
Caro Ndugu...
Espero que você esteja sentado, porque receio que eu tenha más notícias.
Depois da última vez que escrevi, minha esposa, Helen, sua "mãe adotiva" morreu repentinamente, devido a um coágulo no cérebro.
Foi uma cerimônia muito bonita, e muitas pessoas compareceram.
Jeannie veio de Denver com seu namorado e teve gente que veio lá de Des Moines e de Wichita.
Foi um tributo comovente sob todos os aspectos.
Eu gostaria que você tivesse ido.
Mas, agora que acabou toda aquela agitação, e a fumaça se dissipou, só restamos eu e meus pensamentos aqui neste velho casarão.
Acho que mencionei em minha carta anterior que eu era estatístico da Companhia de Seguros "Woodmen of the World".
Se me dizem a idade de um homem, sua raça, sua profissão local onde reside, seu estado civil e seu histórico médico posso calcular com grande probabilidade quanto tempo esse homem vai viver.
Em meu próprio caso, agora que minha esposa morreu, há 73% de chance de eu morrer nos próximos nove anos desde que eu
não volte a me casar.
Só o que eu sei é que eu tenho que aproveitar da melhor forma o tempo que me resta.
A vida é curta, Ndugu.
E eu não posso perder nem mais um minuto sequer.
Bem, eu não vou enganar você.
Adaptar-me à vida sem a Helen tem sido um desafio.
Mas, acho que teria orgulho de mim.
Sim, esta casa está sob nova administração.
Mas, nem se percebe a diferença.
Naturalmente, às vezes, sou um pouco desatento e esqueço uma ou duas refeições.
Mas, nem vale a pena falar sobre isso para alguém na sua situação.
Helen não ia querer me ver entregue à auto-compaixão. Não mesmo!
Ela ia me dizer para tomar jeito ou dar o fora!
Assim, tento sair o máximo que posso.
Procuro ser ativo, manter a minha rotina.
Isso é muito importante quando ocorrem grandes mudanças na vida.
Certamente, não sou tão bom cozinheiro quanto a Helen era mas lembro de algumas coisas do meu tempo de solteiro.
É bem trabalhoso organizar uma casa e vou acabar vendendo e me mudando para um condomínio.
Menos trabalho com manutenção e tal, sabe?
Mas, por enquanto, eu estou me virando bem.
Ocorreu-me que, na última carta, posso ter sido inconveniente e usado uma linguagem meio negativa em relação à minha falecida esposa.
Mas, você tem que entender que eu estava sob uma forte pressão por causa da minha aposentadoria.
Não vou mentir para você, Ndugu.
Foram semanas difíceis.
E eu me sinto bastante deprimido, sabe, de tempos em tempos.
Eu sinto falta dela.
Sinto falta da minha Helen.
Eu não sabia a sorte que era ter uma esposa como a Helen até ela morrer.
Lembre-se disso, meu rapaz.
Você tem que apreciar aquilo que tem enquanto você ainda tem.
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