quinta-feira, 31 de maio de 2007


Mais um dos bons que se vai.
Mais um com tanto a compartilhar, ensinar, aprender...
Mais um dos raros seres que chamamos de "amigo", no real sentido da palavra.

Gibran se expressa muito melhor do que eu:
"Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e se faz com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento,
não temeis o "não" de vossa própria opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças,
nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vossa amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência,
como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor,
mas uma rede armada, e somente o inaproveitável nela é apanhado.

E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado."

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Já Schopenhauer, crava os pés no chão e nos incita a refletir:
“Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus:
as dores do mundo dilacerariam meu coração.”

Tenha seu merecido descanso amigo.

Flavio "Queque" Medeiros

31/05/2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007


E assim seguimos...
Perdendo nossas cabeças por elas, em nome delas.
Pela razão? não creio...
Por escolha? não, definitivamente não!
Perpetuação da espécime? talvez Darwin possa nos dar uma dica.
Algo intrínseco, hormonal, que faz com que certos orgãos cresçam, acelerem ou desacelerem suas funções? uma hipótese...
A resposta esta no cérebro, quiçá na alma, mas ja é tarde, o mesmo já não pertence ao mesmo corpo.

sexta-feira, 4 de maio de 2007


Apenas uma grande dor, a lenta e prolongada dor, aquela que não tem pressa, na qual somos queimados com madeira verde, por assim dizer, obriga a nós filósofos, a alcançar profundidade extrema e nos desvencilhar de toda confiança, toda benevolência, tudo o que encobre, que é brando, mediano, tudo em que antes punhamos talvez nossa humanidade. Duvido que uma tal dor, aperfeiçoe - mas sei que nos aprofunda. A confiança na vida se foi; a vida mesmo tornou-se um problema. Mas não se creia que isso torne alguém necessariamente sombrio...mesmo o amor a vida é ainda possivel - apenas se ama diferente. É o amor a uma mulher da qual se duvida...Conhecemos uma nova felicidade...Oh, como repugna agora a fruição, a grosseira, surda, parda fruição, tal como a entendem os fruidores nossos "homens cultos", nossos ricos e governantes! Com que malícia escutamos agora o barulho de grande feira com que o homem "culto" e citadino se deixa violentar por arte, livros e música até sentir "prazeres espirituais", não sem ajuda de bebidas espirituais! Como agora nos fere os ouvidos o grito teatral da paixão, como se tornou estranho ao nosso gosto esse romântico tumulto e emaranhado de sentidos que o populacho culto adora, e todas as suas aspirações ao excelso, elevado, empolado!