sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


O solitário

Para mim é odioso seguir e também guiar.
Obedecer? Não! E tampouco - governar!
Quem não é terrível para si, a ninguém inspira terror:
E somente quem inspira terror é capaz de comandar.
Para mim já é odioso comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animais da floresta e do mar,
De por algum tempo me perder,
De permanecer num amável recanto a cismar,
E enfim me chamar pela distância,
Seduzindo-me para - voltar a mim.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


Crítica dos animais. - Receio que os animais vejam o homem como um semelhante que perigosamente perdeu a sadia razão animal - como o animal delirante, o animal ridente, o animal plangente, o animal infeliz.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


A esperança
- Pandora trouxe o vaso que continha os males e o abriu.
Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado "vaso da felicidade".
E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite.
Um único mal ainda não saíra do recipiente: então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens - é a esperança.
- Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar.
Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


Amor e reverência - O amor deseja, o medo evita. Por causa disso não podemos ser amados e reverenciados pela mesma pessoa, não no mesmo período de tempo, pelo menos. Pois quem reverencia reconhece o poder, isto é, o teme: seu estado é de medo-respeito. Mas o amor não reconhece nenhum poder, nada que separe, distinga, sobreponha ou submeta. E, como ele não reverencia, pessoas ávidas de reverência resistem aberta ou secretamente a serem amadas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


Ondulação, Mercúrio, Serpente...
Aí a porta se abriu de repente. E entrou a tal mulher.
Ora, tudo que posso dizer é que existem bilhões de mulheres no mundo, certo?
Algumas bem vistosas. Muitas muito bonitas. Mas de vez em quando a natureza nos sai com um truque bestial, reúne todos os atributos numa mulher especial, uma mulher inacreditável. Quer dizer, a gente olha e não acredita.
Tudo se move em sintonia perfeita, ondulação, mercúrio, serpente, a gente vê umas cadeiras, um cotovelo, uns peitos, um joelho, e tudo se funde numa unidade gigantesca, um todo inesquecível, com aqueles olhos lindíssimos a sorrir, a boca meia descaída, os lábios imóveis como prontos para estourar numa gargalhada, pela sensação de impotência da gente. E elas sabem se vestir e o cabelo longo incendeia o ar.
Tudo demais, porra.

domingo, 24 de fevereiro de 2008


Para o Carnaval

Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora.
Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia.
Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você.
Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura.
Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado.
Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada.
Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?

Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.

Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?

Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder.

sábado, 23 de fevereiro de 2008


Tudo vem a seu próprio tempo.
Ninguém deixa de ler um livro, de ouvir uma música, de ter uma idéia, simplesmente por assim não o querer, ou não gostar.
É sim, porque não se está pronto para tais coisas.
A maioria nunca está pronta.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


O cativo

A. Ele para e escuta: o que o perturba?
Que coisa lhe zumbe aos ouvidos?
Que foi que o atingiu?
B. Como todos os que usaram grilhões,
Em toda parte ele ouve - grilhões a tinir

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


Perigo na voz. - Com uma voz muito alta na garganta, quase não temos condições de pensar coisas sutis.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


Neste ponto não posso suprimir um suspiro e uma última esperança.
Que coisa é para mim completamente intolerável?
Aquilo com que não posso, que me faz enlanguescer e definhar?
O ar ruim! O ar ruim!
O fato de que uma coisa malograda se aproxime; que eu tenha de cheirar as entranhas de uma alma malograda!...
O que não suportamos normalmente de miséria, privação, mau tempo, enfermidade, fadiga, solidão?
No fundo podemos com todo o resto, nascidos que somos para uma existência subterrânea e combativa; sempre voltamos mais uma vez à luz, sempre vivemos mais uma vez a nossa hora áurea da vitória - e então aí estamos, como nascemos, inquebrantáveis, tensos, prontos para algo novo, ainda mais difícil, mais distante, como um arco que a miséria torna ainda mais teso.
Mas de quando em quando me concedam - supondo que existam protetoras celestes, além do bem e do mal - uma visão, concedam-me apenas uma visão, de algo perfeito, inteiramente logrado, feliz, potente, triunfante, no qual ainda haja o que temer! De um homem que justifique o homem, de um acaso feliz do homem, complementar e redentor, em virtude do qual possamos manter a fé no homem!...
Pois assim é: o apequenamento e nivelamento do homem atual encerra nosso grande perigo, pois esta visão cansa...
Hoje nada vemos que queira tornar-se maior, pressentimos que tudo desce, descende, torna-se mais ralo, mais plácido, prudente, manso, indiferente, medíocre - não há dúvida, o homem se torna cada vez "melhor"...
E precisamente nisso está o destino fatal - junto com o temor do homem, perdemos também o amor a ele, a reverência por ele, a esperança em torno dele, e mesmo a vontade de que exista ele. A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto?
Estamos cansados do homem...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


