terça-feira, 30 de dezembro de 2008


Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético. A fortaleza, a liberdade que vem da força e sobrefoça do espírito, prova-se mediante o ceticismo. Homens de convicção não devem ser levados em conta em nada fundamental referente em valor e desvalor. Convicções são prisões. Eles não vêem longe o bastante, não vêem abaixo de si: mas para poder falar sobre valor e desvalor é preciso ver quinhentas convicções abaixo de si – atrás de si... Um espírito que quer coisas grandes, que quer também os meios para elas, é necessariamente um cético. Ser livre de todo tipo de convicção faz parte da força, poder olhar livremente... A grande paixão, o fundamento e o poder de seu ser, ainda mais esclarecida, mais despótica do que ele mesmo, toma todo o seu intelecto a seu serviço; ela tira toda hesitação; da-lhe coragem até para usar meios profanos; em algumas circunstâncias, permite- lhe convicções. A convicção como meio: muita coisa se alcança por meio de uma convicção. A grande paixão necessita, utiliza convicções, não se submete a elas – sabe-se soberana. – Inversamente: a necessidade de fé, de algum incondicional Sim e Não, o carlylismo, se me permitem a palavra, é a necessidade da fraqueza. O homem de fé, o “crente” de todo tipo, é necessariamente um homem dependente – que não pode colocar a si como finalidade, que não pode absolutamente colocar finalidades a partir de si. O “crente” não pertence a si; pode apenas ser meio; tem de ser usado; necessita de alguém que o use. Seu instinto atribui a honra máxima a uma moral de abnegação; tudo o persuade a esta, sua prudência, sua experiência, sua vaidade. Todo tipo de fé, é em si mesmo a expressão de abnegação, de alienação de si...Se considerarmos o quanto é necessário para a imensa maioria um regulador que desde fora amarra e fixa, como a coação, a escravidão, num sentido mais alto, é a única e derradeira condição em que prospera o indivíduo de vontade fraca, sobretudo a mulher: então compreendemos também a convicção, a "fé". O homem de convicção tem nela a sua espinha dorsal. Não ver muitas coisas, em nenhum ponto ser imparcial, ser inteiramente partidário, ter uma ótica estrita e necessária em todos os valores – apenas isso faz com que exista esse tipo de pessoas. Mas com isso ele é o oposto, o antagonista do veraz - da verdade...O crente não é livre para ter alguma consciência quanto à questão do "verdadeiro" e do "não verdadeiro": ser honesto nesse ponto seria a sua imediata ruína. O condicionamento patológico de sua ótica faz do convicto um fanático - Savonarola, Lutero, Rousseau, Robespierre, Saint-Simon -, o tipo contrário do espírito forte, que se tornou livre. Mas as grandes atitudes desses espíritos doentes, desses epilépticos do conceito, influi sobre a grande massa - os fanáticos são pitorescos, a humanidade prefere ver gestos a ouvir razões...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Perspectivas distantes. - A: Mas por que essa solidão? - B: Não estou aborrecido com ninguém. Mas sozinho pareço ver os amigos de modo mais nítido e belo do que quando estou com eles; e quando amei e senti mais a música, vivia longe dela. Parece que necessito de perspectivas distantes para pensar bem das coisas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


"Humanidade". - Nós não consideramos os animais seres morais. Mas vocês acham que os animais nos consideram seres morais? - Um animal que podia falar afirmou: "Humanidade é um preconceito de que pelo menos nós, animais, não sofremos".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008


Cristianismo. - A crença que um judeu-zumbi-cósmico pode fazer você viver eternamente, se você simbolicamente comer sua carne e telepaticamente dizê-lo que você o aceita como seu mestre, assim ele pode remover uma força maligna da sua alma que está presente em toda a humanidade devido uma mulher-costela ter sido convencida por uma serpente falante, a comer um fruto de uma árvore mágica.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Comparando no todo o homem e a mulher, podemos dizer: a mulher não teria o gênio para o ornamento, não tivesse o instinto para o papel secundário.