
Quando confrontados com os absurdos e atrocidades da Bíblia, crentes alegam que é preciso considerar o contexto, a época.
Isto é verdade quando se trata de um relato puramente histórico. Não é possível julgar uma tribo primitiva que viveu há mais de 2500 anos segundo os critérios atuais.
Da mesma forma, entretanto, eles têm que entender que os conceitos religiosos desses povos não se aplicam à nossa época. E por que uma parte é aceitável e outra não?
Como definir o que ainda está valendo? Quais são os critérios? Somos nós que decidimos o que Deus quis dizer? E por que cada época "decide" diferente? A palavra de Deus não deveria ser eterna e imutável?
Por exemplo, a Bíblia permite e regulamenta a escravidão. Em nenhum momento, nem no Antigo nem no Novo Testamento, ela a condena. Se a Bíblia é a suposta "palavra de Deus", com que autoridade nós proibimos a escravidão hoje em dia?
Por outro lado, se é errado hoje, também era errado há 2500 anos.
Filósofos gregos já escreviam contra a escravidão séculos antes de Cristo, o que mostra que o povo daquela época podia entender conceitos de ética que julgamos ter surgido apenas recentemente.
Por que a "palavra de Deus" teve que ser corrigida? Por que ela não era perfeita desde o início? Por que Deus ordenou que os judeus cometessem tantos crimes em vez de começar a educá-los desde o primeiro instante?
A verdade, que os crentes não aceitam, é que cada povo cria o deus que lhe convém, um deus que "manda" com que eles façam aquilo que eles já faziam. Um deus que aprova e justifica seu modo de vida. Um deus criado à imagem e semelhança do homem.
Faz muita diferença se pensamos em Deus como uma pessoa ou como uma força.
De uma forma você tem o Cristianismo, do outro você tem Guerra nas Estrelas.