Fala o cético

Metade de sua vida passou,
O ponteiro avança, a sua alma treme!
Há muito ela vagueia,
Procura e não encontra - e hesita agora?
Metade de sua vida passou:
E não foi mais que erro e dor até o momento!
Que busca você ainda? Por quê? - -
Justamente isso eu busco - a razão por quê!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Pensamentos são as sombras dos nossos sentimentos - sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples do que estes.

domingo, 17 de fevereiro de 2008


Sabedoria na dor. - Na dor há tanta sabedoria como no prazer: como este, ela está entre as forças de primeira ordem na conservação da espécie. Se não, há muito já teria desaparecido; o fato de doer não é argumento contra ela, é sua essência. Eu escuto, na dor, o grito de comando do capitão do navio: "Recolham as velas!". O ousado navegador "homem" teve de aprender mil maneiras de dispor as velas, senão logo teria passado, o mar o teria engolido. Precisamos também saber viver com a energia diminuída: tão logo a dor dá seu sinal de alarme. é tempo de diminuí-la - algum grande perigo, um temporal está se armando, e é bom nos "inflarmos" o menos possível. - Existem homens, é verdade, que houvem o comando oposto, ao sentir a aproximação da grande dor, e que nunca são mais orgulhosos, belicosos e felizes do que quando surge a tempestade; sim, a dor mesma lhes proporciona seus maiores momentos! São os homens heróicos, os grandes portadores de dor da humanidade: estes seres poucos, ou raros, que necessitam exatamente da mesma apologia que a dor - e, verdadeiramente, ela não lhes deve ser negada! São forças de primeira ordem na conservação e promoção da espécie: ainda que fosse apenas por resistirem à comodidade e não esconderem seu nojo a tal espécie de felicidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2008


A pena rabisca

A pena rabisca: que inferno!
Estarei condenado a garatujar? -
Então recorro audacioso ao tinteiro
E escrevo sinuosos rios de tinta.
Como tudo flui, tão largo e tão pleno!
Como me sai bem tudo o que faço!
É verdade que a escrita não é legível! -
Que importa? Quem lê o que escrevo, enfim?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


Ao meu leitor

Bons dentes e bom estômago -
Eis o que lhe desejo!
Se der conta de meu livro,
Certamente se dará comigo!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Minha antipatia. - Não gosto de pessoas que para ter algum efeito, necessitam estourar como bombas, e junto às quais sempre há o perigo de perdermos subitamente a audição - e mesmo alguma coisa mais.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


Sem alegria - Basta uma única pessoa sem alegria para criar constante mau humor e céu escuro em toda uma casa; e somente por milagre ocorre que não haja esta pessoa! - A felicidade está longe de ser uma enfermidade assim contagiosa - de onde virá isso?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


Sobre a última hora. - As tempestades são o meu perigo: terei eu minha tempestade, à qual sucumbirei como Oliver Cromwell sucumbiu à sua? Ou me extinguirei como uma luz que não foi apagada pelo vento, mas que se cansou e saciou de si mesma - uma luz consumida? Ou, enfim: apagarei a mim mesmo, para não me consumir?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


Olhando para trás. - Raramente nos tornamos conscientes do verdadeiro pathos de cada período da vida enquanto nele estamos, mas achamos sempre que ele é o único estado então possível e razoável para nós, um ethos, não um pathos - falando e distinguindo como gregos. Algumas notas de música me trouxeram hoje à lembrança um inverno, uma casa e uma vida bastante retirada, e também o sentimento que então me habitava: eu acreditava poder viver assim para sempre. Mas agora vejo que tudo era pathos e paixão, algo semelhante a essa música dolorosamente animada e segura do consolo - algo que não se pode ter durante anos ou eternidades: assim nos tornáriamos demasiado "etéreos" para este planeta.

domingo, 10 de fevereiro de 2008


O cortês. - "Ele é tão cortês!" - Sim, ele tem sempre um biscoito para Cérbero, e é tão receoso que vê Cérbero em cada pessoa, também em mim e em você - eis a sua "cortesia".

sábado, 9 de fevereiro de 2008


Palavras de consolo de um músico. - "Sua vida não chega aos ouvidos dos homens: para eles você vive uma vida muda, e permanece oculta para eles toda sutileza da melodia, toda delicada resolução quanto a seguir ou preceder. É verdade: você não aparece numa larga avenida ao som de uma banda militar - mas essa boa gente não tem o direito de afirmar, por causa disso, que em sua vida não há música. Quem tiver ouvidos, que ouça."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Meu cão. - Dei um nome à minha dor; chamo-a de "cão" - ela é tão fiel, tão importuna e desavergonhada, tão divertida, tão esperta como um cão - e eu posso nela mandar e descarregar o mau humor: como fazem os outros com seus cães, criados e mulheres.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Ser profundo e parecer profundo. - Quem sabe que é profundo, busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro. Pois a multidão toma por profundo aquilo cujo fundo não vê; ela é medrosa, hesita em entrar na água.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


