domingo, 15 de março de 2009



Serei alvo de gratidão, se resumir uma visão tão nova e tão essencial em quatro teses: assim facilito a compreensão e também desafio a contestação.
Primeira tese: As razões que fizeram "este" mundo ser designado como aparente justificam, isto sim, a sua realidade - uma outra espécie de realidade é absolutamente indemonstrável.
Segunda tese: As características dadas ao "verdadeiro ser" das coisas são as características do não-ser, do nada - construiu-se o "mundo verdadeiro" a partir da contradição ao mundo real: um mundo aparente, de fato, na medida em que é apenas uma ilusão ótico-moral.
Terceira tese: Não há sentido em fabular acerca de um "outro" mundo, a menos que um instinto de calúnia, apequenamento e suspeição da vida seja poderoso em nós: nesse caso, vingamo-nos da vida com a fantasmagoria de uma vida "outra", "melhor".
Quarta tese: Dividir o mundo em um "verdadeiro" e um "aparente", seja à maneira do cristianismo, seja à maneira de Kant (um cristão insidioso, afinal das contas), é apenas uma sugestão da décadence - um sintoma da vida que declina...O fato de o artista estimar a aparência mais que a realidade não é objeção a essa tese. Pois "a aparência" significa, nesse caso, novamente a realidade, mas numa seleção, correção, reforço...O artista trágico não é um pessimista - ele diz justamente Sim a tudo questionável e mesmo terrível, ele é dionisíaco...

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