
Mais um dos bons que se vai.
Mais um com tanto a compartilhar, ensinar, aprender...
Mais um dos raros seres que chamamos de "amigo", no real sentido da palavra.
Gibran se expressa muito melhor do que eu:
"Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e se faz com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento,
não temeis o "não" de vossa própria opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças,
nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vossa amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência,
como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor,
mas uma rede armada, e somente o inaproveitável nela é apanhado.
E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado."
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Já Schopenhauer, crava os pés no chão e nos incita a refletir:
“Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus:
as dores do mundo dilacerariam meu coração.”
Tenha seu merecido descanso amigo.
Flavio "Queque" Medeiros
31/05/2007

