domingo, 25 de janeiro de 2009


Não há nada a lamentar sobre a morte,
assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor.
O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam
ou não levam até a sua morte.
Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas cagam.
Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder.
Suas mentes estão cheias de algodão.
Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar.
Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas.
Seus cérebros estão entupidos de algodão.
São feios, falam feio, caminham feio.
Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouvi-la.
A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


Vergonha. - Ali está o belo corcel, ele bate as patas no chão, ele funga, ele pede uma cavalgada e ama aquele que habitualmente o monta - mas oh, que vergonha! Este não pode subir à sela, está fatigado. - Eis a vergonha do pensador cansado diante de sua própria filosofia.

sábado, 17 de janeiro de 2009


você pode não acreditar nisto
mas há pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.

eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.

eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.

você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.

oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.

mas eles
estão lá ...

e eu estou aqui.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


O acaso dos casamentos. - Se eu fosse um deus, e um deus benévolo, os casamentos dos homens me fariam mais impaciente do que qualquer outra coisa. Um indivíduo pode ir longe, muito longe, nos seus setenta ou mesmo trinta anos de vida - é algo espantoso, até para os deuses! Mas vejam como ele toma o legado e herança dessas lutas e vitórias, o laurel de sua humanidade, e o pendura no primeiro lugar que acha, onde uma mulherzinha o encontra e despedaça; vendo como ele sabe obter, mas não conservar, como nem mesmo raciocina que pode, mediante a procriação, preparar uma vida ainda mais vitoriosa: então perdemos a paciência, como disse, e pensamos: "Nada pode resultar da humanidade a longo prazo, os indivíduos são desperdiçados, o acaso do casamento torna impossível uma grande marcha racional da humanidade; - deixemos de ser zelosos espectadores e bobos desse espetáculo sem meta!". Foi com esse ânimo que os deuses de Epicuro recolheram-se na sua tranqüilidade e bem-aventurança divina: eles estavam cansados dos homens e seus amores.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009


Diferentes perigos da vida. - Vocês não sabem o que estão vivendo, correm como ébrios pela vida, e de quando em quando caiem por uma escada abaixo. Mas, devido à sua embriaguez, não quebram nisso os membros: seus músculos estão muito moles e sua cabeça muito obscurecida, para que achem as pedras dessa escada tão duras como nós achamos! Para nós a vida é mais perigosa: somos feitos de vidro - ai de nós, se esbarrarmos em algo! E tudo estará perdido se cairmos!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


I'd like to help you doctor
Yes I really really would
But the din in my head
It's too much and it's no good
I'm standing in a windy tunnel
Shouting through the roar
And I'd like to give the information
You're asking for

But blood makes noise
It's a ringing in my ear
Blood makes noise
And I can't really hear you
In the thickening of fear

I think that you might want to know
The details and the facts
But there's something in my blood
Denies the memory of the acts
So just forget it Doc.
I think it's really
Cool that you're concerned
But we'll have to try again
After the silence has returned

Cause blood makes noise
It's a ringing in my ear
Blood makes noise
And I can't really hear you
In the thickening of fear

Blood makes noise...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009


Homens preparatórios. – Eu saúdo todos os sinais de que se aproxima uma época mais viril, guerreira, que voltará a honrar acima de tudo a valentia! Ela deve abrir caminho para uma época ainda superior e juntar as forças de que esta precisará – a época que levará heroísmo para o conhecimento e travará guerras em nome dos pensamentos e das conseqüências deles. Para isto são agora necessários muitos homens preparatórios valentes, que certamente não podem surgir do nada – muito menos da areia e do lodo da atual civilização e educação citadina; homens que, silenciosos, solitários, resolutos, saibam estar satisfeitos e ser constantes na atividade invisível; homens interiormente inclinados a buscar, em todas as coisas, o que nelas deve ser superado; homens cuja animação, paciência, singeleza e desprezo das grandes vaidades seja tão característica quanto a generosidade na vitória e a indulgência para com as pequenas vaidades dos vencidos; homens de juízo agudo e livre acerca dos vencedores e do quinhão de acaso que há em toda vitória e toda glória; homens com suas próprias festas, dias de trabalho e momentos de luto, habituados e seguros no comandar e também prontos a obedecer, quando for o caso, igualmente orgulhosos nas duas situações, igualmente servindo a própria causa; homens mais ameaçados, mais fecundos e felizes! Pois, creiam-me! – o segredo para colher da vida a maior fecundidade e a maior fruição é: viver perigosamente! Construam suas cidades próximo ao Vesúvio! Mandem seus navios por mares inexplorados! Vivam em guerra com seus pares e consigo mesmos! Sejam salteadores e conquistadores enquanto não puderem ser governantes e possuidores, vocês, homens do conhecimento! Logo passará o tempo em que podiam se contentar de viver ocultos nas florestas, como cervos amedrontados! Enfim o conhecimento estenderá a mão para o que lhe é devido: – ele quererá dominar e possuir, e vocês juntamente com ele!