
Uma espécie de atavismo - Prefiro entender os homens raros de uma era como rebentos tardios, que emergem subitamente, de culturas passadas e de suas energias: como que o atavismo de um povo e de seus costumes: - assim haverá realmente algo neles a entender! Agora parecem estranhos, raros, extraordinários: e quem sente tais energias em si mesmo tem de cultivá-las, defendê-las, honrá-las, promovê-las contra um mundo oposto e diverso: e assim ele se torna um grande homem ou um grande excêntrico e doido, desde que não pereça logo. Outrora essas mesmas características eram habituais, e portanto eram tidas por comuns: não sobressaíam. Talvez fossem requeridas, pressupostas: era impossivel tornar-se grande com elas, já pelo fato de não haver o perigo de com elas tornar-se também louco e solitário. É sobretudo nas linhagens e castas mantenedouras de um povo que sucedem tais retornos de velhos impulsos, não havendo possibilidade desse atavismo quando raças, hábitos, avaliações mudam rápido demais. Pois para as forças de desenvolvimento dos povos, o tempo significa tanto quanto na música; em nosso caso, um andante do desenvolvimento é necessário, como o tempo de um espírito lento e apaixonado; e dessa espécie é, afinal, o espírito das linhagens conservadoras.
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