quinta-feira, 31 de janeiro de 2008



No horizonte do infinito. – Deixamos a terra firme e embarcamos! Queimamos a ponte - mais ainda, cortamos todo laço com a terra que ficou para trás! Agora tenha cautela, pequeno barco! Junto a você esta o oceano, é verdade que ele nem sempre ruge, e às vezes se estende como seda e ouro e devaneio de bondade. Mas virão momentos em que você perceberá que ele é infinito e que não há coisa mais terrível que a infinitude. Oh pobre pássaro que se sentiu livre e agora se bate nas paredes dessa gaiola! Ai de você, se for acometido de saudade da terra, como se lá tivesse havido mais liberdade - e já não existe mais "terra"!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


Muitas vezes o aspecto da cozinha reflete o estado de espiríto.
Os sujeitos confusos, inseguros e maleáveis são pensadores.
A cozinha da casa deles se assemelha às idéias que têm: cheias de lixo, metal encardido, impurezas, mas eles sabem disso e até acham graça.
Às vezes, com violenta erupção de fogo, desafiam as divindades eternas e surgem com o fulgor intenso que volta e meia chamamos de criação; noutras, meio que se embriagam e resolvem limpar a cozinha.
Mas tudo volta logo a cair na desordem e ficam no escuro de novo, comprimidos, orações, sexo, sorte e salvação.
Mas quem mantém a cozinha sempre limpa é anormal, cuidado com ele.
O estado de sua cozinha equivale às idéias que tem: tudo em ordem, arrumado; permitiu que a vida o condicionasse rapidamente a um firme e resistente complexo de raciocínio defensivo e tranquilizador.
É só se prestar atenção no que diz durante dez minutos pra se ter certeza de que tudo o que dirá pelo resto da vida será intrinsecamente inexpressivo e sempre sem graça.
É um monolito, existem mais criaturas desse tipo do que qualquer outro.
Portanto, quem estiver a fim de encontrar um homem vivo, precisa antes de mais nada, dar uma olhada na cozinha do cara - economiza tempo e dinheiro.

Agora mulher com cozinha suja é outra questão - do ponto de vista masculino.
Se não tiver emprego nem filhos, a limpeza ou sujeira da cozinha, quase sempre (com raras exceções), é proporcional ao cuidado que dedica ao marido, algumas, cheias de teorias sobre a salvação da humanidade, são incapazes de lavar direito uma xícara.
E se alguém disser isso pra elas, obterá por resposta o seguinte: "lavar louça não tem importância nenhuma", infelizmente tem.
Sobretudo pro homem que passa 8 horas por dia - sem falar nas 2 de serão - em cima de um torno mecânico.
A gente começa a salvar a humanidade salvando uma pessoa de cada vez; todo o resto é delírio romântico ou político.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008


Já encontrei homens livres nos lugares mais estranhos e de todas as idades - porteiros, lavradores, operários, agricultores, lavadores de carros, e algumas mulheres também - principalmente enfermeiras ou garçonetes.
É muito raro encontrar almas livres, mas logo se vê quando são - antes de mais nada pela sensação boa, ótima, por causa da proximidade ou da sua companhia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


A música nasceu quando: "combinações criadoras, associações novas, realizadas num indivíduo, puderam , quando transmitidas a outro, não perecer mais com ele".

domingo, 27 de janeiro de 2008


Quando penso em mulheres, começo por imaginar a sua cabeleira.
A minha principal idéia de feminino é uma tempestade de cabelo - cabelo preto, ruivo, castanho, dourado -, e sempre com uma boca apaixonada, num lugar qualquer atrás da miragem da beleza.

sábado, 26 de janeiro de 2008


Mulheres...
O melhor é esquecer tudo, quando uma mulher se volta contra você.
Elas podem te amar um tempo; mas um dia dá um click nelas, e então te vêem morrendo atropelado na sarjeta, e ainda te cospem em cima.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008


Isso de potencial, não quer dizer nada.
Você tem que realizá-lo.
Qualquer bebê abandonado numa caixa de sapato tem mais potencial do que eu.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008


