domingo, 23 de novembro de 2008


Deus, o psicótico. - Acabei de receber um e-mail dizendo: Espero que encontre Deus em 2009. O que é um sentimento positivo. Muito obrigado por isso. No entanto, espero que isso não ocorra pois, pelo que ouvi sobre Deus e o jeito que ele gosta de fazer as coisas e o tipo de gente que ele atrai, todas essas coisas combinaram para desejar que ele fique o mais distante de mim; humana ou desumanamente possível. Estamos falando sobre o deus do deserto, o deus da morte. E sabemos que todos os três dogmas do deserto são variações do mesmo culto à morte. E todos eles louvam esse Deus de suposto amor e misericórdia, que é o motivo pelo qual eles devem se odiar com essa violenta paixão. Vocês teriam que perguntar isso a eles. Coletivamente, eles são conhecidos como filhos de Abraão, pois Abraão é o patriarca original do qual eles descendem. De fato, sem a influência de Abraão, pode ser que nenhum desses dogmas existisse nos dias de hoje. O que me faz desejar voltar no tempo e ter com Abraão uma conversa muito séria: “Seu idiota,” eu diria, “não pode prever o que aconteceria? Olhe o profeta que você se tornou?” Abraão foi quem decidiu que só haveria um deus dali em diante. Tamanho único – esse era o lema. E isso deve ter sido um efeito devastador na comunidade divina daquele tempo. Todos os deuses dos rios, das montanhas, das matas, etc, os pequenos e especializados deuses que haviam servido tão bem ao povo por gerações, eles se viram apertados para fora do quadro, ou forçadamente amalgamados em um conglomerado gigante, de controle central, um estreito código central com uma vingança correta em seu coração. Até hoje, a quem se pergunte se essa foi à decisão certa para a humanidade àquele tempo. O debate continua. Bem, dadas as religiões que ele fez criar, Abraão não se notalizou particularmente pela sua estabilidade mental. Ele estava preparado para matar próprio o filho pois Deus assim o ordenou. Felizmente Deus interveio no último segundo e o impediu, provando quão justo e misericordioso deus, ele é. Se você ignorar o trauma psicológico que ele deixou nessas duas pessoas. Sem dúvidas, marcou-os para sempre. Mas isso é parte da maldição, não é? Para o Antigo Testamento todos acabam feridos mentais e fisicamente. Dificilmente alguém sai inteiro. Veja o tratamento dado a Adão e Eva, os primeiros habitantes do planeta. Foram punidos por serem verdadeiros com sua natureza, que deus havia dado a eles. Deus sabia que eram curiosos, que eles tinham que ser curiosos para sobreviver. Deus sabia que eles comeriam aquela maça. Alguém cínico pode desconfiar que Deus criou-nos apenas para punir-nos. Pois esta é a 1ª lição que aprendemos nos Gênesis: que ser humano, é um pecado. Fomos punidos e banidos do paraíso por termos sido fiéis a nossa natureza, mas nos recuperamos e começamos a torre de Babel, pois queríamos ir ao paraíso e dar uma olhadinha. Por curiosidade, fazendo o que a natureza manda. Mas, Deus não gostou nada daquilo, então ele confundiu-nos as línguas. Assim, aqui estamos, apenas no início da Bíblia e já recebemos dois golpes massacrantes do nosso amável e misericordioso deus. Logo após, ele inunda todo planeta pois alguém deve ter olhado torto para Ele. Mas ele deu a dica a alguém para construir um barco, porque ele não queria acabar com todo mundo, senão não haveria ninguém para ser punido. Posso entender uma pessoa ler a Bíblia por prazer, pois é, discutivelmente, uma grande obra literária e certamente um artefato cultural interessante. Mas não é a palavra de Deus e já é hora de pararmos de fingir que é, ou que venha ser. Deus é o personagem principal do livro, e se você ler, logo verá isso. Ele é uma personalidade interessante, se definido cruamente. É basicamente uma tentativa de se por uma face humana na força criativa da vida. Mas, infelizmente nós o projetamos com todos os nossos preconceitos e o fizemos um pouco humano demais para o nosso próprio bem. Porque uma coisa que eu notei foi que ser humano apenas funciona com humanos. Não se transfere a divindade. Deuses humanos tendem a serem insensatos, violentos e imprevisíveis de um jeito superficial e egoísta. A única coisa ilimitada neles é a sua gana para se sentirem ofendidos, como as muitas almas sensíveis que os louvam. Mas, se você procura ofensa, não há livro melhor do que a bíblia, certamente um dos mais ofensivos que você pode ler. A não ser que você acredite que adúlteros devem ser mortos, ou que é correto vender sua filha como escrava ou que qualquer um que trabalhe no sábado deve ser apedrejado. Talvez você concorde com isso ou com o fato de Deus repetidamente iniciar genocídios. Claro que não mencionou mísseis ou bombas especificamente, mas sem dúvida é aí que entra a fina arte da interpretação bíblica. Ele tem uma ficha criminal que faz Saddam parecer Gandhi. Em Deuteronômio 13, se você souber de uma cidade onde se louva a outro deus você deve matar cada um naquela cidade: homem, mulher, bebê e até o gado. Depois queimar tudo. Oh, e não se esqueça: Não matarás! Bem, espero que você entenda porque eu tenho dificuldade em aceitar esse deus do deserto, deus de morte do qual você parece gostar tanto. Espero que você possa entender porque é que eu não quero ter nada com ele, quer ele exista ou não. Eu simplesmente não compartilho de suas idéias. Eu as acho literalmente desumanas. Então eu realmente não me importo com o que ele tem a dizer. E se ele descer do céu agora mesmo em botas de sete léguas esfregando o livro de Juízes na minha cara, eu apenas diria o mesmo que digo a todos os evangélicos que encontro: “Não, obrigado. Não estou interessado na sua salvação. Prefiro o inferno. Agora, vá se danar, tenho alguns pecados para cometer.”
Paz, se não for blasfemar muito. Não quero machucar os preciosos sentimentos de ninguém.

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