
O acaso dos casamentos. - Se eu fosse um deus, e um deus benévolo, os casamentos dos homens me fariam mais impaciente do que qualquer outra coisa. Um indivíduo pode ir longe, muito longe, nos seus setenta ou mesmo trinta anos de vida - é algo espantoso, até para os deuses! Mas vejam como ele toma o legado e herança dessas lutas e vitórias, o laurel de sua humanidade, e o pendura no primeiro lugar que acha, onde uma mulherzinha o encontra e despedaça; vendo como ele sabe obter, mas não conservar, como nem mesmo raciocina que pode, mediante a procriação, preparar uma vida ainda mais vitoriosa: então perdemos a paciência, como disse, e pensamos: "Nada pode resultar da humanidade a longo prazo, os indivíduos são desperdiçados, o acaso do casamento torna impossível uma grande marcha racional da humanidade; - deixemos de ser zelosos espectadores e bobos desse espetáculo sem meta!". Foi com esse ânimo que os deuses de Epicuro recolheram-se na sua tranqüilidade e bem-aventurança divina: eles estavam cansados dos homens e seus amores.
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