atrás faz você colocar as
coisas em perspectiva.
Minha viagem a Denver, por exemplo, é tão insignificante comparada às viagens que outros fizeram a coragem que
eles demonstraram as dificuldades pelas quais eles passaram.

OS COVARDES NUNCA COMEÇARAM
OS FRACOS MORREM NO CAMINHO

SÓ OS FORTES CHEGARAM
ELES ERAM OS PIONEIROS

Sei que somos todos pequenos no grande esquema das coisas.
E acho que o máximo que se pode esperar é que façamos alguma diferença.
Mas, que tipo de diferença eu fiz?
O que está melhor no mundo por minha causa?
Quando eu estava em Denver, tentei fazer a coisa certa.
Tentei convencer a Jeannie de que estava cometendo um grande erro...mas eu fracassei.
Agora, ela está casada com aquele panaca e eu não posso fazer nada.
Eu sou um fraco.
E sou um fracasso.
Não há como ignorar isso.
Eu vou morrer em breve.
Talvez daqui a 20 anos, talvez amanhã.
Isso não importa.
Quando eu estiver morto e quem me conheceu também morrer será como se eu nunca tivesse existido.
Que diferença minha vida fez para alguém?
Que eu me lembre, nenhuma.
Absolutamente nenhuma.
Eu espero que esteja tudo bem com você.
Atenciosamente...

Warren Schmidt.

Caro Ndugu...

Espero que você esteja sentado, porque receio que eu tenha más notícias.
Depois da última vez que escrevi, minha esposa, Helen, sua "mãe adotiva" morreu repentinamente, devido a um coágulo no cérebro.
Foi uma cerimônia muito bonita, e muitas pessoas compareceram.
Jeannie veio de Denver com seu namorado e teve gente que veio lá de Des Moines e de Wichita.
Foi um tributo comovente sob todos os aspectos.
Eu gostaria que você tivesse ido.
Mas, agora que acabou toda aquela agitação, e a fumaça se dissipou, só restamos eu e meus pensamentos aqui neste velho casarão.
Acho que mencionei em minha carta anterior que eu era estatístico da Companhia de Seguros "Woodmen of the World".
Se me dizem a idade de um homem, sua raça, sua profissão local onde reside, seu estado civil e seu histórico médico posso calcular com grande probabilidade quanto tempo esse homem vai viver.
Em meu próprio caso, agora que minha esposa morreu, há 73% de chance de eu morrer nos próximos nove anos desde que eu
não volte a me casar.
Só o que eu sei é que eu tenho que aproveitar da melhor forma o tempo que me resta.
A vida é curta, Ndugu.
E eu não posso perder nem mais um minuto sequer.
Bem, eu não vou enganar você.
Adaptar-me à vida sem a Helen tem sido um desafio.
Mas, acho que teria orgulho de mim.
Sim, esta casa está sob nova administração.
Mas, nem se percebe a diferença.
Naturalmente, às vezes, sou um pouco desatento e esqueço uma ou duas refeições.
Mas, nem vale a pena falar sobre isso para alguém na sua situação.
Helen não ia querer me ver entregue à auto-compaixão. Não mesmo!
Ela ia me dizer para tomar jeito ou dar o fora!
Assim, tento sair o máximo que posso.
Procuro ser ativo, manter a minha rotina.
Isso é muito importante quando ocorrem grandes mudanças na vida.
Certamente, não sou tão bom cozinheiro quanto a Helen era mas lembro de algumas coisas do meu tempo de solteiro.
É bem trabalhoso organizar uma casa e vou acabar vendendo e me mudando para um condomínio.
Menos trabalho com manutenção e tal, sabe?
Mas, por enquanto, eu estou me virando bem.
Ocorreu-me que, na última carta, posso ter sido inconveniente e usado uma linguagem meio negativa em relação à minha falecida esposa.
Mas, você tem que entender que eu estava sob uma forte pressão por causa da minha aposentadoria.
Não vou mentir para você, Ndugu.
Foram semanas difíceis.
E eu me sinto bastante deprimido, sabe, de tempos em tempos.
Eu sinto falta dela.
Sinto falta da minha Helen.
Eu não sabia a sorte que era ter uma esposa como a Helen até ela morrer.
Lembre-se disso, meu rapaz.
Você tem que apreciar aquilo que tem enquanto você ainda tem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008


Caro Ndugu...

