segunda-feira, 27 de outubro de 2008


A obra de arte consegue refletir o que se enxerga nela. Nisto podem ser reconhecidas as condições que a nossa capacidade de entendimento estabelece, ou seja: um reflexo de nossa própria natureza. Mas esse reflexo não mostra o plano de orientação da obra de arte, e sim o plano de nosso método de orientação. Se também a obra de arte esta na mesma relação com seu criador, refeletindo o que ele viu nela, então as leis que ele acredita perceber podem não ser próprias da obra de arte, mas tão-somente da sua imaginação. E sua declaração quanto a suas próprias intenções formais poderia ser levada pouco em conta. Porque poderá ser correta subjetivamente, mas não objetivamente. Basta dar uma olhada no espelho de outro ângulo para acreditar ser o novo reflexo também a imagem da obra, quando, na verdade, é novamente o reflexo do espectador, apenas diverso do anterior . Poder-se-ia objetar que o espectador não tem porque enxergar, na obra de arte, algo completamente diverso do que nela se encontra , uma vez que entre sujeito e objeto existe uma interação. Porém, a possibilidade de engano é demasiado grande para deixarmos de duvidar que a suposta ordem seja a do sujeito. Todavia, ao menos pode-se daí deduzir o estado do espectador.

domingo, 26 de outubro de 2008


Caro Sr. Warren Schmidt...
Meu nome é Irmã Nadine Gautier da ordem das Irmãs do Sagrado Coração.
Trabalho numa pequena aldeia perto da cidade de Mbeya, na Tanzânia.
Uma das crianças de quem eu cuido é o pequeno Ndugu Umbo o menino que o senhor apadrinha.
Ndugu é um menino muito inteligente e muito afetuoso.
Ele é órfão.
Recentemente, teve uma infecção no olho. Precisou de cuidados médicos.
Mas, agora ele está melhor.
Ele adora comer melão e adora pintar.
Ndugu e eu queremos que saiba que ele recebe todas as suas cartas.
Ele espera que o senhor esteja feliz e com saúde.
Ele pensa no senhor todo dia e quer muito a sua felicidade.
Ndugu tem apenas seis anos e não sabe ler nem escrever mas ele fez esta pintura para o senhor.
E espera que goste dela.

Atenciosamente,
Irmã Nadine Gautier.

Caro Ndugu...

Você ficará feliz em saber que deu tudo certo no casamento da Jeannie.
Ela e o Randall estão agora a caminho de Orlando às minhas custas, é claro.
Quanto a mim, estou voltando para Omaha.
Desta vez, estou dirigindo direto e fiz apenas uma parada no impressionante arco novo sobre a interestadual de Kearney, Nebraska.
Um arco que celebra a coragem e a determinação dos pioneiros que atravessaram o estado a caminho do oeste.
Só vendo mesmo para crer!
E, de certa forma, me fez pensar.
Olhar para tanta história e refletir sobre os feitos de pessoas há tanto tempo atrás faz você colocar as
coisas em perspectiva.
Minha viagem a Denver, por exemplo, é tão insignificante comparada às viagens que outros fizeram a coragem que
eles demonstraram as dificuldades pelas quais eles passaram.

OS COVARDES NUNCA COMEÇARAM
OS FRACOS MORREM NO CAMINHO

SÓ OS FORTES CHEGARAM
ELES ERAM OS PIONEIROS

Sei que somos todos pequenos no grande esquema das coisas.
E acho que o máximo que se pode esperar é que façamos alguma diferença.
Mas, que tipo de diferença eu fiz?
O que está melhor no mundo por minha causa?
Quando eu estava em Denver, tentei fazer a coisa certa.
Tentei convencer a Jeannie de que estava cometendo um grande erro...mas eu fracassei.
Agora, ela está casada com aquele panaca e eu não posso fazer nada.
Eu sou um fraco.
E sou um fracasso.
Não há como ignorar isso.
Eu vou morrer em breve.
Talvez daqui a 20 anos, talvez amanhã.
Isso não importa.
Quando eu estiver morto e quem me conheceu também morrer será como se eu nunca tivesse existido.
Que diferença minha vida fez para alguém?
Que eu me lembre, nenhuma.
Absolutamente nenhuma.
Eu espero que esteja tudo bem com você.
Atenciosamente...

