
Apenas uma grande dor, a lenta e prolongada dor, aquela que não tem pressa, na qual somos queimados com madeira verde, por assim dizer, obriga a nós filósofos, a alcançar profundidade extrema e nos desvencilhar de toda confiança, toda benevolência, tudo o que encobre, que é brando, mediano, tudo em que antes punhamos talvez nossa humanidade. Duvido que uma tal dor, aperfeiçoe - mas sei que nos aprofunda. A confiança na vida se foi; a vida mesmo tornou-se um problema. Mas não se creia que isso torne alguém necessariamente sombrio...mesmo o amor a vida é ainda possivel - apenas se ama diferente. É o amor a uma mulher da qual se duvida...Conhecemos uma nova felicidade...Oh, como repugna agora a fruição, a grosseira, surda, parda fruição, tal como a entendem os fruidores nossos "homens cultos", nossos ricos e governantes! Com que malícia escutamos agora o barulho de grande feira com que o homem "culto" e citadino se deixa violentar por arte, livros e música até sentir "prazeres espirituais", não sem ajuda de bebidas espirituais! Como agora nos fere os ouvidos o grito teatral da paixão, como se tornou estranho ao nosso gosto esse romântico tumulto e emaranhado de sentidos que o populacho culto adora, e todas as suas aspirações ao excelso, elevado, empolado!
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