Nietzsche disse: a mulher é incapaz de amizade.
É uma afirmação que ele fez, mas aos homens ele questionou quais são capazes da mesma.
Ele atentou para a feminilização do mundo, e que hoje em dia existem muitos poucos homens profundos capazes de manter uma amizade verdadeira, até nos idos do século XIX também havia poucos, e veja que estamos falando da Europa do século XIX, imagine este país no século XXI?
Comprovadamente a mulher é incapaz de amizade, os homens da atualidade para afirmar que são amigos dos amigos e das amigas levam uma vida superficial e não entendem o que é a amizade, coisas corriqueiras que poucos podem ver.
Eu poderia dizer que o inconsciente da mulher é o maior inimigo do homem de bem(importante salientar que a mulher é incapaz de controlá-lo).
Outro inimigo das mulheres são os estilistas e os costureiro(a)s, pois vem masculinizando as mulheres a muito tempo e feminilizando os homens também à várias décadas.
E só existe um tipo especial de pessôa que pode ser amigo de verdade da mulher ao mesmo tempo que a domina e a faz feliz e liberta-á deste inconsciênte perverso e maligno, este ser é o Homem verdadeiro, um ser superior aos pedaços de mal caminho(cafajestes) e ao fraco que as ama pelo que elas são(tolos).

A intenção de Nietzsche era esta, despertar o homem que há dentro do homem.
É melhor ter uma amante do que uma namorada ou esposa, os cafajestes tem várias, um homem de verdade tem uma só e vai com ela até o limite em que ela perde a guerrinha do ódio e se rende, não tem nada melhor do que dizer a uma mulher que não a quer mais por ser melhor viver em paz, ou melhor, trocá-la por nada, ela fica louca e se torna consumidora de barbitúricos e vai passar a vida toda nas mãos dos cafajestes.
Não vai saber a sensação de estar nos braços de um homem de verdade, ou seja vai sempre estar nos braços de uma mulher disfarçada de homem o que vem a ser o cafajeste e na melhor das hipóteses vai ter a sorte de dominar um tolo para ser provedor material e levar chifres.
A primeira e última tarefa da mulher é ter filhos sãos, mas qual mulher tem filhos sábios?
É raro alguma que tenha.
Muitas mulheres são infelizes, e a maioria merece ser.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008


As relações humanas nunca funcionavam mesmo.
Só as primeiras duas semanas tinham alguns tchans; a partir daí, os parceiros perdiam o interesse.
Era assim que acontecia com as pessoas.
Às vezes era engraçado - no início.
Com o passar do tempo, as excentricidades delas vinham á tona.
Caíam as máscaras e as verdadeiras pessoas começam a aflorar: maníacas, imbecis, dementes, vingativas, sádicas, assassinas.
A sociedade moderna tinha criado seres á sua imagem e semelhança, e eles se festejavam mutuamente num duelo com a morte, dentro de uma cloaca.

"- É verdade; você tem muito mais inocência que a maioria dos homens que eu conheci.
- Num certo sentido, sempre fui virgem."

terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Nem todos os comtemporâneos de Terpandro, Píndaro ou Damon, ou os de Confúcio, foram é claro, igualmente músicos, igualmente receptivos e inteligentes em relação ao fenômeno musical.
Mas sem dúvida, nunca foi tão profundo quanto hoje o abismo entre o hipermúsico(profissional ou não), a "hiperacústica" e, por outro lado, o analfabeto ou o idiota musical, "anacústico" ou "amúsico"!
No século IV a.C., por não ter a sabedoria acusmática resistido à retórica dos geômetras e dos sofistas, a mùsica grega degenera e o gosto público se degrada a tal ponto, que logo os descendentes dos ouvintes de Sófocles se deliciarão com os combates de gladiadores e se exaltarão com a barulheira solene dos hinos totalitários.
Qualquer mudança em matéria de música é prenhe de conseqüências para a cidade...Não se pode mudar o que quer que seja nos modos da música sem abalar a estabilidade do Estado.
Tudo o que ouvimos nos traz felicidade ou infelicidade.
A música não deveria ser executada inconsideradamente.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


O meu talento. – De que me tem servido? Não trouxe nunca às minhas mãos vazias a mais pequena esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que não me tenha feito mal. Talvez culpa minha, talvez...O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesmo compreendo, pois estou longe de ser um pessimista; sou antes um exaltado, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!

domingo, 20 de janeiro de 2008


Ali onde a pequena capacidade da visão já não enxerga o mau impulso, devido à sua extrema sutileza, o homem situa o reino do bem, e a sensação de haver penetrado o reino do bem excita igualmente todos os impulsos que eram ameaçados e limitados pelos impulsos maus, como o sentimento de segurança, de bem-estar, de benevolência.
Portanto: quanto mais obtuso o olhar, mais extenso é o bem!
Daí a perene alegria do povo e das crianças!
Daí o humor sombrio e o pesar, relacionado à má consciência, dos grandes pensadores!

sábado, 19 de janeiro de 2008


Como foram difíceis aqueles anos, ter a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