Warren Schmidt.

Caro Ndugu...

Espero que você esteja sentado, porque receio que eu tenha más notícias.
Depois da última vez que escrevi, minha esposa, Helen, sua "mãe adotiva" morreu repentinamente, devido a um coágulo no cérebro.
Foi uma cerimônia muito bonita, e muitas pessoas compareceram.
Jeannie veio de Denver com seu namorado e teve gente que veio lá de Des Moines e de Wichita.
Foi um tributo comovente sob todos os aspectos.
Eu gostaria que você tivesse ido.
Mas, agora que acabou toda aquela agitação, e a fumaça se dissipou, só restamos eu e meus pensamentos aqui neste velho casarão.
Acho que mencionei em minha carta anterior que eu era estatístico da Companhia de Seguros "Woodmen of the World".
Se me dizem a idade de um homem, sua raça, sua profissão local onde reside, seu estado civil e seu histórico médico posso calcular com grande probabilidade quanto tempo esse homem vai viver.
Em meu próprio caso, agora que minha esposa morreu, há 73% de chance de eu morrer nos próximos nove anos desde que eu
não volte a me casar.
Só o que eu sei é que eu tenho que aproveitar da melhor forma o tempo que me resta.
A vida é curta, Ndugu.
E eu não posso perder nem mais um minuto sequer.
Bem, eu não vou enganar você.
Adaptar-me à vida sem a Helen tem sido um desafio.
Mas, acho que teria orgulho de mim.
Sim, esta casa está sob nova administração.
Mas, nem se percebe a diferença.
Naturalmente, às vezes, sou um pouco desatento e esqueço uma ou duas refeições.
Mas, nem vale a pena falar sobre isso para alguém na sua situação.
Helen não ia querer me ver entregue à auto-compaixão. Não mesmo!
Ela ia me dizer para tomar jeito ou dar o fora!
Assim, tento sair o máximo que posso.
Procuro ser ativo, manter a minha rotina.
Isso é muito importante quando ocorrem grandes mudanças na vida.
Certamente, não sou tão bom cozinheiro quanto a Helen era mas lembro de algumas coisas do meu tempo de solteiro.
É bem trabalhoso organizar uma casa e vou acabar vendendo e me mudando para um condomínio.
Menos trabalho com manutenção e tal, sabe?
Mas, por enquanto, eu estou me virando bem.
Ocorreu-me que, na última carta, posso ter sido inconveniente e usado uma linguagem meio negativa em relação à minha falecida esposa.
Mas, você tem que entender que eu estava sob uma forte pressão por causa da minha aposentadoria.
Não vou mentir para você, Ndugu.
Foram semanas difíceis.
E eu me sinto bastante deprimido, sabe, de tempos em tempos.
Eu sinto falta dela.
Sinto falta da minha Helen.
Eu não sabia a sorte que era ter uma esposa como a Helen até ela morrer.
Lembre-se disso, meu rapaz.
Você tem que apreciar aquilo que tem enquanto você ainda tem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008


Caro Ndugu...

