quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só.
Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente.
Cito uma frase de Ibsen: "Os homens mais fortes são os mais solitários".
Viu como pensa a maioria: "Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?".
Eu respondo sim porque não tem nada lá fora.
É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida.
Que se estupidifiquem eles, entre eles.
Nunca tive a ansiedade de cair na noite.
Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas.
Nunca me senti só.
Gosto de estar comigo mesmo.
Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.

É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente.
Ficar na cama olhando o teto.
Quem faz isso nesta sociedade moderna?
Pouquíssimas pessoas.
Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio.
Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias.
Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depois me vestia e saía à rua.
O sol brilhava e os sons eram maravilhosos.
Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.

2 comentários:

  1. O solitário leva uma sociedade inteira dentro de si: o solitário é multidão. E daqui deriva a sua sociedade. Ninguém tem uma personalidade tão acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O génio, foi dito e convém repeti-lo frequentemente, é uma multidão. É a multidão individualizada, e é um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de próprio é, no fundo, aquele que tem mais de todos, é aquele em quem melhor se une e concentra o que é dos outros.

    (...) O que de melhor ocorre aos homens é o que lhes ocorre quando estão sozinhos, aquilo que não se atrevem a confessar, não já ao próximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando estão em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solitário costuma atrever-se a expressá-lo, a deixar que isso floresça, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando estão sozinhos, sem que ninguém se atreva a publicá-lo. O solitário pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa, enquanto querem enganar-se uns aos outros, pretendendo acreditar que pensam outra coisa, e sem conseguir que alguém acredite.

    Miguel de Unamuno

    ResponderExcluir
  2. ;P
    Adorei o texto!!

    de uma olhadinha neste blog acho que vai gostar--->>

    http://sombarato.blogspot.com/
    :)

    ResponderExcluir