Não conheço o ateísmo em absoluto como resultado, ainda menos como um acontecimento marcante: em mim se compreende instintivamente.
Sou demasiado curioso, demasiado "problemático", demasiado orgulhoso para me contentar com uma resposta grosseira.
DEUS É UMA RESPOSTA GROSSEIRA, um insulto contra nós, pensadores - no fundo, nada mais é que uma proibição grosseira contra nós: Não devem pensar!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


A verdade é que somos umas monstruosidades.
Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes... enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: "Te amo".
Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008


Os leitores extraem dos livros consoante o seu carácter, a exemplo da abelha ou da aranha que do suco das flores, retiram uma o mel, a outra o veneno.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Daí veio aquela loira, de uns 19 anos, com óculos sem aro e um sorriso, o sorriso nunca se desfazia.
-"Quero trepar com você ", disse ela. "Sua cara..."
- Que tem minha cara?
- É espetacular. Quero destruir sua cara com a minha buceta.
- Pode acontecer o contrário...
- Não aposte nisso.
- Você tem razão . Bucetas são indestrutíveis.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


A vida é um manancial de alegrias, mas onde quer que o populacho vá beber, todas as fontes se econcontram envevenadas.

domingo, 13 de janeiro de 2008


CONSERVADOR = Qualquer indivíduo não engajado em causas ecológicas, raciais, umbandistas, sindicais, humanistas, pacifistas, abortistas, feministas, gays, socialistas e anti-globalização.

sábado, 12 de janeiro de 2008


Fame, fame, fatal fame...
- Lydia pelo amor de Deus, por que é que você tem de ser täo estúpida? Você não consegue entender que eu sou um bicho do mato? Tenho que ser desse jeito pra escrever.
- Como é que você vai entender as pessoas se você não encontra com elas?
- Já sei tudo sobre elas.
- Até nos restaurantes você fica de cabeça baixa pra não olhar ninguém.
- Pra quê? Pra sentir vontade de vomitar?
- Eu observo as pessoas - disse ela.
- Eu estudo as pessoas.
- Grande merda! - Você tem medo é de gente!
- Detesto gente
- Como é que você pode ser um escritor? Você não observa as pessoas!
- OK. Eu não olho pras pessoas, mas pago o aluguel com a minha escrita. É melhor que cuidar de ovelhas.
- Você nunca vai emplacar. Nunca vai se realizar. Você faz tudo errado.
- E é em cima disso que a minha escrita se realiza.
- Se realiza? Quem é que te conhece? Você por acaso tem a fama de um Mailer? De um Capote?
- Esses aí não sabem escrever.
- Só você sabe! Só Chinaski sabe escrever!
- É o que eu acho.
- Cadê a sua fama? Em Nova Iorque alguém ia te reconhecer?
- Escuta aqui tô cansado pra isso. Só quero continuar a escrever. Não preciso de badalos.
- Você aceitaria de bom grado toda a badalação que te oferecessem.
- Talvez.
- Você gosta de fingir que é famoso.
- Sempre fui desse jeito, mesmo antes de começar a escrever.
- Você é o famoso mais desconhecido que eu já vi.
- É que eu não sou ambicioso...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008


Quase toda a violência carioca vem do narcotráfico.
No fundo, todo mundo sabe disso. Mas poucos estão dispostos a perceber que essa mera constatação basta para impugnar, na base, o chavão de que a miséria gera o crime.
Como poderia a miséria dar à luz um negócio bilionário, que compra armas no Oriente Médio para trocá-las por duzentas toneladas anuais de cocaína das Farc?
Que espantoso milagre de criação “ex nihilo” seria esse!
Livros, filmes, artigos e entrevistas em profusão idiotizam o público para lhe impingir a crença nesse milagre.
Mas eles próprios não são nenhum milagre: explicam-se pela irmandade ideológica entre a narcoguerrilha e a casta dos intelectuais e artistas de esquerda, instrumentos mais ou menos conscientes de uma cínica operação de despistamento: nada é mais confortável, para aqueles que buscam a destruição da sociedade por meio da violência e do crime, do que contar com uma equipe de public relations que, sob ataques grandiloqüentes a alvos genéricos como “a miséria”, “a exclusão”, “a injustiça social”, mantêm ocultos e fora de suspeita os agentes concretos e os beneficiários reais da destruição.

Mas alguns não se contentam com isso.
Vão além e, voltando-se para o público que pagou para ser ludibriado, jogam sobre ele a culpa de tudo:
"Vocês, a classe média que lê livros e vê filmes, são os exploradores, os culpados da exclusão social que força à criminalidade os humilhados e ofendidos."

