sábado, 2 de maio de 2009


A beleza não é acaso. - Também a beleza de uma raça ou de uma família, sua graça e benevolência nos gestos, é algo pelo qual se trabalhou: é, tal como o gênio, a conclusão do trabalho acumulado de gerações. Deve-se ter realizado grandes sacrifícios ao bom gosto, deve-se, por causa dele, ter feito e deixado de fazer muita coisa - o século XVII, na França, é admirável nos dois casos -, deve-se tê-lo tomado como princípio para selecionar companhia, lugar, vestimenta, satisfação sexual, deve-se ter preferido a beleza à vantagem, ao hábito, à opinião, à inércia. Diretriz suprema: nem diante de si mesmo se deve "deixar-se ir". As coisas boas são sobremaneira custosas: e sempre vale a lei de que quem a possui é diferente de quem as conquista. Tudo o que é bom é herdado: o que não é herança é imperfeito, é começo...Em Atenas, na época de Cícero, que se mostra surpreso com isso, os homens e rapazes são bem superiores às mulheres em beleza: mas quanto empenho e trabalho em prol da beleza o sexo masculino não havia demandado de si durante séculos! - Pois não haja engano acerca do método: uma mera disciplina de sentimentos e pensamentos não é quase nada ( - nisso está o grande mal-entendido da formação alemã, que é totalmente ilusória): deve-se primeiro convencer o corpo. A estrita manutenção de gestos significativos e seletos, a obrigatoriedade de viver somente com pessoas que não "se deixam ir", bastam perfeitamente para alguém se tornar significativo e seleto: em duas ou três gerações tudo esta internalizado. É decisivo, para a sina de um povo e da humanidade, que se comece a cultura no lugar certo - não na "alma" (como pensava a funesta superstição dos sacerdotes e semi-sacerdotes) : o lugar certo é o corpo, os gestos, a dieta, a fisiologia, o resto é conseqüência disso...Por isso os gregos permanecem o primeiro acontecimento cultural da história - eles sabiam, eles faziam o que era necessário; o cristianismo, que desprezava o corpo, foi até agora a maior desgraça da humanidade. -

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