segunda-feira, 29 de junho de 2009


O ouvido que falta. – "Enquanto pomos sempre a culpa nos outros, continuamos pertencendo ao populacho; estamos na trilha da sabedoria quando sempre responsabilizamos a nós mesmos; mas o sábio não julga ninguém culpado, nem a si nem aos outros." – Quem disse isso? Epiteto, há mil e oitocentos anos. – Foi escutado, mais esquecido. – Não, não foi escutado e esquecido: nem tudo se esquece. Mas não se tinha o ouvido para isso, o ouvido de Epiteto. – Então ele falou isso em seu próprio ouvido? – Exatamente: sabedoria é o cochicho do solitário consigo mesmo, na praça cheia de gente.

domingo, 28 de junho de 2009


Vantagem da privação. – Quem sempre vive no calor e plenitude do coração e, por assim dizer, na atmosfera de verão da alma, não pode imaginar o tremor de arrebatamento que assalta as naturezas mais invernais, quando excepcionalmente são tocadas pelos raios do amor e pelo ar morno de um ensolarado dia de fevereiro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009


Ter razão para os dois sexos. – Se alguém admite para uma mulher que ela tem razão, ela não pode deixar de triunfantemente pôr o calcanhar sobre a nuca do vencido – ela tem que saborear a vitória; enquanto um homem geralmente se envergonha de estar certo diante de outro homem. Em compensação, o homem está habituado à vitória, e a mulher a experimenta como exceção.

terça-feira, 16 de junho de 2009


Theres a shadow just behind me, shrouding every step I take.
Making every promise empty, pointing every finger at me.
Waiting like a stalking butler, who upon the finger rests.
Murder now the path of must we, just because the son has come.

Jesus, wont you fucking whistle,
something but the past and done.

Why cant we not be sober? I just want to start this over.
Why cant we drink forever? I just want to start this over.

I am just a worthless liar, I am just an imbecile.
I will only complicate you, trust in me and fall as well.
I will find a center in you, I will chew it up and leave.
I will work to elevate you, just enough to bring you down.

Mother mary, wont you whisper,
something but the past is done.

Why cant we not be sober? I just want to start this over.
Why cant we sleep forever? I just want to start this over.

I am just a worthless liar. I am just an imbecile.
I will only complicate you. trust in me and fall as well.
I will find a center in you. I will chew it up and leave.
Trust me. trust me. trust me. trust me. trust me.

Why cant we not be sober. I just want to start things over.
Why cant we sleep forever. I just want to start this over.

I want what I want...
I want what I want...
I want what I want...
I want what I want...

sexta-feira, 12 de junho de 2009


Sim, o favor das Musas! – O que Homero diz sobre isso nos atinge o coração, tão verdadeiro, tão terrível é: "A musa o amava sinceramente e lhe deu coisas boas e más; pois tirou-lhe os olhos e lhe concedeu o belo canto". – Esse é um texto sem fim para aquele que pensa: coisas boas e más ela proporciona, eis o seu tipo de amor sincero! E cada qual interpretará particularmente por que nós, pensadores e poetas, temos que dar por isso nossos olhos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009


A "coisa-em-si" humana. – A coisa mais vulnerável e, no entanto, a mais invencível é a vaidade humana: sua força até aumenta com o ferimento, e pode enfim tornar-se gigantesca.

domingo, 7 de junho de 2009


Fazer planos. – Fazer planos e formar propósitos traz muitos bons sentimentos, e quem tivesse a força de pela vida inteira não ser senão um forjador de planos, seria um homem muito feliz: mas eventualmente ele terá que descansar dessa atividade ao executar um plano – e então vêm o aborrecimento e o desencanto.

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Erro bem amargo. – É algo que ofende irreconciliavelmente descobrir que, quando estávamos convencidos de ser amados, éramos tidos apenas como utensílio e peça de decoração, com que o dono da casa pode exibir sua vaidade aos convidados.