A comoção na platéia mostra que o golpe a atingiu no plexo solar: pessoas incapazes de chutar um cão sarnento saem dali contritas de arrependimento pelo crime de ter uma casa, um carro, um emprego, num país em que tantos excluídos, por falta dos mais mínimos recursos para uma vida digna, são forçados, pobrezinhos, a gastar um dinheirão em cocaína na Colômbia para revendê-la nas portas das escolas às crianças brasileiras.

O estereótipo, condensado no símbolo carioca dos morros pobres ao fundo da cidade rica, já se arraigou profundamente na alma do cidadão, que, sem lembrar-se de ter feito mal algum, de repente se descobre, pela boca dos profetas da mídia e do show business, autor do mais hediondo dos crimes: a injustiça social.

E ninguém pára para fazer as contas: quanto dinheiro sobe da cidade para os morros, e quanto desce?
Quanto, em drogas? Quanto, em assaltos e em resgates de seqüestros?
Quanto, em impostos para dar assistência médica, luz, água e telefone a quem não paga jamais nada disso?

Façam as contas e digam: quem, nisso, é o explorado, quem o explorador?
Se a fortuna que sobe os morros ficasse lá, eles seriam a Suíça.
Mas ela vai direto para os Fernandinhos e daí para as Farc.
A origem do crime neste Estado não é a miséria, mas é a mesma da miséria: a população pobre do Rio é explorada, sim, mas não por “nós”, a classe média - é explorada pelos senhores do crime, que a escravizam para utilizá-la em atividades ilícitas e ainda se servem dela como emblema publicitário para esconder-se por trás de outdoors contra a “exclusão social”.

Se o discurso de inculpação da classe média permanece eficaz, é porque o orador, prudentemente, não diz “vocês”.
O discurso de acusação direta o tornaria antipático.
É preciso dar à inculpação ares de confissão, para que o acusador não pareça falar contra a platéia e sim em nome dela.
Então, arregalando os olhos como um ator expressionista e batendo histrionicamente no peito, ele grita “Nós”, como se quisesse assumir uma parcela da culpa. Mas, no curso dessa fala, ele não se apresenta como aquilo que é: um membro da intelectualidade esquerdista, advogado do banditismo. Durante a performance ele desempenha o papel genérico de homem de classe média, fazendo-se de chamariz e fingindo atrair a si as culpas apenas para, num golpe de jiu-jitsu, desviar-se delas no derradeiro instante e deixá-las cair sobre a platéia, enquanto ele, deslizando rapidamente do papel de acusado ao de testemunha de acusação, se safa impune. A malícia requerida para esse ardil é quase demoníaca.
Dostoiévski não errou nada ao chamar a esse tipo de intelectuais “Os Demônios”.

Não espanta que, entre esses indivíduos, seja quase unânime a adesão à tese liberacionista.
Legalizado o comércio de drogas no maior mercado consumidor da América Latina, estaria garantido o afluxo regular e lícito de dinheiro para a guerrilha colombiana, com sobra de incentivos fiscais e subsídios do Estado para premiar os escritores e cineastas que, nos tempos difíceis da repressão, lutaram pela boa causa.

Milhões de vidas seriam jogadas no esgoto do vício e da loucura, mas esse seria um preço barato a pagar pela glória do socialismo alucinógeno e pela prosperidade de seus apóstolos literários, jornalísticos e cinematográficos.

É desnecessário discutir em tese, abstratamente, os malefícios e benefícios hipotéticos da liberação das drogas: ela se encaixa tão claramente numa estratégia criminosa de revolução continental, que para ver o quanto é má basta identificar o seu lugar e função no plano geral da máquina.

Fechada a torneira da URSS, o movimento comunista no continente tem hoje uma e uma só fonte de sustentação financeira: o crime, o narcotráfico. Se querem legalizá-lo, é apenas para não ter de permanecer por muito tempo no duplo e desconfortável papel de seus colaboradores materiais e de seus perseguidores nominais.
Quando um político respaldado num esquema revolucionário é casualmente elevado ao poder por via legal numa democracia, ele fica sempre nessa posição ambígua, na qual não pode resistir indefinidamente sem ser desmascarado.
Antes, pois, que o mal cresça, é preciso mudar a regra do jogo, tornando lícito o ilícito e desincumbindo o governante do doloroso encargo de fingir que persegue aqueles a quem, por trás do pano, prometeu ajudar.
Daí a gritaria pela legalização das drogas.

