sábado, 8 de março de 2008


Todas as mulheres, todos os beijos delas
as formas variadas como amam e falam e carecem

Suas orelhas elas todas têm, orelhas e gargantas e vestidos
e sapatos e automóveis e ex-maridos

Principalmente as mulheres são muito quentes
Elas me lembram a torrada amanteigada
Com a manteiga derretida nela

Há uma aparência no olho: elas foram tomadas, foram enganadas
Não sei mesmo o que fazer por elas

Sou um bom cozinheiro, um bom ouvinte
mas nunca aprendi a dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores

Mas gostei das camas variadas lá delas
Pensar na vida olhando pro teto
Não fui nocivo nem desonesto
Só um aprendiz

Sei que todas têm pés e cruzam descalças pelo assoalho
Enquanto observo suas tímidas bundas na penumbra
Sei que gostam de mim
Algumas até me amam
Mas eu amo só umas poucas

Algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
Outras falam mansamente da infância e pais e
paisagens; algumas são quase malucas
mas nenhuma delas é desprovida de sentido;
algumas amam bem, outras nem tanto;
as melhores no sexo nem sempre são as melhores em outras coisas;
todas têm limites como eu tenho
Limites e nos aprendemos rapidamente


Todas as mulheres todos os quartos de dormir
Os tapetes as fotos as cortinas, tudo mais ou menos
Como uma igreja só, raramente se ouve uma risada

Essas orelhas esses braços esses cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a carência me sustentaram,
me sustentaram

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