Meu nome é Warren R. Schmidt, e eu sou o seu novo "pai adotivo".
Vejamos, informações pessoais.
Certo.
Eu moro em Omaha, Nebraska, meu irmão mais velho, Harry, mora em Roanoke, Virginia com sua esposa, Estelle.
Harry perdeu uma perna há dois anos atrás em conseqüência da diabetes.
Eu tenho 66 anos, e aposentei-me recentemente.
Eu era o vice-presidente assistente da companhia de seguros Woodmen of the World.
E, simplesmente, fui substituído por um garoto que...
Tudo bem, talvez ele tenha algum conhecimento teórico e seja capaz de inserir alguns números no computador, mas está na cara que não sabe porcaria nenhuma sobre estimativa de risco do mundo real.
Nem sobre como administrar um departamento. Sujeitinho metido!
Seja como for...
Alguém de 66 anos deve parecer bem velho para um menino como você.
A verdade é que, pra mim também, parece bem velho!
Quando olho no espelho e vejo as rugas ao redor dos meus olhos a pele flácida do meu pescoço, os pêlos nas minhas orelhas e as veias nos meus tornozelos não consigo acreditar que seja eu mesmo.
Quando eu era criança, eu pensava que talvez eu fosse especial...
Que, de alguma forma, o destino me escolhera para ser um grande homem.
Não como Henry Ford ou Walt Disney, ou alguém do gênero mas alguém, sabe, "semi-importante".
Eu sou formado em Administração e Estatística.
Planejava abrir meu próprio negócio e fazer dele uma grande corporação.
Vê-la tornar-se pública.
Talvez chegar entre os 500 melhores.
Eu ia ser um desses caras sobre os quais a gente lê.
Mas, de alguma forma não foi isso o que aconteceu.
Mas, lembre-se, eu tinha um ótimo cargo na Woodmen e tinha uma família para sustentar.
Eu não podia pôr em risco a segurança deles.
Helen...minha esposa não permitiria isso.
Mas, e a minha família?
Você pode se perguntar?
E minha esposa e minha filha?
Elas não me dão todo o orgulho e a satisfação que eu poderia querer?
Helen e eu estamos casados há 42 anos.
Ultimamente, todas as noites eu me faço a mesma pergunta:
"Quem é esta velha que mora na minha casa?"
Por que é que tudo o que ela faz me irrita?
Como o hábito de tirar as chaves da bolsa bem antes de chegar ao carro.
E de desperdiçar nosso dinheiro com suas coleções ridículas.
E de jogar comida fora em perfeito estado só porque o prazo de validade venceu.
E a obsessão dela...
A obsessão de provar novos restaurantes.
Bufê de Frutos do Mar.
Vamos lá no domingo.
E o modo como me corta quando tento falar.
E detesto o modo como ela se senta.
E também o cheiro dela.
Durante anos, ela insistiu para que eu me sentasse ao urinar.
Prometer levantar a tampa, enxugar a beirada e abaixar de novo não bastou para ela.
Mas, aí, tem a Jeannie.
Nossa única filha.
Aposto que ia gostar de você.
Ela curte muito idiomas diferentes culturas diferentes e tal.
Ela se virava muito bem em alemão.
Ela sempre será a minha garotinha.
Ela mora em Denver, portanto, já não a vemos tanto.
Naturalmente, nós nos falamos por telefone a cada duas semanas.
Às vezes, ela passa os feriados aqui, mas não tanto quanto gostaríamos.
Ela tem um cargo de responsabilidade em uma firma de computadores de alta tecnologia.
Portanto, é difícil para ela poder viajar.
Recentemente, ela ficou noiva.
Então, imagino que agora nós veremos ainda menos.
O nome do cara é Randall Hertzel.
Ele trabalha com vendas de alguma coisa.
A Jeannie não está mais na flor da idade mas acho que ela podia ter arrumado coisa melhor.
Ele não está à altura.
Não à altura da minha menina.
Agora, vou fechar a carta e pôr no correio.
Eu fico aqui contando coisas e você, na certa, quer ir logo descontar o cheque e comprar alguma coisa pra comer.
Então, vá com calma e boa sorte em todos os seus empreendimentos.

Atenciosamente...