O tráfico passaria a ser um comércio legal, decente, benéfico aos cofres públicos, seja por efetuar-se sob o comando do próprio Estado, seja pelos impostos, naturalmente altíssimos, que o empresariado viesse a pagar pelo requintado privilégio de drogar a nação.

Pó e baseados entrariam com guia de importação, em embalagens douradas com mensagem social em letras azuis e uma grave advertência do Ministério da Saúde: "Isto endoida."

Sob as penas da lei, o distribuidor estaria obrigado a pagar em dia seus fornecedores, e o miserável dinheirinho que hoje rola por baixo do pano para as Farc seria multiplicado por dez ou cem, saindo em plena luz do dia em malotes do Banco do Brasil, sob a vigilância severa da Receita Federal. O doutor Palocci, que na sua cidade natal viu frustradas suas tentativas de ser o Papai Noel das Farc em escala municipal, teria uma revanche de proporções federais.

Uma parte substantiva dos lucros seria destinada ao Fome Zero, podendo os beneficiados gastá-la de volta, se o desejassem, em maconha e coca, que eliminando alguns esfomeados ajudariam a eliminar a fome.

Legalizado, o comércio da insanidade em pó ou em folhas conquistaria novas fatias do mercado, atualmente inibidas pelos riscos de subir o Morro Dona Marta de táxi, às três da madrugada, cruzando a cada esquina com um segurança de 12 anos armado de metralhadora Uzi.

A rede de distribuidores ilegais teria se tornado inútil e, da noite para o dia, suas organizações criminosas desabariam como castelos de cartas. Os Fernandinhos que hoje aterrorizam o país seriam trancafiados e obrigados a tricotar roupinhas para as crianças pobres, enquanto suas vagas na hierarquia do narcotráfico seriam ocupadas por burocratas inofensivos, selecionados em concurso público. As autoridades, triunfantes, proclamariam na TV: "Conosco é na dureza. Lugar de bandido é na cadeia." Findo o programa, iriam comemorar a vitória contra o crime dando uma cafungadinha no posto de distribuição mais próximo.

As únicas drogas proibidas que restariam para o comércio ilícito seriam Viagra falsificado, xarope para tosse e cola de sapateiro. Sem o dinheiro da Colômbia para repartir, os poucos remanescentes das gangues extintas não trocariam mais tiros em disputas territoriais e voltariam a ocupações razoáveis, como assaltos à mão armada, seqüestros de banqueiros e prostituição de menores.

À noite, o silêncio nas ruas anunciaria que a paz da província voltara a reinar sobre as capitais. E o senhor Luiz Inácio seria celebrado como o mais sábio estadista brasileiro de todos os tempos. Bastaria, para isso, que consentisse em tornar-se o maior narcotraficante do universo. Não é lindo?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008


Me chamaram sempre de cínico.
Creio que o cinismo é uma uva amarga, uma debilidade.
É dizer: "Tudo está uma merda. Isso não tá bom, aquilo tá ruim".
O cinismo é a debilidade que evita que nos ajustemos ao que acontece no momento.
O otimismo também é uma debilidade: "O sol brilha, os pássaros cantam, sorria."
Isso é uma merda igual.
A verdade está em algum ponto entre os dois.
O que é, é.
Se você não está disposto a suportar a verdade, dane-se!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008


Um pássaro na gaiola durante a primavera sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom, sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será?
Ele não se lembra muito bem.
Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo: "Os outros fazem seus ninhos, têm seus filhotes e criam a ninhada", e então bate com a cabeça nas grades da gaiola. E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor.
"Vejam que vagabundo", diz um outro pássaro que passa, "esse aí é um tipo de aposentado".
No entanto o prisioneiro vive e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo, ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios de sol.
Mas vem a época da migração. Acesso de melancolia - mas - dizem as crianças que o criam na gaiola - "afinal ele tem tudo o que precisa". E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade.
"Estou preso, estou preso e não me falta nada imbecis. Tenho tudo o que preciso. Ah! Por bondade, liberdade! Ser um pássaro como os outros".

Aquele homem vagabundo assemelha-se a este pássaro vagabundo....
E os homens ficam freqüentemente impossibilitados de fazer algo, prisioneiros de não sei que prisão horrível, horrível, muito horrível.
Há também, eu sei, a libertação, a libertação tardia, uma reputação arruinada com ou sem razão, a penúria, a fatalidade das circunstâncias, o infortúnio, fazem prisioneiros.
Nem sempre sabemos dizer o que é que nos encerra, o que é que nos cerca, o que é que parece nos enterrar, mas no entanto sentimos não sei que barras, que grades, que muros.
Será tudo isto imaginação, fantasia?
Não creio; e então nos perguntamos: meu Deus, será por muito tempo, será para sempre, será para eternidade?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008


E vós também, vós que levais uma vida
de inquietação e de trabalho furioso,
não estais cansadíssimos da vida?
Não estais bastante sazonados para a
pregação da morte?