Meu nome é Warren R. Schmidt, e eu sou o seu novo "pai adotivo".
Vejamos, informações pessoais.
Certo.
Eu moro em Omaha, Nebraska, meu irmão mais velho, Harry, mora em Roanoke, Virginia com sua esposa, Estelle.
Harry perdeu uma perna há dois anos atrás em conseqüência da diabetes.
Eu tenho 66 anos, e aposentei-me recentemente.
Eu era o vice-presidente assistente da companhia de seguros Woodmen of the World.
E, simplesmente, fui substituído por um garoto que...
Tudo bem, talvez ele tenha algum conhecimento teórico e seja capaz de inserir alguns números no computador, mas está na cara que não sabe porcaria nenhuma sobre estimativa de risco do mundo real.
Nem sobre como administrar um departamento. Sujeitinho metido!
Seja como for...
Alguém de 66 anos deve parecer bem velho para um menino como você.
A verdade é que, pra mim também, parece bem velho!
Quando olho no espelho e vejo as rugas ao redor dos meus olhos a pele flácida do meu pescoço, os pêlos nas minhas orelhas e as veias nos meus tornozelos não consigo acreditar que seja eu mesmo.
Quando eu era criança, eu pensava que talvez eu fosse especial...
Que, de alguma forma, o destino me escolhera para ser um grande homem.
Não como Henry Ford ou Walt Disney, ou alguém do gênero mas alguém, sabe, "semi-importante".
Eu sou formado em Administração e Estatística.
Planejava abrir meu próprio negócio e fazer dele uma grande corporação.
Vê-la tornar-se pública.
Talvez chegar entre os 500 melhores.
Eu ia ser um desses caras sobre os quais a gente lê.
Mas, de alguma forma não foi isso o que aconteceu.
Mas, lembre-se, eu tinha um ótimo cargo na Woodmen e tinha uma família para sustentar.
Eu não podia pôr em risco a segurança deles.
Helen...minha esposa não permitiria isso.
Mas, e a minha família?
Você pode se perguntar?
E minha esposa e minha filha?
Elas não me dão todo o orgulho e a satisfação que eu poderia querer?
Helen e eu estamos casados há 42 anos.
Ultimamente, todas as noites eu me faço a mesma pergunta:
"Quem é esta velha que mora na minha casa?"
Por que é que tudo o que ela faz me irrita?
Como o hábito de tirar as chaves da bolsa bem antes de chegar ao carro.
E de desperdiçar nosso dinheiro com suas coleções ridículas.
E de jogar comida fora em perfeito estado só porque o prazo de validade venceu.
E a obsessão dela...
A obsessão de provar novos restaurantes.
Bufê de Frutos do Mar.
Vamos lá no domingo.
E o modo como me corta quando tento falar.
E detesto o modo como ela se senta.
E também o cheiro dela.
Durante anos, ela insistiu para que eu me sentasse ao urinar.
Prometer levantar a tampa, enxugar a beirada e abaixar de novo não bastou para ela.
Mas, aí, tem a Jeannie.
Nossa única filha.
Aposto que ia gostar de você.
Ela curte muito idiomas diferentes culturas diferentes e tal.
Ela se virava muito bem em alemão.
Ela sempre será a minha garotinha.
Ela mora em Denver, portanto, já não a vemos tanto.
Naturalmente, nós nos falamos por telefone a cada duas semanas.
Às vezes, ela passa os feriados aqui, mas não tanto quanto gostaríamos.
Ela tem um cargo de responsabilidade em uma firma de computadores de alta tecnologia.
Portanto, é difícil para ela poder viajar.
Recentemente, ela ficou noiva.
Então, imagino que agora nós veremos ainda menos.
O nome do cara é Randall Hertzel.
Ele trabalha com vendas de alguma coisa.
A Jeannie não está mais na flor da idade mas acho que ela podia ter arrumado coisa melhor.
Ele não está à altura.
Não à altura da minha menina.
Agora, vou fechar a carta e pôr no correio.
Eu fico aqui contando coisas e você, na certa, quer ir logo descontar o cheque e comprar alguma coisa pra comer.
Então, vá com calma e boa sorte em todos os seus empreendimentos.

Atenciosamente...