Warren Schmidt.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


Viver barato. - A mais barata e mais inofensiva forma de viver é a do pensador: pois, para dizer logo o mais importante, o que ele mais necessita são justamente as coisas que os outros menosprezam e deixam de resto -. Depois, ele se contenta facilmente e não utiliza caras vias de acesso ao prazer; seu trabalho não é duro, mas meridional, digamos; seu dia e sua noite não são estragados por remorsos; ele se move, come, bebe, e dorme segundo a medida em que seu espírito se torna mais tranqüilo, mais forte e mais claro; ele se alegra com seu corpo e não tem motivo para temê-lo, ele não precisa de companhia, exceto de quando em quando, para depois abraçar ainda mais ternamente sua solidão; ele encontra nos mortos substitutos para pessoas vivas e mesmo para amigos: ou seja, nos melhores que jamais viveram. - Considerem se não estes os hábitos e desejos opostos aos que tornam a vida humana custosa e, portanto, árdua, freqüentemente insuportável. - É certo que, em outro sentido, a vida do pensador é a mais custosa - nada é bom demais para ele; e privar-se justamente do melhor seria, no caso, uma privação insuportável.

"Assim falou" o Bigode, aniversariante do dia.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900)

terça-feira, 14 de outubro de 2008


Seja hedonismo, seja pessimismo, utilitarismo ou eudemonismo: todos esses modos de pensar que medem o valor das coisas conforme o prazer e a dor, isto é, conforme estados concomitantes e dados secundários, são ingenuidades e filosofias de fachada, que todo aquele que for cônscio de suas energias criadoras e de uma consciência de artista não deixará de olhar com derrisão, e também compaixão. Compaixão por vocês! Esta certamente não é a compaixão que imaginam: não é compaixão pela "miséria" social, pela "sociedade" com seus doentes e desgraçados, pelos viciosos e arruinados de antemão que jazem por terra ao nosso redor; é menos ainda compaixão por essas oprimidas, queixosas, rebeldes camadas escravas que aspiram à dominação - que chamam de "liberdade". A nossa compaixão é algo mais longevidente e elevado - nós vemos como o ser humano se diminui, como vocês o diminuem! - e há momentos em que observamos justamente a sua compaixão com indescritível temor, em que nos defendemos desta compaixão - em que achamos a sua seriedade mais perigosa que qualquer leviandade. Vocês querem se possível - e não há mais louco "possível" - abolir o sofrimento; e quanto a nós? - parece mesmo que nós o queremos ainda mais, maior e pior do que jamais foi! Bem-estar, tal como vocês o entendem - isso não é um objetivo, isso nos parece um fim! Um estado que em breve torna o homem ridículo e desprezível - que faz desejar o seu ocaso! A disciplina do sofrer, do grande sofrer - não sabem vocês que até agora foi essa disciplina que criou toda excelência humana? A tensão da alma na infelicidade, que lhe cultiva a força, seu tremor ao contemplar a grande ruína, sua inventividade e valentia no suportar, persistir, interpretar, utilizar a desventura e o que só então lhe foi dado de mistério, profundidade, espírito, máscara astúcia, grandeza - não lhe foi dado em meio ao sofrimento, sob a disciplina do grande sofrimento? No homem estão unidos criador e criatura: no homem há matéria, fragmento, abundância, lodo, argila, absurdo caos; mas no homem há também criador, escultor, dureza de martelo, deus-espectador e sétimo dia - vocês entendem essa oposição? E que a sua compaixão diz respeito à "criatura no homem", ao que tem de ser formado, quebrado, rompido, forjado, queimado encandescido, purificado - ao que necessariamente tem de sofrer, e deve sofrer? E a nossa compaixão - não percebem a quem se dirige nossa compaixão contrária, quando se defende de sua compaixão como o pior dos embrandecimentos e debilidades? - Compaixão contra compaixão! - Mas para repetir ainda uma vez, há problemas mais elevados do que dor, prazer e compaixão; e toda filosofia que trate apenas disso é ingenuidade. -

sábado, 11 de outubro de 2008


Os ciclopes da cultura. - Quem vê essas bacias cheias de sulcos, em que se formaram geleiras, dificilmente acredita que virá um tempo em que no mesmo sítio se estenderá um vale de campos, bosques e riachos. Assim também é na história da humanidade; as forças mais selvagens abrem caminho, primeiramente destrutivas, e no entanto sua ação é necessária, para que depois uma civilização mais suave tenha ali sua morada. Essas terríveis energias - o que se chama de mal - são os arquitetos e pioneiros ciclópicos da humanidade.

