domingo, 29 de julho de 2007


Uma vez curados da ilusão de imaginar que o artista cria por razões de beleza;
uma vez que se tenha compreendido que somente a necessidade de criar o obriga a produzir o que depois talvez designaremos como beleza, então compreende-se que a inteligibilidade e a clareza não são condições que o artista necessita exigir da obra e da arte, mas condições que o espectador espera ver satisfeitas.
E verá a beleza na eterna luta pela verdade, compreenderá que conseguir é, com efeito, a meta do desejo, mas pode também, facilmente, ser o fim da beleza.

terça-feira, 24 de julho de 2007


Certas pessoas possuem uma natural "inclinação musical".
Todavia, doravamente vos digo que apenas isso não assegura a formação de um bom músico.
O auto-didatismo - raro no sentido real, pois todos os que assim se auto entitulam de uma maneira ou de outra, sofreram algum tipo de ajuda externa - visto com tanta nobreza pela sociedade em geral, não passa de uma panacéia, um adereço
que muitos usam para inflarem seus egos.
De fato não conheço um "micróbio" que não tenha sido empurrado por outro, para poder chegar mais adiante.
Salve os evolucionários, que sabem usufruir de tudo o que até agora nos foi concedido por outros, e com isso a possibilidade de alçar vôos mais altos.

quarta-feira, 18 de julho de 2007


Não me diga o que ele vê de tão divertido a respeito de Deus,
ou qual artista de circo ele segue em política, ou como agüenta submeter-se àquela mulher.
Diga-me apenas como ele ganha a vida.
Um homem que consegue casa e comida de maneira ignominiosa será,
inevitavelmente, um homem ignominioso.

quarta-feira, 11 de julho de 2007


You know what your problem is?
You're making the pussy out, to be some sort of Greek goddess named Pussalia!!!
And you're putting it on a pedestal.

quarta-feira, 4 de julho de 2007


Houve tempo em que imaginei que os homens trabalhavam em resposta a uma vaga necessidade interior de se exprimir.
Mas aquela era provavelmente uma teoria capenga, porque muitos dos homens que mais trabalhavam não têm nada a dizer.
Uma hipótese mais plausível começa a brotar agora: os homens trabalham apenas para escapar à deprimente agonia de contemplar a vida – e seu trabalho, assim como o seu ócio, é uma comédia-pastelão, que só lhes serve para que eles escapem da realidade.

Tanto o trabalho como o ócio, normalmente, são ilusões.
Nenhum deles serve a qualquer propósito sólido e permanente.
Mas a vida, despida dessas ilusões, torna-se logo insuportável.
O homem não consegue ficar de mãos abanando, contemplando o seu destino neste mundo, sem ficar desvairado.
Por isto inventa formas de tirar sua mente deste horror.
Trabalha, diverte-se.
Acumula aquele grotesco nada, chamado propriedade.
Persegue aquela piscadela esquiva da fama.
Constitui uma família e dissemina a sua maldição sobre ela.

E, todo o tempo, a coisa que o move é o desejo de perder-se de si, de esquecer-se de si, e de escapar à tragicomédia que é ele próprio.
Fundamentalmente, a vida não vale a pena ser vivida.
Assim, ele cria artificialidades para fazê-la parecer que vale.
E também por isto erige uma espalhafatosa estrutura para esconder o fato de ela não valer.
Talvez esta conversa de agonias e tragicomédias possa desviar a atenção do leitor.
O fato básico sobre a existência humana não é o de que seja uma tragédia, mas o de que é uma chatice.
Não é um tanto uma guerra, mas uma permanente posição de sentido.
A objeção a ela não é a de que seja predominantemente penosa, mas da de que lhe falta sentido.

O que a espécie terá pela frente?
Os próprios teólogos não conseguem ver nada, exceto um vazio cinzento com alguns fogos de artifício irracionais no fim.
Mas existe uma coisa chamada progresso humano. É verdade.
É o progresso que permite a um homicida sair da casa de detenção para a cadeia, e da cadeia para a cela da morte.
Toda geração experimenta o mesmo intolerável fastio.

Falo como um daqueles de quem se poderia dizer, estatisticamente, que levou uma vida feliz.
Trabalho até dizer chega, mas o trabalho é mais agradável para mim do que qualquer coisa que eu possa imaginar.
Não tenho consciência de quaisquer desejos arrebatadores e inatingíveis.
Não quero ter nada que não possa ter.
Mas fico firme em minha conclusão, às portas da senilidade, que tudo não passa de uma grandiosa futilidade e nem ao menos é divertida.

O fim é sempre a vanglória, geralmente sórdida e sem o mínimo toque de nobreza do patético.
Os medíocres continuam. Neles repousa o segredo do que se chama contentamento, a capacidade de deixar o suicídio para o dia seguinte. Eles próprios não têm significado, mas, pelo menos, oferecem uma saída para escapar da paralisante realidade.

O objetivo central da vida é simular a extinção.
Berramos demais contra a grandiloqüência errada.

terça-feira, 3 de julho de 2007


Um homem de mente ativa e elástica desgasta suas amizades, assim como certamente desgasta seus casos amorosos, suas tendências políticas e sua epistemologia.
Elas se tornam puídas, esfrangalhadas, artificiais, irritantes e deprimentes.
Transformam-se de realidades vivas em nulidades moribundas, e entram em sinistra oposição à liberdade, ao auto-respeito e à verdade.
É tão repelente conserva-las, depois que se tornam ocas e podem ser sopradas como uma mosca, quanto manter uma paixão depois que esta paixão já se tornou um cadáver.

Todo homem prudente, ao lembrar-se de que a vida é curta, deveria dispensar uma hora ou duas, de vez em quando, para um exame crítico de suas amizades.
Deve pesá-las, repensá-las, testar se ainda contêm algum metal.
Algumas poderão sobreviver, talvez com mudanças radicais em seus termos.
Mas a maioria será varrida de seus minutos e ele tentará esquecê-las, assim como tenta esquecer seus frios e pegajosos amores do ano retrasado.