
Neste ponto não posso suprimir um suspiro e uma última esperança.
Que coisa é para mim completamente intolerável?
Aquilo com que não posso, que me faz enlanguescer e definhar?
O ar ruim! O ar ruim!
O fato de que uma coisa malograda se aproxime; que eu tenha de cheirar as entranhas de uma alma malograda!...
O que não suportamos normalmente de miséria, privação, mau tempo, enfermidade, fadiga, solidão?
No fundo podemos com todo o resto, nascidos que somos para uma existência subterrânea e combativa; sempre voltamos mais uma vez à luz, sempre vivemos mais uma vez a nossa hora áurea da vitória - e então aí estamos, como nascemos, inquebrantáveis, tensos, prontos para algo novo, ainda mais difícil, mais distante, como um arco que a miséria torna ainda mais teso.
Mas de quando em quando me concedam - supondo que existam protetoras celestes, além do bem e do mal - uma visão, concedam-me apenas uma visão, de algo perfeito, inteiramente logrado, feliz, potente, triunfante, no qual ainda haja o que temer! De um homem que justifique o homem, de um acaso feliz do homem, complementar e redentor, em virtude do qual possamos manter a fé no homem!...
Pois assim é: o apequenamento e nivelamento do homem atual encerra nosso grande perigo, pois esta visão cansa...
Hoje nada vemos que queira tornar-se maior, pressentimos que tudo desce, descende, torna-se mais ralo, mais plácido, prudente, manso, indiferente, medíocre - não há dúvida, o homem se torna cada vez "melhor"...
E precisamente nisso está o destino fatal - junto com o temor do homem, perdemos também o amor a ele, a reverência por ele, a esperança em torno dele, e mesmo a vontade de que exista ele. A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto?
Estamos cansados do homem...
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