sábado, 4 de outubro de 2008


Opiniões próprias. - A primeira opinião que nos ocorre, quando repentinamente somos indagados acerca de algo, não é geralmente a nossa própria opinião, mas sim aquela corrente, de nossa casta, posição ou origem: é raro as opiniões próprias ficarem perto da superfície.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


O que é, afinal, a vulgaridade? - Palavras são sinais sonoros para conceitos; mas conceitos são sinais-imagens, mais ou menos determinados, para sensações recorrentes e associadas, para grupos de sensações. Não basta utilizar as mesmas palavras para compreendermos uns aos outros; é preciso utilizar as mesmas palavras para a mesma espécie de vivências interiores, é preciso, enfim, ter a experiência em comum com o outro. Por esse motivo os indivíduos de um povo se entendem melhor do que membros de povos diversos, mesmo que estes se sirvam da mesma língua; ou melhor, quando as pessoas viveram juntas por muito tempo, em condições semelhantes (clima, solo, perigos, necessidade, trabalho), nasce algo que “se entende”, um povo. Em todas as almas, um mesmo número de vivências recorrentes obteve primado sobre aquelas de ocorrência rara: com base nelas as pessoas se entendem, cada vez mais rapidamente - a história da linguagem é a de um processo de abreviação -; com base nesse rápido entendimento as pessoas se unem, cada vez mais estreitamente. Quando é maior o perigo, maior é a necessidade de entrar em acordo, com rapidez e facilidade, quanto ao que é necessário fazer; não entender-se mal em meio ao perigo, eis o que os homens não podem dispensar de modo algum no convívio. Em toda amizade ou relação de amor se comprova: nenhuma tem duração, tão logo se percebe que um dos parceiros, usando as mesmas palavras, sente, pensa, pressente, anseia, receia de modo diferente do outro. (O temor ao “eterno mal-entendido”: é este o gênio benévolo que tantas vezes previne homens e mulheres de contrair ligações precipitadas, que os sentidos e o coração lhes recomendam - e não algum schopenhaueriano “gênio da espécie” - !) Quais os grupos de sensações que dentro de uma alma despertam mais rapidamente, tomam a palavra, dão as ordens: isso decide a hierarquia inteira de seus valores, determina por fim a sua tábua de bens. As valorações de uma pessoa denunciam algo da estrutura de sua alma, e aquilo em que ela vê suas condições de vida, sua autêntica necessidade. Supondo, então, que desde sempre a necessidade aproximou apenas aqueles que podiam, com sinais semelhantes, indicar vivências semelhantes, necessidades semelhantes, daí resulta que em geral, entre todas as forças que até agora dispuseram do ser humano, a mais poderosa deve ter sido a fácil comunicabilidade da necessidade, que é, em última instância, o experimentar vivências apenas medianas e vulgares. Os homens mais semelhantes, mais costumeiros, estiveram e sempre estarão em vantagem; os mais seletos, mais sutis, mais raros, mais difíceis de compreender, esses ficam facilmente sós, em seu isolamento sucumbem aos reveses, e dificilmente se propagam. É preciso invocar prodigiosas forças contrárias, para fazer frente a esse natural, muitíssimo natural progressus in simile [progresso no semelhante], à evolução do homem rumo ao semelhante, costumeiro, mediano, gregário - rumo ao vulgar!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008


Cada qual superior em algo. - Nas relações civilizadas, cada qual se sente superior aos outros em pelo menos uma coisa: nisto se baseia a benevolência geral entre as pessoas, na medida em que cada um é alguém que em certas circunstâncias pode ajudar, e que então pode, sem vergonha, permitir que o ajudem.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008


Xantipa. - Sócrates encontrou uma mulher tal como precisava – mas não a teria buscado, se a tivesse conhecido suficientemente bem: mesmo o heroísmo desse espírito livre não teria ido tão longe. Pois Xantipa o impeliu cada vez mais para a sua peculiar profissão, ao tornar sua casa e seu lar inabitáveis e inóspitos: ela o ensinou a viver nas ruas e em todo lugar onde se pudesse prosear e exercer o ócio, e com isso transformou no maior dos dialéticos de rua de Atenas: que afinal se comparou a um moscardo impertinente, colocado por um deus no pescoço do belo cavalo Atenas, para impedi-lo de repousar.

