domingo, 23 de setembro de 2007


Uma das divisões esquecidas entre os homens é a que separa aqueles que gostam do trabalho que tem de fazer e aqueles que se sujeitam a ele apenas como um mal necessário.
Esta distinção, apesar de pouco lembrada pelos psicólogos, é provavelmente muito importante
Certamente é mais importante do que as atuais divisões entre assalariados e explorados, louros dolicéfalos e mediterrâneos braquicéfalos, darwinistas e cristãos, republicanos e democratas, católicos e protestantes.

A política, a teologia e outros vícios de um homem só lhe tomam tempo, afinal, em seus momentos de lazer, e a forma de seu crânio não tem grande influência demonstrável,sobre o que se passa dentro dele.
Mas a natureza do trabalho que ele faz condiciona todos os pensamentos e impulsos de sua vida,
e sua atitude em geral diante dela é quase indistinguível da sua atitude para com o mundo.

Num dos extremos, temos o escravo absoluto: o homem que tem de passar a vida desempenhando tarefas que lhe são incuravelmente desinteressantes e não oferecem nenhum consolo à sua vaidade.
No outro extremo, temos aquele a quem Beethoven chamava de um artista livre: o homem que ganha a vida,
sem nenhum patrão para amolá-lo diretamente, fazendo coisas que o agradam enormemente
e que continuaria fazendo com prazer, mesmo que toda a pressão econômica sobre ele desaparecesse.
A segunda categoria pertencem os homens mais felizes do mundo, e, por isto, talvez, os mais úteis,
porque tudo que é feito com prazer resulta mais bem feito, seja produzir um material,
resolver um problema ou beijar uma garota;
e o homem que consegue fazer o resto da humanidade pagá-lo para ser feliz será obviamente melhor do que os outros, ou no mínimo de mais sorte. Aqui, sorte e superioridade se confundem.

Um comentário:

  1. ...A segunda categoria pertencem os homens mais felizes do mundo, e, por isto, talvez, os mais úteis...
    ...o homem que consegue fazer o resto da humanidade pagá-lo para ser feliz será obviamente melhor do que os outros, ou no mínimo de mais sorte.

    Agora você fez eu me sentir um verme...rs

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