Vós todos que amais o trabalho furioso
e tudo o que é rápido, novo, singular,
suportai-vos mal a vós mesmos: a
vossa atividade é fuga e desejo de vos
esquecerdes de vós mesmos.

Se confiásseis mais na vida, não vos
entregaríeis tanto ao momento corrente.

Mas não tendes fundo suficiente para
esperar nem tão pouco para a preguiça.
Por toda parte ressoa a voz dos que
pregam a morte, e a terra está cheia de
seres a que é mister pregar a morte.

Ou "a vida eterna" – que para mim é o
mesmo - contanto que se vão depressa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008


O que é a verdade para a mulher?
Desde o início, nada foi mais alheio, repugnante e hostil à mulher do que a verdade -sua grande arte é a mentira, sua preocupação máxima é a mera aparência e a beleza.

A mulher sempre se plantou de vítima para dominar, o homem sempre cometeu erros em função do poder vaginocrático.

Para a mulher o homem é um meio: o fim é sempre o filho.

Gostaríamos que fosse diferente...

domingo, 6 de janeiro de 2008


"Eu declaro e prometo que combaterei incansavelmente, secreta ou abertamente, sempre que tiver oportunidade, todos os hereges, protestantes e liberais, como é meu dever, para extirpá-los e exterminá-los da face da terra, e que não pouparei nem sexo nem idade nem condição, e que destruirei, enforcarei, ferverei, estriparei, esfolarei e enterrarei vivos estes infames hereges; rasgarei os estômagos e os ventres de suas mulheres e esmagarei a cabeça de suas crianças contra a parede, para aniquilar sua execrável raça".

(Juramento dos Jesuítas)

"Heresia" vem do grego "hairesis".
Significa liberdade de escolha, liberdade de pensamento.

sábado, 5 de janeiro de 2008


Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo o mundo conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há sessenta anos os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de idealização da malandragem, do vício e do crime.
Como isto poderia deixar de contribuir, ao menos a longo prazo, para criar uma atmosfera favorável à propagação do banditismo?

De Capitães da Areia até a novela Guerra sem Fim, passando pelas obras de Amando Fontes, Marques Rebelo, João Antônio, Lêdo Ivo, pelo teatro de Nelson Rodrigues e Chico Buarque, pelos filmes de Roberto Farias, Nelson Pereira dos Santos, Carlos Diegues, Rogério Sganzerla e não-sei-mais-quantos, a palavra-de-ordem é uma só, repetida em coro de geração em geração: ladrões e assassinos são essencialmente bons ou pelo menos neutros, a polícia e as classes superiores a que ela serve são essencialmente más.

Humanizar a imagem do delinqüente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo "científico".

Se levada mais fundo ainda, essa "revolução cultural" acabará por perverter todo o senso moral da população, instaurando a crença de que o dever de ser bom e justo incumbe primeira e essencialmente à sociedade, e só secundariamente aos indivíduos. Muitos intelectuais brasileiros tomam como um dogma infalível esse preceito monstruoso, que resulta em abolir todos os deveres da consciência moral individual até o dia em que seja finalmente instaurada sobre a Terra a "sociedade justa" — um ideal que, se não fosse utópico e fantasista em si, seria ao menos inviabilizado pela prática do mesmo preceito, tornando os homens cada vez mais injustos e maus quanto mais apostassem na futura sociedade justa e boa.

Hoje vemos como foi profunda a marca deixada pela propaganda comunista na consciência dos nossos intelectuais: nenhum deles abre a boca sobre o problema da criminalidade carioca, que não seja para repetir os velhos lugares-comuns sobre a miséria, sobre os ricos malvados, e para lançar na "elite" a culpa por todos os assaltos, homicídios e estupros cometidos pelos habitantes das favelas.

Ninguém ousa por em dúvida a veracidade das premissas em que se assentam tais raciocínios — o que prova o quanto elas fizeram a cabeça da nossa intelectualidade, o quanto esta, sem mesmo saber a origem de suas idéias, continua repetindo e obedecendo, por mero automatismo, por mera preguiça mental, os chavões que o Comintern(Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro) mandou espalhar na década de 30.