sábado, 20 de setembro de 2008


Abaixo do animal. - Quando o homem relincha ao gargalhar, supera todos os animais com sua vulgaridade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Grandeza significa: dar direção. - Nenhum rio é por si mesmo grande e abundante; é o fato de receber e levar adiante muitos afluentes que o torna assim. O mesmo se sucede com todas as grandezas do espírito. Interessa apenas que um homem dê a direção que os muitos afluentes devem seguir; e não que ele inicialmente seja pobre ou rico em dons.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008


A verdade como Circe. - O erro fez dos animais homens; a verdade seria capaz de tornar a fazer do homem um animal?

terça-feira, 16 de setembro de 2008


Na corrente. - Correntes fortes arrastam consigo muitas pedras e arbustos; espíritos fortes, muitas cabeças tolas e confusas.

domingo, 14 de setembro de 2008


O tédio e o jogo. - A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio. O que é o tédio? É o hábito do trabalho mesmo, que se faz valer como uma necessidade nova e adicional; será tanto mais forte quanto mais estivermos habituados a trabalhar, e talvez quanto mais tivermos sofrido necessidades. Para escapar ao tédio, ou o homem trabalha além da medida de suas necessidades normais ou inventa o jogo, isto é, o trabalho que não deve satifazer nenhuma outra necessidade a não ser a de trabalho. Quem se fartou do jogo, e não tem novas necessidades que lhe dêem motivo para trabalhar, é às vezes tomado pelo desejo de uma terceira condição, que está para o jogo assim como o pairar para o dançar, e o dançar para o caminhar, uma movimentação jubilosa e serena: é a visão da felicidade que têm os artistas e filósofos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008


A voz da história. - A história parece, em geral, dar o seguinte ensinamento sobre a produção do gênio: "Maltratem e atormentem os homens", assim grita ela às paixões da inveja, do ódio e da competição, "incitem-nos ao limite, um contra o outro, povo contra povo, ao longo de séculos; então, como que de uma centelha solta no ar pela terrível energia assim criada, talvez se inflame subitamente a luz do gênio; e então a vontade; como corcel enfurecido pela espora do cavaleiro, irrompe e salta para um outro campo". - Quem tivesse consciência de como um gênio é produzido, e quisesse também pôr em prática esse modo habitual da natureza, teria de ser mau e inconsiderado como a natureza. Mas talvez tenhamos ouvido mal.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008


Além da passarela. - Na relação com pessoas que têm pudor de seus sentimentos, temos que saber dissimular; elas têm ódio repentino àquele que as surpreende com um sentimento delicado, entusiasmado ou sublime, como se tivesse vislumbrado os seus segredos. Querendo fazer-lhes bem nesse instantes, é preciso fazê-las rir ou lhes dizer alguma fria e divertida maldade: - o seu sentimento se esfria então, e elas recobram o domínio de si. Mas estou fornecendo a moral antes da história. – Uma vez estivemos tão próximos na vida, que nada mais parecia tolher nossa amizade e irmandade, e havia tão só uma pequena passarela entre nós. Quando você ia pisá-la, perguntei-lhe: “Você quer cruzar a passarela para vir até mim?”. – Mas então você já não queria; e quando solicitei novamente, você se calou. Desde então, montes e rios torrenciais, e tudo o que separa e alheia, foram lançados entre nós, e, ainda que quiséssemos nos aproximar, já não poderíamos! E quando hoje você recorda aquela pequena passarela, não tem mais palavras - apenas soluços e assombro.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008


AVISO SOBRE CONTEÚDO: Contém versos descrevendo ou incentivando o suicídio, incesto, bestialismo, sadomasoquismo, atividade sexual em contexto violento, assassinato, violência mórbida, uso de drogas ou alcool, homossexualidade, voyerismo, vingança, depreciação de figuras de autoridade, ilegalidade, violação dos direitos humanos e atrocidades.

AVISO DE EXPOSIÇÃO: A exposição ao conteúdo por longos periodos ou durante os anos de formação de uma criança podem causar delírios, alucinações, decréscimo cognitivo e habilidades de raciocínio objetivo e, em casos extremos, desordem patológica, ódio, dogmatismo, e violência incluindo, mas não limitado ao fanatismo, assassinato e genocídio.

