segunda-feira, 13 de junho de 2022

Like a Stone


 

Esses dois me sustentaram, desde o começo, incondicionalmente (sempre fui introspectivo e vivi em meu mundo, então não dei muito trabalho).
Meu avô um exemplo, que mesmo tendo ido cedo,(e ser tão ou mais introspectivo do que eu) deixou marcas, e impressões que até hoje escuto de outras pessoas, familiares e amigos.


Mais velho, tendo escutado de outros que ele se preocupava, falava de mim, e teria orgulho de mim, só me deu orgulho. E este amor é palpável.



Minha vó, a pessoa mais ingênua e boa que conheci. Dai a preocupação de meu avô: puxei essa ingenuidade da minha vó, ele que sabia muito bem como o mundo real era, e sabia que sozinho, do jeito que vim ao mundo, eu não conseguiria…ele estava certo. 


Me deu toda a orientação possível, que um avô com 7 irmãos e um emprego desgastante e ingrato para a pessoa que era podia. Morreu pelo caráter que tinha, e morreu infeliz. Se tivesse vivido pelo menos mais uns 10 anos eu seria outra pessoa, e teria outra vida.

O Paciello que carrego com orgulho, é por conta dele, e de mais ninguém.



Entendendo desde cedo o que era a morte, sabia que eles iriam primeiro, se as coisas seguissem sua ordem natural.
E por isso peço perdão a minha avó…

Busquei vínculos afetivos nos amigos, que cultivei por anos, mas assim como meu avô, estava regando plantas mortas. Com as mulheres não foi diferente.



Busquei também a vida toda a verdade, a clareza, o conhecimento, que também tive muita dificuldade em obter, pela má vontade, egoísmo, covardia e arrogância alheia.



O estigma virá, como vi acontecer com meu grande amigo Rafael, que apesar da dor, nunca julguei, é tabu, “pecado”, “egoísmo”.


E aos que que juntam suas mãos e rezam perguntando se poderiam fazer alguma diferença, a resposta é: SIM!



Mas é mais fácil “mandar boas energias”, rezar, gratidão, etc…



Eu estendi minhas mãos para TODO MUNDO que me procurou. Eu não consigo fazer uma pessoa atender a um telefone, vir a minha casa? Mais de 20 anos que não sei o que é isso. A frieza de uma mensagem de texto, um Block…”tamo junto”, “saudade”, “vamos marcar”, demorei a entender o vazio das palavras da maioria.



Tudo que fiz foi por amor, nunca passei por cima de ninguém para conseguir nada, minha consciência é mais do que tranquila em relação a isso. Agora, esse papo furado de que: “não mudaria nada na minha vida, pois me fez quem eu sou?” Sempre vem das piores pessoas, que deveriam querer. Eu  mudaria várias se soubesse melhor como tudo se tornaria. Principalmente as pessoas que perdi tanto tempo cultivando, tempo este que não cuidei de mim.



Entendo que muitas coisas são somente resolvidas com medicação, nunca foi o meu caso (e eu tentei, só pra provar que não era). Sofrimento é uma condição humana, que muitas vezes é “remediado”, curado com: AMOR! 


Não me mediquei nem me entrevei quando meu melhor amigo tirou sua vida aos 19 anos, nem meu avô meses depois, pois ainda tinha vínculos afetivos, e música…



Vivi e morri sozinho, com breves períodos de convivência, que de novo, tirando meus avós, foram todos pueris. Pelo menos vivi como eu quis, minhas escolhas, dentro das minhas possibilidades.



Enfim, não lamentem nada. Existiu tempo, paciência e perdão da minha parte de sobra. Em uma semana no máximo, 99% das pessoas já estarão “bebendo uma gelada”, e rindo de uma piada sem graça.



“Fade to Black”