Warren Schmidt.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


Viver barato. - A mais barata e mais inofensiva forma de viver é a do pensador: pois, para dizer logo o mais importante, o que ele mais necessita são justamente as coisas que os outros menosprezam e deixam de resto -. Depois, ele se contenta facilmente e não utiliza caras vias de acesso ao prazer; seu trabalho não é duro, mas meridional, digamos; seu dia e sua noite não são estragados por remorsos; ele se move, come, bebe, e dorme segundo a medida em que seu espírito se torna mais tranqüilo, mais forte e mais claro; ele se alegra com seu corpo e não tem motivo para temê-lo, ele não precisa de companhia, exceto de quando em quando, para depois abraçar ainda mais ternamente sua solidão; ele encontra nos mortos substitutos para pessoas vivas e mesmo para amigos: ou seja, nos melhores que jamais viveram. - Considerem se não estes os hábitos e desejos opostos aos que tornam a vida humana custosa e, portanto, árdua, freqüentemente insuportável. - É certo que, em outro sentido, a vida do pensador é a mais custosa - nada é bom demais para ele; e privar-se justamente do melhor seria, no caso, uma privação insuportável.

"Assim falou" o Bigode, aniversariante do dia.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900)

terça-feira, 14 de outubro de 2008


Seja hedonismo, seja pessimismo, utilitarismo ou eudemonismo: todos esses modos de pensar que medem o valor das coisas conforme o prazer e a dor, isto é, conforme estados concomitantes e dados secundários, são ingenuidades e filosofias de fachada, que todo aquele que for cônscio de suas energias criadoras e de uma consciência de artista não deixará de olhar com derrisão, e também compaixão. Compaixão por vocês! Esta certamente não é a compaixão que imaginam: não é compaixão pela "miséria" social, pela "sociedade" com seus doentes e desgraçados, pelos viciosos e arruinados de antemão que jazem por terra ao nosso redor; é menos ainda compaixão por essas oprimidas, queixosas, rebeldes camadas escravas que aspiram à dominação - que chamam de "liberdade". A nossa compaixão é algo mais longevidente e elevado - nós vemos como o ser humano se diminui, como vocês o diminuem! - e há momentos em que observamos justamente a sua compaixão com indescritível temor, em que nos defendemos desta compaixão - em que achamos a sua seriedade mais perigosa que qualquer leviandade. Vocês querem se possível - e não há mais louco "possível" - abolir o sofrimento; e quanto a nós? - parece mesmo que nós o queremos ainda mais, maior e pior do que jamais foi! Bem-estar, tal como vocês o entendem - isso não é um objetivo, isso nos parece um fim! Um estado que em breve torna o homem ridículo e desprezível - que faz desejar o seu ocaso! A disciplina do sofrer, do grande sofrer - não sabem vocês que até agora foi essa disciplina que criou toda excelência humana? A tensão da alma na infelicidade, que lhe cultiva a força, seu tremor ao contemplar a grande ruína, sua inventividade e valentia no suportar, persistir, interpretar, utilizar a desventura e o que só então lhe foi dado de mistério, profundidade, espírito, máscara astúcia, grandeza - não lhe foi dado em meio ao sofrimento, sob a disciplina do grande sofrimento? No homem estão unidos criador e criatura: no homem há matéria, fragmento, abundância, lodo, argila, absurdo caos; mas no homem há também criador, escultor, dureza de martelo, deus-espectador e sétimo dia - vocês entendem essa oposição? E que a sua compaixão diz respeito à "criatura no homem", ao que tem de ser formado, quebrado, rompido, forjado, queimado encandescido, purificado - ao que necessariamente tem de sofrer, e deve sofrer? E a nossa compaixão - não percebem a quem se dirige nossa compaixão contrária, quando se defende de sua compaixão como o pior dos embrandecimentos e debilidades? - Compaixão contra compaixão! - Mas para repetir ainda uma vez, há problemas mais elevados do que dor, prazer e compaixão; e toda filosofia que trate apenas disso é ingenuidade. -

sábado, 11 de outubro de 2008


Os ciclopes da cultura. - Quem vê essas bacias cheias de sulcos, em que se formaram geleiras, dificilmente acredita que virá um tempo em que no mesmo sítio se estenderá um vale de campos, bosques e riachos. Assim também é na história da humanidade; as forças mais selvagens abrem caminho, primeiramente destrutivas, e no entanto sua ação é necessária, para que depois uma civilização mais suave tenha ali sua morada. Essas terríveis energias - o que se chama de mal - são os arquitetos e pioneiros ciclópicos da humanidade.