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“A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada - que é todo o conceito - onde a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz aceite com fé e cale a boca.”
Jason Stock

“Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo.”
Richard Dawkins


“Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas”.
Napoleão Bonaparte


“O cristão comum é uma figura deplorável, um ser que não sabe contar até três, e que, justamente por sua incapacidade mental, não mereceria ser punido tão duramente quanto promete o cristianismo”.
Nietzsche.

“Deus é uma hipótese, e, como tal, depende de prova: o ônus da prova cabe ao teísta”.
Percy Bysshe Shelley (1792-1822).

“A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, ‘Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.’”
Dan Barker

“Não posso provar que deus não existe, mas também não posso provar que cogumelos não poderiam estar em espaçonaves intergalácticas nos espionando”.
Daniel Dennett.

“Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existem muito mais crentes do que pensadores.”
Bruce Calvert

“Deuses são coisas frágeis; eles podem ser mortos com uma baforada de ciência ou uma dose de senso comum.”
Chapman Cohen

“A ignorância suplica confiança mais freqüentemente do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não os que sabem muito, que afirmam tão positivamente que esse ou aquele problema nunca serão resolvidos pela ciência.”
Charles Darwin, Introdução, The Ascent of Man, 1871

“Se render à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, e continua prematuro até hoje.”
Umberto Eco

“A fé é freqüentemente a vaidade do homem que é muito preguiçoso para investigar.”
F. M. Knowles

“Algum homem primitivo um dia inventou a faca, para cortar peles e alimentos. Eis o cientista. Outro roubou seu invento e então o usou para matar. Eis o empresário. Outro regularizou aquele roubo e os assassinatos. Eis o político. Outro justificou a matança dizendo que era o desígnio de algum deus. Eis o religioso”.
Francisco Saiz.

“A mente humana é um sistema muito complicado. Desequilibre esse sistema com falta de oxigênio, drogas ou religião e você terá resultados perigosos.”
Landis D. Ragon

“A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem.”
Bertrand Russell

“O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.”
George Bernard Shaw

“Eles vieram com uma Bíblia e sua religião - roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito… e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao ‘Senhor’ por sermos salvos”.
Chefe Pontiac, Chefe Indígena Americano

“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível”.
Albert Einstein.

“Eu rezei por vinte anos mas não recebi nenhuma resposta até que rezei com as minhas pernas.”
Frederick Douglass, escravo fugitivo


“‘Não houve conversão no leito de morte,’ disse Druyan. ‘Nenhum apelo a Deus, nenhuma esperança sobre uma vida pós morte, nenhuma pretensão que ele e eu, que fomos inseparáveis por vinte anos, não estávamos dizendo adeus para sempre.’
‘Ele não queria acreditar?’ ela perguntou.
‘Carl nunca quis acreditar,’ ela respondeu ferozmente. ‘Ele quis SABER.’”
Ann Druyan, esposa de Carl Sagan

“Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força.”
Hipácia de Alexandria

“Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.”
Hipócrates de Cós

“As pessoas vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para estupefazerem-se, para esquecerem-se de sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes.”
Bakunin

"A ciência não é o instrumento perfeito para o conhecimento, mas por enquanto, é o melhor que temos."
Carl Sagan?

"Não sei se Deus existe. Mas seria melhor para sua reputação que não existisse".
Jules Renard.

“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.”
Thomas Henry Huxley

sábado, 23 de agosto de 2008


Tom de voz das idades. - O tom no qual os jovens falam, elogiam, censuram, escrevem, desagrada aos mais velhos por ser alto demais, e ao mesmo tempo surdo e indistinto como o som dentro de uma abóbada, que adquire ressonância por causa do vazio; pois a maior parte do que os jovens pensam não brota da plenitude de sua natureza, mas ressoa e ecoa o que foi pensado, falado, elogiado e censurado ao seu redor. Mas como os sentimentos (de atração e de aversão) ecoam nos jovens muito mais fortemente do que os motivos por trás deles, forma-se, quando mais uma vez dão voz ao sentimento, aquele tom surdo e retumbante que caracteriza a ausência ou escassez de motivos. O tom da idade madura é rigoroso, abrupto, moderadamente elevado, mas, como tudo o que é claramente articulado, de alcance vasto. Por fim, a idade freqüentemente confere à voz, uma certa brandura e indulgência, e como que a edulcora: em alguns casos também azeda, sem dúvida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