quarta-feira, 24 de maio de 2017






Well, here is my news,
reverend.
I long for the darkness.
I pray for death, real death.
And if I thought that in death I would
meet the people I knew in life,
I don't know what I would do.
That would be the ultimate horror,
the ultimate nightmare.
If I thought I was gonna
meet my mother again and
start all of that all over,
only this time without the prospect
of death to look forward to,
that would be
the final nightmare,
Kafka on wheels.
Damn, professor.
You don't want to see your own mama?
No, I don't.
I want the dead to be dead
forever.
And I want to be
one of them.
Except of course you can't be one of them.
You can't be one of the dead
because that which has no
existence can have no community.
No community.
My heart warms
just thinking about it...
blackness, aloneness,
silence, peace,
and all of it
only a heartbeat away.
I don't regard my state of mind
as some pessimistic
view of the world.
I regard it as the world itself.
Evolution cannot avoid
bringing intelligent life
ultimately to an awareness
of one thing,
and one thing above all else.
And that one thing is futility.
If I'm understanding you
right, you're saying
everybody that just ain't
eat up with the dumbass
ought to be suicidal.
- Yes.
- You ain't shitting me?
No, I am not shitting you.
If people could see the
world for what it truly is,
see their lives
for what they truly are,
without dreams or illusions,
I don't believe they could
offer the first reason
why they should not elect
to die as soon as possible.
I don't believe in God.
Can you understand that?
Look around you, man.
Can't you see?
The clamor and din
of those in torment
has to be the sound
most pleasing to his ear.
And I loathe
these discussions...
The argument
of the village atheist
whose single passion
is to revile endlessly
that which he denies the
existence of in the first place.
Your fellowship
is a fellowship of pain
and nothing more.
And if that pain
were collective
instead of merely reiterative,
the sheer weight of it
would drag the world
from the walls of the universe
and send it crashing
and burning down
through whatever night it might
yet be capable of engendering
until it was not even ash.
And brotherhood,
justice, eternal life?
Good God, man.
Show me a religion
that prepares one
for nothingness, for death.
That's a church I might enter.
Yours prepares one
only for more life,
for dreams and illusions
and lies.
Banish the fear of death
from men's hearts...
They wouldn't live a day.
Who would want this nightmare
but for fear of the next?
The shadow of the axe
hangs over every joy.
Every road ends in death,
every friendship, every love.
Torment, loss,
betrayal,
pain, suffering,
age,
indignity,
hideous lingering illness...
and all of it
with a single conclusion
for you
and every one and every thing
you have ever chosen
to care for.
That is the true brotherhood,
the true fellowship.
And everybody is
a member for life.
You tell me that my
brother is my salvation?
My salvation?
Well, then damn him.
Damn him in every shape
and guise and form.
Do I see myself in him?
Yes, I do.
And what I see sickens me.
Do you understand me?
Can you understand me?
I'm sorry.
How long you felt like this?
All my life.
- Is that true?
- It's worse than that.
I don't see what could be
worse than that.
Rage is really only
for the good days.
The truth is there's
little of that left.
The truth is
that the forms I see
have been slowly emptied out.
They no longer have
any content.
They're shapes only...
a train, a wall,
a world, a man...
a thing dangling
in senseless articulation
in a howling void,
no meaning to its life,
its words.
Why would I seek out
the company of such a thing?
Why?
Damn.
So you see what it is
you've saved?
Tried to save.
Still trying, trying hard.
- Who is your brother?
- Who is my brother, yes.
Is that the reason I'm here
in your apartment?
No, that's why I'm here.
You asked me
what I'm a professor of.
I am a professor of darkness,
the night in day's clothing.
And now I wish you all
the very best,
but I must go.
Just stay
a little while longer.
No, no more time.
Goodbye.
We can talk about
something else, I swear.
I don't want to talk
about something else.
Don't go out there, professor!
You know what's out there!
Oh yes.
Indeed I do.
I know what's out there
and I know who is out there.
I rush to nuzzle
his bony cheek.
No doubt he will be surprised
to find himself so cherished.
And as I cling to his neck
I will whisper in that
dry and ancient ear,
"Here I am.
Here I am."
- Now open the door!
- Don't do this.
You're a kind man.
I've heard you out
and you've heard me.
There's no more to say.
Your God must once have stood
at a dawn of infinite
possibilities,
and that is what
he's made of it.
You tell me that I want
God's love. I don't.
Perhaps I want forgiveness,
but there is no one to ask it of.
And there's no going back.
There's no setting things right.
There's only the hope
of nothingness.
And I cling to that hope.
- Now open the door.
- Don't do this.
Please open the door.
Thank you.
Goodbye.
Professor,
I know you ain't mean
them words.
I'm gonna be there
in the morning.
I'm gonna be there, you hear?
I'm gonna be there!
I'm gonna be there.
You know he didn't mean
them words.
You know he didn't.
You know he didn't.
I don't understand why
you sent me down there.
I don't understand.
If you wanted me to help him, then how
come you didn't give me the words?
You give them to him.
What about me?
That's all right.
That's all right.
If you don't never speak again,
you know I'll keep your word.
You know I will.
You know I'm good for it.
Is that okay?
Is that okay?



quinta-feira, 8 de agosto de 2013





Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: "as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo". Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013



Tornar-se pensador. – Como pode alguém se tornar um pensador, se não passar ao menos um terço de cada dia sem paixões, pessoas e livros?

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Bream

Os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidam com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encara durante toda uma vida. Todos os dias, artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho. Todos os dias, têm de ignorar a possibilidade de que a visão a qual têm dedicado suas vidas seja apenas um sonho. Com cada obra ou papel, empurram os seus limites, emocionais e físicos, arriscando a crítica e o julgamento, muitos deles a ver outras pessoas da sua idade a alcançar os marcos previsíveis da vida normal - o carro, a família, a casa, o pé-de-meia. Por quê? Porque os artistas estão dispostos a dar a sua vida inteira por um momento - para que aquele verso, aquele riso, aquele gesto, agite a alma do público. Artistas são seres que provaram o néctar da vida naquele momento de cristal quando derramaram o seu espírito criativo e tocaram no coração do outro. Nesse instante, eles estão mais próximos da magia, do metafísico e da perfeição do que qualquer um poderia estar. E nos seus corações, sabem que dedicar-se a esse momento vale mil vidas.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

2.0

Exilado, voava do futuro assobiando um réquiem.
Planava pelos desertos do esquecimento
sentindo uma saudade intensa,
que, de tão grande, curvava o espaço e o tempo.
Uma saudade não sei de quê, não sei de quem.
Deve ser efeito do exílio prolongado.