Perseguida de um lado pelas gangues de bandidos, acuada de outro pelo discurso dos letrados, a população cai no mais abjeto desfibramento moral e já não ousa expressar sua revolta. Qual uma mulher estuprada, envergonha-se de seus sofrimento e absorve em si as culpas de seu agressor. Ela pode ainda exigir providências da autoridade, mas o faz numa voz débil e sem convicção — e cerca seu pedido de tantas precauções, que a autoridade, após ouvi-la, mais temerá agir do que omitir-se.

Os intelectuais, neste país, são os primeiros a denunciar a imoralidade, os primeiros a subir ao palanque para discursar em nome da "ética". Mas a ética consiste basicamente em cada um responsabilizar-se por seus próprios atos. E nunca vi um intelectual brasileiro, muito menos um de esquerda, fazer um exame de consciência e perguntar-se: "Será que nós também não temos colaborado para a tragédia carioca?"

Não, nenhum deles sente a menor dor na consciência ao ver que sessenta anos de apologia literária do crime de repente se materializaram nas ruas, que as imagens adquiriram vida, que as palavras viraram atos, que os personagens saltaram do palco para a realidade e estão roubando, matando, estuprando com a boa consciência de serem "heróis populares", de estarem "lutando contra a injustiça" com as técnicas de combate que aprenderam na Ilha Grande.
Os intelectuais literalmente não sentem ter colaborado em nada para esse resultado.
Não o sentem, porque décadas de falsa consciência alimentada pela retórica marxista os imunizaram contra quaisquer protestos da consciência moral.

Eles possuem a arte dialética de sufocar a voz interior mediante argumentos de oportunidade histórica.
Ademais, detestam o sentimento de culpa — que supõem ter sido inventado pela Igreja Católica para manter as massas sob rédea curta.
Não desejando, portanto, assumir suas próprias culpas, exorcizam-nas projetando-as sobre os outros, e tornam-se, por uma sintomatologia histérica bem conhecida, acusadores públicos, porta-vozes de um moralismo ressentido e vingativo.
Imbuídos da convicção dogmática de que a culpa é sempre dos outros, eles estão puros de coração e prontos para o cumprimento do dever.
Qual dever? O único que conhecem, aquele que constitui, no seu entender, a missão precípua do intelectual: denunciar.
Denunciar os outros, naturalmente. E aquele que denuncia, estando, por isto mesmo, ao lado das "forças progressistas", fica automaticamente isento de prestar satisfações à "moral abstrata" da burguesia, a qual, sem nada compreender da dialética histórica, continua a proclamar que há atos intrinsecamente maus, independentemente das condições sociais e políticas: "moral hipócrita", ante a qual — pfui! — o intelectual franze o nariz com a infinita superioridade de quem conhece a teleologia da história e já superou — ou melhor, aufhebt jetzt — na dialética do devir o falso conflito entre o bem e o mal...

Mas a colaboração desses senhores dialéticos para o crescimento da criminalidade no Rio foi bem mais longe do que a simples preparação psicológica por meio da literatura, do teatro e do cinema: foram exemplares da sua espécie que, no presídio da Ilha Grande, ensinaram aos futuros chefes do Comando Vermelho a estratégia e as táticas de guerrilha que o transformaram numa organização paramilitar, capaz de representar ameaça para a segurança nacional.

Nenhum desses servidores da História sente o menor remorso, a menor perturbação da consciência, ao ver que suas lições foram aprendidas, que suas teorias viraram prática, que sua ciência da revolução armou o braço que hoje aterroriza com assaltos e homicídios a população carioca.
Não: eles nada fizeram senão acelerar a dialética histórica — e não existe mal senão em opor-se à História.
Com a consciência mais limpa deste mundo, eles continuam a culpar os outros: o capitalismo, a política econômica do governo, a polícia, e a verberar como "reacionários" e "fascistas" os cidadãos, ricos e pobres, que querem ver os assassinos e traficantes na cadeia.

Mas os intelectuais da esquerda não se limitaram a criar o pano de fundo cultural propício e a elevar pelos ensinamentos técnicos o nível de periculosidade do banditismo; eles deram um passo além, e colheram os frutos políticos do longo namoro com a delinqüência: o apoio dos bicheiros — o que é o mesmo que dizer: dos traficantes — foi a principal base de sustentação popular sobre a qual se ergueu no Rio o império do brizolismo, a ala mais tradicional e populista da esquerda brasileira.