sábado, 4 de outubro de 2008


Opiniões próprias. - A primeira opinião que nos ocorre, quando repentinamente somos indagados acerca de algo, não é geralmente a nossa própria opinião, mas sim aquela corrente, de nossa casta, posição ou origem: é raro as opiniões próprias ficarem perto da superfície.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


O que é, afinal, a vulgaridade? - Palavras são sinais sonoros para conceitos; mas conceitos são sinais-imagens, mais ou menos determinados, para sensações recorrentes e associadas, para grupos de sensações. Não basta utilizar as mesmas palavras para compreendermos uns aos outros; é preciso utilizar as mesmas palavras para a mesma espécie de vivências interiores, é preciso, enfim, ter a experiência em comum com o outro. Por esse motivo os indivíduos de um povo se entendem melhor do que membros de povos diversos, mesmo que estes se sirvam da mesma língua; ou melhor, quando as pessoas viveram juntas por muito tempo, em condições semelhantes (clima, solo, perigos, necessidade, trabalho), nasce algo que “se entende”, um povo. Em todas as almas, um mesmo número de vivências recorrentes obteve primado sobre aquelas de ocorrência rara: com base nelas as pessoas se entendem, cada vez mais rapidamente - a história da linguagem é a de um processo de abreviação -; com base nesse rápido entendimento as pessoas se unem, cada vez mais estreitamente. Quando é maior o perigo, maior é a necessidade de entrar em acordo, com rapidez e facilidade, quanto ao que é necessário fazer; não entender-se mal em meio ao perigo, eis o que os homens não podem dispensar de modo algum no convívio. Em toda amizade ou relação de amor se comprova: nenhuma tem duração, tão logo se percebe que um dos parceiros, usando as mesmas palavras, sente, pensa, pressente, anseia, receia de modo diferente do outro. (O temor ao “eterno mal-entendido”: é este o gênio benévolo que tantas vezes previne homens e mulheres de contrair ligações precipitadas, que os sentidos e o coração lhes recomendam - e não algum schopenhaueriano “gênio da espécie” - !) Quais os grupos de sensações que dentro de uma alma despertam mais rapidamente, tomam a palavra, dão as ordens: isso decide a hierarquia inteira de seus valores, determina por fim a sua tábua de bens. As valorações de uma pessoa denunciam algo da estrutura de sua alma, e aquilo em que ela vê suas condições de vida, sua autêntica necessidade. Supondo, então, que desde sempre a necessidade aproximou apenas aqueles que podiam, com sinais semelhantes, indicar vivências semelhantes, necessidades semelhantes, daí resulta que em geral, entre todas as forças que até agora dispuseram do ser humano, a mais poderosa deve ter sido a fácil comunicabilidade da necessidade, que é, em última instância, o experimentar vivências apenas medianas e vulgares. Os homens mais semelhantes, mais costumeiros, estiveram e sempre estarão em vantagem; os mais seletos, mais sutis, mais raros, mais difíceis de compreender, esses ficam facilmente sós, em seu isolamento sucumbem aos reveses, e dificilmente se propagam. É preciso invocar prodigiosas forças contrárias, para fazer frente a esse natural, muitíssimo natural progressus in simile [progresso no semelhante], à evolução do homem rumo ao semelhante, costumeiro, mediano, gregário - rumo ao vulgar!