sábado, 29 de setembro de 2007


Tendo a cigarra em cantigas
Passado todo o verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.

- "Amiga", diz a cigarra,
- "Prometo, à fé d'animal,
Pagar-vos antes d'agosto
Os juros e o principal."

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
- "No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: - "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
- "Oh! bravo!", torna a formiga.
- "Cantavas? Pois dança agora!"

Um comentário:

  1. ...exclamou a formiga recordando-se.
    -Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
    - Isso mesmo, era eu...
    -Pois entre, amiguinha!
    Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou.
    Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho.
    Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora!
    Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

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