quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Perigo na riqueza. – Apenas quem tem espírito deveria ter posses: caso contrário, a posse é um perigo público. O possuidor que não sabe fazer uso do tempo livre que a posse lhe consentiria, sempre vai continuar aspirando pela posse. E essa aspiração vem a ser a sua distração, seu estratagema na luta contra o tédio. Assim, da posse moderada que bastaria para o homem de espírito surge enfim a riqueza propriamente dita: como reluzente produto da não-independência e pobreza espiritual. Mas ela se mostra de maneira bem diferente do que sua pobre origem leva a esperar, pois pode se mascarar de cultura e arte: pode justamente comprar a máscara. Desse modo suscita inveja nos pobres e incultos - que, no fundo, sempre invejam a cultura e não vêem máscara na máscara - e gradualmente prepara uma subversão social: pois a dourada rudeza e histriônico pavoneio na suposta "fruição da cultura" inspiram nesses a idéia de que "tudo esta no dinheiro" - quando certamente algo esta no dinheiro, mas muito mais no espírito.

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