Preconceito a favor das pessoas frias. - Pessoas que rapidamente pegam fogo se esfriam depressa, sendo então de pouca confiança. Por isso as que são sempre frias, ou assim se comportam, têm a seu favor o preconceito de que são particularmente seguras e dignas de confiança: são confundidas com aquelas que pegam fogo lentamente e o conservam por muito tempo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008


O desejo de uma dor profunda. - A paixão deixa, ao passar, um obscuro anseio por ela, e ao desaparecer ainda lança um olhar sedutor. Deve ter havido uma espécie de prazer em ser golpeado por seu açoite. Os sentimentos mais moderados parecem insípidos, em comparação: ao que parece, preferimos ainda um mais intenso desprazer a um prazer mortiço.

terça-feira, 19 de agosto de 2008


A comédia da compaixão. - Por mais que simpatizemos com um infeliz: na sua presença encenamos sempre um pouco de comédia, não dizemos muitas coisas que pensamos e como as pensamos, com a prudência do médico junto ao leito do enfermo grave.

sábado, 16 de agosto de 2008


Amostra de reflexão antes do casamento. - Supondo que ela me ame, como se tornaria incômoda para mim, com o passar do tempo! E supondo que não me ame, como aí então se tornaria incômoda para mim, com o passar do tempo! - Trata-se apenas de duas diferentes espécies de incômodo: - casemos portanto!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008


Escolha do ambiente. - Cuidemos de não viver num ambiente em que não se pode guardar um silêncio digno nem comunicar o que se tem de mais elevado, de maneira que só restam a comunicar nossos lamentos e necessidades e a história de nossas misérias. Assim ficamos insatisfeitos conosco e insatisfeitos com esse ambiente e ainda juntamos o dissabor de sentir-se queixoso à miséria que nos faz queixarmo-nos. Devemos viver, isto sim, onde se tenha vergonha de falar de si e não seja preciso fazê-lo. - Mas quem pensa em tais coisas, em ter escolhas nessas coisas! Falamos de nosso "destino", inclinamos as largas costas para trás e suspiramos: "Ai de mim, Atlas infeliz".

quinta-feira, 14 de agosto de 2008


Dormindo muito. - O que fazer para se estimular quando se está cansado e saturado de si mesmo? Uma pessoa recomenda o cassino, a outra o cristianismo, a terceira a eletricidade. O melhor, porém, meu caro melancólico, é dormir muito, em sentido próprio e impróprio! Assim teremos novamente a nossa manhã! A peça de arte, na sabedoria de viver, é saber intercalar o sono de toda espécie no momento certo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008


O cristianismo e os afetos. - No cristianismo ouve-se também um grande protesto popular contra a filosofia: a razão dos antigos sábios desaconselhara os afetos, o cristianismo quer restituí-los aos homens. Para esse fim, nega à virtude, tal como era concebida pelos filósofos - como triunfo da razão sobre o afeto - todo valor moral, condena a racionalidade em geral e convida os afetos a manifestar-se na sua força e esplendor extremos, como amor a Deus, temor a deus, como fanática fé em Deus, como cega esperança em Deus.

terça-feira, 5 de agosto de 2008


Nós, aeronautas do espírito! – Todos esses ousados pássaros que voam para longe, para bem longe – é claro! em algum lugar não poderão mais prosseguir e pousarão num mastro ou num recife – e ainda estarão agradecidos por essa mísera acomodação! Mas quem poderia concluir que à sua frente não há mais uma imensa via livre, que voaram tão longe quanto é possível voar? Todos os nossos grandes mestres e precursores pararam, afinal, e não é com o gesto mais nobre e elegante que a fadiga se detêm: assim também será comigo e com você! Mas que importa a mim e a você? Outros pássaros voarão adiante? Esta nossa idéia e crença porfia em voar com eles para o alto e para longe, sobe diretamente acima de nossa cabeça e de sua impotência, às alturas de onde olha na distância e vê bandos de pássaros bem mais poderosos do que somos, que ambicionarão as lonjuras que ambicionávamos, onde tudo é ainda mar, mar e mar! – E para onde queremos ir, então? Queremos transpor o mar? Para onde nos arrasta essa poderosa avidez, que para nós vale mais que qualquer outro desejo? Por que justamente nessa direção, para ali onde até hoje todos os sóis da humanidade se puseram, desapareceram? Dirão as pessoas, algum dia, que também nós, rumando para o Ocidente, esperávamos alcançar as Índias – mas que nosso destino era naufragar no infinito? Ou então, meus irmãos? Ou?