Para completar, é mais que sabido que artistas e intelectuais são um dos mais ricos mercados consumidores de tóxicos e que não desejam perder seus fornecedores: quando defendem a descriminalização dos tóxicos, advogam em causa própria.
Mas eles não são apenas consumidores: são propagandistas.
Quem tem um pouco de memória há de lembrar que neste país a moda das drogas, na década de 60, não começou nas classes baixas, mas nas universidades, nos grupos de teatro, nos círculos de psicólogos, rodeada do prestígio de um vício elegante e iluminador.
Foi graças a esse embelezamento artificial empreendido pela intelligentzia que o consumo de drogas deixou de ser um hábito restrito a pequenos círculos de delinqüentes para se alastrar como metástases de um câncer por toda a sociedade: Si monumentum requires, circumspicii.

É de espantar que nessas condições o banditismo crescesse como cresceu?
É de espantar que, enquanto a população maciçamente clama por uma intervenção da autoridade e aplaude agora a chegada dos fuzileiros aos morros, a intelectualidade procure depreciar a atuação do Exército e não se preocupe senão com a salvaguarda dos direitos civis dos eventuais suspeitos a serem detidos, como se a eliminação do banditismo armado não valesse o risco de alguns abusos esporádicos?

O que seria de espantar é que os estudos pretensamente científicos sobre as causas do banditismo jamais assinalem entre elas a cumplicidade dos intelectuais, como se os fatores econômicos agissem por si e como se a produção cultural não exercesse sobre a ordem ou desordem social a menor influência, mesmo quando essa cumplicidade passa das palavras à ação e se torna um respaldo político ostensivo para a ação dos quadrilheiros. Seria de espantar, digo, se não se soubesse quem são os autores de tais estudos e as entidades que os financiam.

Há décadas nossa intelligentzia vive de ficções que alimentam seus ódios e rancores e a impedem de enxergar a realidade. Ao mesmo tempo, ela queixa-se de seu isolamento e sonha com a utopia de um amplo auditório popular.
Mas é a incultura do nosso povo que o protege da contaminação da burrice intelectualizada.
"Incultura" é um modo de falar: será incultura, de fato, privar-se de consumir falsos valores e slogans mentirosos?
Não: mas quando houver neste país uma intelectualidade à altura de sua missão, ela será ouvida e compreendida.
Por enquanto, se queremos ver o nosso Rio livre do flagelo do banditismo, a primeira coisa a fazer é não dar ouvidos àqueles que, por terem colaborado ativamente para a disseminação desse mal, por mostrarem em seguida uma total incapacidade de arrepender-se de seu erro, e finalmente por terem o descaramento de ainda pretender posar de conselheiros e salvadores, perderam qualquer vestígio de autoridade e puseram à mostra a sua lamentável feiúra moral.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008


As duas maiores invenções do homem, foram a cama e a bomba atômica.
Não saindo da primeira, você não causa problemas, acionando a segunda, você acaba com todos os problemas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Ateus não têm certeza de nada.
Questionam, duvidam.
E ninguém mata - ou dá a vida - por uma dúvida.
Ninguém tenta impor suas dúvidas aos outros.
Crentes o fazem porque têm a certeza de estar com a verdade.
Por ela podem até matar ou morrer.
Regimes comunistas, oficialmente ateus, são criticados por perseguirem as religiões.
Mas o que eles realmente fazem é substituir uma religião mística por uma religião materialista, uma ideologia.
Também têm dogmas, santos e mártires.
Como pregam a reforma deste mundo, aqui e agora, procuram exterminar as concorrentes que prometem a felicidade no outro e que, como dizem, são o "ópio do povo" por defenderem o conformismo e a resignação.
Como toda a religião, entretanto, apegam-se a exterioridades e ritos sem importância, veneram seus líderes e seus "livros sagrados".
Impõem às sociedades dominadas os seus conceitos distorcidos do que é "melhor para todos" e perseguem os hereges.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só.
Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente.
Cito uma frase de Ibsen: "Os homens mais fortes são os mais solitários".
Viu como pensa a maioria: "Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?".
Eu respondo sim porque não tem nada lá fora.
É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida.
Que se estupidifiquem eles, entre eles.
Nunca tive a ansiedade de cair na noite.
Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas.
Nunca me senti só.
Gosto de estar comigo mesmo.
Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.

É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente.
Ficar na cama olhando o teto.
Quem faz isso nesta sociedade moderna?
Pouquíssimas pessoas.
Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio.
Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias.
Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depois me vestia e saía à rua.
O sol brilhava e os sons eram maravilhosos.
Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008


Continuarei confessando os erros cometidos.
O único tirano que aceito neste mundo é a "silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de encontrar-me numa minoria tão desesperadora.