terça-feira, 3 de julho de 2007


Um homem de mente ativa e elástica desgasta suas amizades, assim como certamente desgasta seus casos amorosos, suas tendências políticas e sua epistemologia.
Elas se tornam puídas, esfrangalhadas, artificiais, irritantes e deprimentes.
Transformam-se de realidades vivas em nulidades moribundas, e entram em sinistra oposição à liberdade, ao auto-respeito e à verdade.
É tão repelente conserva-las, depois que se tornam ocas e podem ser sopradas como uma mosca, quanto manter uma paixão depois que esta paixão já se tornou um cadáver.

Todo homem prudente, ao lembrar-se de que a vida é curta, deveria dispensar uma hora ou duas, de vez em quando, para um exame crítico de suas amizades.
Deve pesá-las, repensá-las, testar se ainda contêm algum metal.
Algumas poderão sobreviver, talvez com mudanças radicais em seus termos.
Mas a maioria será varrida de seus minutos e ele tentará esquecê-las, assim como tenta esquecer seus frios e pegajosos amores do ano retrasado.

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