
Para que haja um debate, é preciso que os dois lados admitam a possibilidade de mudar de idéia.
É inútil argumentar com uma pessoa que já decidiu, antes de me ouvir, que eu estou errado. Não importa o que eu diga, não entrará em sua cabeça. Parece-lhe inconcebível que eu tenha razão. Ela prefere que as coisas sejam do jeito que ela pensa e simplesmente "não quer" que eu esteja certo. Agarra-se a uma ilusão que a conforta e rejeita a dura realidade. Talvez alguma coisa a deixe confusa mas logo achará uma explicação. Uma explicação que ela não examinará a fundo pois já estará satisfeita de tê-la encontrado. Se ela acredita que 2+2=5, pode até admitir que a minha demonstração faça sentido e aceitar que 2+2 realmente pareçam ser 4. Entretanto, ela "sabe" que a resposta é 5 e que é a nossa limitada inteligência que não nos permite entender as razões superiores que fazem com que o resultado seja 5, contra toda a evidência. Critica minha teimosia em querer que tudo seja racionalmente provado, a minha "arrogância" em querer que "Deus" se explique. Trata-me com o ar superior de quem conhece a verdade e diz, condescendente, que um dia eu também a descobrirei. Em suma, não é possível discutir com gente que tem certeza de coisas que não podem ser demonstradas e cuja crença se baseia em sentimentos. O caminho para a sabedoria passa pela dúvida. Certezas impedem que a mente cresça e devem ser substituídas por hipóteses provisórias, aceitáveis até que se prove o contrário.
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