Este é pra Si, aniversariante do dia, felicidades querida.

quinta-feira, 17 de julho de 2008


Onde fica o cemitério dos deuses mortos?

Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede.
Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter?
E que fim levou Huitzilopochtli?
Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele.
Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles.
Mas quem sabe onde fica? (...) Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras.
Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados – adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008


Felicidade dos maus. - Esses homens quietos, sombrios, maus, têm algo que vocês não podem negar, um raro e estranho prazer no dolce far niente[doce fazer nada], um sossego vespertino e crepuscular conhecido apenas de um coração que muito foi consumido, lacerado, envenenado por afetos.

segunda-feira, 30 de junho de 2008


Culto ao gênio por vaidade. - Porque pensamos bem de nós mesmos, mas não esperamos ser capazes de algum dia fazer um esboço de um quadro de Rafael ou a cena de um drama de Shakeaspeare, persuadimo-nos de que a capacidade para isso é algo sobremaneira maravilhoso, um acaso muito raro ou, se temos ainda sentimento religioso, uma graça dos céus. É assim que nossa vaidade, nosso amor-próprio, favorece o culto do gênio: pois só quando é pensado como algo distante de nós, como um miraculum, o gênio não fere ( mesmo Goethe, o homem sem inveja, chamava Shakeaspeare de sua estrela mais longínqua; o que nos faz lembrar aqule verso: "as estrelas, não as desejamos"). Mas, não considerando estes sussuros de nossa vaidade, a atividade do gênio não parece de modo algum essencialmente distinta da atividade do inventor mecânico, do sábio em astronomia ou história, do mestre da tática militar. Todas essas atividades se esclarecem quando imaginamos indivíduos cujo pensamento atua numa só direção, que tudo utilizam como matéria-prima, que observam com zelo sua vida interior, e a dos outros, que em toda parte enxergam modelos e estímulos, que jamais se cansam de combinar os meios de que dispõem. Também o gênio não faz outra coisa senão aprender antes a assentar pedras e depois construir, sempre buscando matéria-prima e sempre a trabalhando. Toda atividade humana é assombrosamente complexa, não só a do gênio: mas nenhuma é um "milagre". - De onde vem então a crença de que só no artista , no orador e no filósofo existe gênio? de que só eles tem "intuição"? (com o que lhes atribuímos uma espécie de lente maravilhosa, com a qual vêem diretamente a "essência"!). Claramente, as pessoas falam de gênios apenas quando os efeitos do grande intelecto lhes agradam muito e também não desejam sentir inveja. Chamar alguém de "divino" significa dizer: "aqui não precisamos competir". E além disso: tudo que esta completo e consumado é admirado, tudo o que esta vindo a ser é subestimado. Mas na obra do artista não se pode notar como ela veio a ser; essa é a vantagem dele, pois quando podemos presenciar o devir ficamos algo frio. A arte consumada da expressão rejeita todo pensamento sobre o devir; ela se impõe tiranicamente como perfeição atual. Por isso os artistas da expressão são vistos eminentemete como geniais, mas não os homens de ciência. Na verdade, aquela apreciação e esta subestimação não passam de uma infantilidade da razão.

sábado, 28 de junho de 2008


A intranqüilidade moderna. - À medida que andamos para o Ocidente se torna cada vez maior a agitação moderna, de modo que no conjunto os habitantes da Europa se apresentam aos americanos como amantes da tranqüilidade e do prazer; embora se movimentem como abelhas ou vespas em vôo. Essa agitação se torna tão grande que a cultura superior já não pode amadurecer seus frutos; é como se as estações do ano se seguissem com demasiada rapidez. Por falta de tranqüilidade, nossa civilização se transforma em uma nova barbárie. Em nenhum outro tempo os ativos, isto é, os intranqüilos, valeram tanto. Logo, entre as correções que necessitamos fazer no caráter da humanidade está em fortalecer em grande medida o elemento contemplativo. Mas desde já o indivíduo que é tranqüilo e constante de cabeça e de coração tem o direito de acreditar que possui não apenas um bom temperamento, mas uma virtude de utilidade geral, e que, ao preservar essa virtude, está mesmo realizando uma tarefa superior.