sexta-feira, 26 de setembro de 2008


Cada qual superior em algo. - Nas relações civilizadas, cada qual se sente superior aos outros em pelo menos uma coisa: nisto se baseia a benevolência geral entre as pessoas, na medida em que cada um é alguém que em certas circunstâncias pode ajudar, e que então pode, sem vergonha, permitir que o ajudem.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008


Xantipa. - Sócrates encontrou uma mulher tal como precisava – mas não a teria buscado, se a tivesse conhecido suficientemente bem: mesmo o heroísmo desse espírito livre não teria ido tão longe. Pois Xantipa o impeliu cada vez mais para a sua peculiar profissão, ao tornar sua casa e seu lar inabitáveis e inóspitos: ela o ensinou a viver nas ruas e em todo lugar onde se pudesse prosear e exercer o ócio, e com isso transformou no maior dos dialéticos de rua de Atenas: que afinal se comparou a um moscardo impertinente, colocado por um deus no pescoço do belo cavalo Atenas, para impedi-lo de repousar.

sábado, 20 de setembro de 2008


Abaixo do animal. - Quando o homem relincha ao gargalhar, supera todos os animais com sua vulgaridade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Grandeza significa: dar direção. - Nenhum rio é por si mesmo grande e abundante; é o fato de receber e levar adiante muitos afluentes que o torna assim. O mesmo se sucede com todas as grandezas do espírito. Interessa apenas que um homem dê a direção que os muitos afluentes devem seguir; e não que ele inicialmente seja pobre ou rico em dons.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008


A verdade como Circe. - O erro fez dos animais homens; a verdade seria capaz de tornar a fazer do homem um animal?

terça-feira, 16 de setembro de 2008


Na corrente. - Correntes fortes arrastam consigo muitas pedras e arbustos; espíritos fortes, muitas cabeças tolas e confusas.

domingo, 14 de setembro de 2008


O tédio e o jogo. - A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio. O que é o tédio? É o hábito do trabalho mesmo, que se faz valer como uma necessidade nova e adicional; será tanto mais forte quanto mais estivermos habituados a trabalhar, e talvez quanto mais tivermos sofrido necessidades. Para escapar ao tédio, ou o homem trabalha além da medida de suas necessidades normais ou inventa o jogo, isto é, o trabalho que não deve satifazer nenhuma outra necessidade a não ser a de trabalho. Quem se fartou do jogo, e não tem novas necessidades que lhe dêem motivo para trabalhar, é às vezes tomado pelo desejo de uma terceira condição, que está para o jogo assim como o pairar para o dançar, e o dançar para o caminhar, uma movimentação jubilosa e serena: é a visão da felicidade que têm os artistas e filósofos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008


A voz da história. - A história parece, em geral, dar o seguinte ensinamento sobre a produção do gênio: "Maltratem e atormentem os homens", assim grita ela às paixões da inveja, do ódio e da competição, "incitem-nos ao limite, um contra o outro, povo contra povo, ao longo de séculos; então, como que de uma centelha solta no ar pela terrível energia assim criada, talvez se inflame subitamente a luz do gênio; e então a vontade; como corcel enfurecido pela espora do cavaleiro, irrompe e salta para um outro campo". - Quem tivesse consciência de como um gênio é produzido, e quisesse também pôr em prática esse modo habitual da natureza, teria de ser mau e inconsiderado como a natureza. Mas talvez tenhamos ouvido mal.