Alegria fantasiada

O carnaval é um saco!
Uma festança generalizada prevista para durar quatro dias.
É também a coisa mais chata que existe para quem detesta folia.
Pessoas estão doentes, deprimidas, tristes ou apenas sem alegria.
São mulheres e homens incapazes de viver uma data tão festiva, sem fantasias para cobrirem suas feridas abertas.
Fluidos negativos ziguezagueiam nesta época do ano.
O Rio de Janeiro fica repleto de foliões, pra lá de animados, vindos dos mais variados pontos do Brasil e do planeta.
E, não podemos esquecer, temos aqui problemas graves. A violência continua latente, apesar de rolar um certo cessar fogo no carnaval. Uma cidade não pode ser maravilhosa sem paz.

Tentar disfarçar o mau funcionamento desta metrópole, sitiada, é como cobrir com glacê um enorme bolo solado.
No Rio o carnaval é uma festividade de alto risco.
Virou banalidade a proliferação de balas perdidas e de doenças contagiosas.
São muitas as moléstias que se pode contrair alegremente.

O que importa é a diversão. Eu sei. Mas, prefiro curtir a solidão.
Não passa pela minha cabeça ir para a rua, e misturar-me àquela alegria artificial e imperativa.

Não sou contra a alegria, quero apenas frisar que existem infelizes.
Vamos pensar: o que faz um infeliz, sozinho, no carnaval?
Os alegres, as colombinas bêbadas e os pierrôs drogados, refestelam-se nos blocos como almas penadas. Procuram alguma coisa que desconhecem. Talvez a morte. Mas, como é carnaval, ela está fantasiada de vida.

O mais incrível é que, nos blocos em que eles se arrastam, todos estão vividamente fantasiados por fora, mas falecidos por dentro. Seguem com suas carcaças requebrando ao som do tamborim, ignorando que fazem parte de um cortejo fúnebre.
Onde o final não é um enterro, e sim uma grande ressaca.

A sociedade se prepara para a diversão e se esquece dos seus problemas.
Este período carnavalesco é um hiato no fluxo de lama diária que se deposita na conta de cada pessoa, feliz ou infeliz.

O carnaval funciona como uma descarga, ao jogar para longe toda a podridão indesejável. Mas não adianta. É como anestesia cujo efeito dura quatro dias. Depois acaba.
Existe alegria, mas soa falsa.
Uma miragem ambulante que ilude a todos.

Na quarta-feira de cinzas, depois que toda a poeira de coliformes fecais ressequidos abaixar, a nossa vida voltará a ser a mesma coisa de antes.
Continuaremos atraídos por nós mesmos. Qualquer reflexo nos encanta.

A nossa imagem, impressa no espelho, revela que somos perfeitos espantalhos. Espantamos o que resta de nós, naquilo que vemos refletido.
Quanto mais me olho no espelho, menos vejo quem realmente sou.
Possuo algum tipo de melancolia crônica de origem, totalmente desconhecida.
Nem me preocupo mais. Quero ficar bem, mas não forçarei a barra para parecer feliz.
Assumirei que estou em outra vibração.

Não me deixarei seduzir pela boiada feliz, rumo ao pasto de bosta em que se tranforma o Rio no carnaval.

Pastam no asfalto sujo e relincham de prazer.
Eu, assim como muitas pessoas, descansarei. Lerei muito e escreverei um pouco.
Verei filmes; os cinemas ficam mais vazios e as locadoras oferecem promoções irresistíveis.
Passearei, pela manhã, na orla da Lagoa ou na areia da praia.
Observarei as pessoas que estiverem lá.
Serão semelhantes meus.
Do contrário, estariam dormindo.

Terei sempre à mão a programação dos blocos de carnaval.
E o mapa da cidade para facilitar a minha fuga, caso resolva sair de casa.

Hei de sobreviver na contramão deste carnaval.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008


Como seriam mais leves e aprazíveis os dias,
se todos fossem como uma matinal terça de carnaval.

"Needle In The Hay!!!"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


Divina Música!
Filha da Alma e do Amor
Cálice da amargura
E do Amor
Sonho do coração humano
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos
Linguagem dos amantes
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos
Encorajadora dos guerreiros
Fortalecedora das almas
Oceano de perdão e mar de ternura
Ó música
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações

domingo, 3 de fevereiro de 2008


Na solidão. Quando se vive só, não se fala muito alto, também não se escreve muito alto: pois teme-se a ressonância vazia - a crítica da ninfa Eco. E todas as vozes soam diferentes na solidão!

sábado, 2 de fevereiro de 2008


Sempre em nossa companhia. - Tudo que me é afim, na natureza e na história, me fala, me louva, me impele para a frente, me consola; o resto eu não escuto ou esqueço imediatamente. Estamos sempre em nossa própria companhia.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


Otimismo ao acordar.
Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?!?