E na jornada de retorno,
deparo a Aniquilação,
como a encarnação da sedução,
esbanjando simpatia, docilidade e alegria,
pronta para sentenciar o fim dos loucos,
da vertigem, do voo e da ousadia.

A celebrar em êxtase a vitória dos simplórios,
a vitória da classe média endividada,
perambulando feito zumbi no shopping center, noite e dia.
Perseguindo, no vazio da virgindade existencial,
uma diversão que jamais sacia.

Acolhendo, em Seu seio,
playboys agrobregas a desfilar pelos rodeios,
arraiais e micaretas, caçando a língua das periguetes de abadá,
que coisa louca!
Transformando um contato exclusivo numa olimpíada de beijos,
colecionando triunfantes, bactérias, herpes e desejos,
como troféus de céu da boca.

A abençoar intelectuais, empanturrados de propinas
com suas ideologias fossilizadas, um monte de vaselina…
impondo goela abaixo um nacionalismo barato para universitários otários
regurgitarem pastiches viciados, repletos de vaidade imerecida,
ao som das mais horrorosas canções que ouvi na vida,
ao balanço dos mais grotescos rebolados.

Com a santa ignorância dos que defendem, cegos, suas teses
Acobertando num silêncio um tanto cínico, aloprados e bandidos
de um governo cheio de reveses,
catequizando suas verdades imutáveis e eternas,
a patrulhar, ameaçar, comprar, reprimir (quando não, simonalizar)
todos aqueles que não se alinharam
nessa patuscada triste que eles mesmos inventaram:
A Inveja da Pobreza. A cartilha do bom brasileiro.
A terraplanagem é por baixo e a laje é o limite, companheiro!

Para o inferno, vocês, proprietários dessas verdades de merda.
Fascismo não é monopólio da direita nem da esquerda.
Fascismo é imposição inflexível e truculenta de verdades sacralizadas,
geralmente por bem-intencionados perpetradas.
Estou farto de bem-intencionados. Além de nocivos, são cafonas.

E o Sol exibia uma crista vermelha de fogo,
como se tivesse extraído todo o sangue dos penhascos do mundo,
me levando no seu calor a rasgar o ar fazendo o vento soprar
meus farrapos alados, para além de qualquer segurança,
e, das alturas, mergulhar no abismo da garganta mais profunda
à procura da face perdida da esperança.

Você é dependente de ideias pré-fabricadas,
patrocinadas por um bando de salafrários autoindulgentes.
Você é um faminto de misérias embelezadas
que se alimenta de migalhas, a você atiradas
como um animal domesticado,
abanando o rabo, agradecido e contente.

Você faz parte de um rebanho de presas fáceis
repletas de sonhos fenecidos.
E eu? Eu sou o lobo do homem, uivando pra Lua,
sozinho, vencido.
Vencido, como se soubesse a verdade, mas livre,
Assustadoramente livre.

Você acredita em tudo que te mandam,
mas se ofende com tudo o que eu te digo.
Você esquece que a ofensa que vigora
é pura reação, castigo pelo castigo,
sempre em guarda cultivando essa paixão:
o ódio sem razão. Que perigo!
…engendrando o prejulgamento,
a ignorância, a irresponsável precipitação.
A ofensa é o expediente do imbecil.
Sangue e armadilha nos esconderijos do coração!

Não basta apenas esperar por leite e mel,
às vezes, pra ser bom, é preciso ser cruel.
O brasileiro é sempre um bonzinho.
Somos o povo mais sorridente do planeta,
esse eterno país da micareta,
apesar dos 50 mil assassinatos produzidos todo ano,
sem precisar de guerra civil nem de terrorista muçulmano.

Pelas estatísticas mundiais, para haver guerra civil,
é necessário matar, pelo menos, uns 10 mil.
Uma pechincha comparada ao montante macabro
do nosso número imbatível: 50 mil, 50 mil, 50 mil!
E terrorista? Quem, por aqui, precisa de terrorista?
Terrorista é coisa pra amador.
O Brasil é só para profissionais. O Brasil é o Terror!
O Brasil é o Terror!

O Brasil dos estupros consentidos na surdina,
dos superfaturamentos encarados como rotina,
dos desabamentos e enchentes de hora marcada,
dos hospitais públicos em abandono genocida,
dos subsídios da Cultura a artistas consagrados,
dos aeroportos em frangalhos, usuários indigentes,
dos políticos grosseiros, como sempre, subornados,
de cabelo acaju e seus salários indecentes,
da educação sucateada pelo Estado
em sua paralisia ideológica, omissa e incompetente.

Do racismo galopante, na internet,
nas universidades e nas ruas,
com as suas manifestações hostis.
Da queima de índios e mendigos,
por meninos bem-nascidos.
Do apedrejamento, vilipêndio e morte
de mulheres, prostitutas e travestis.

E lá vamos nós, descendo a ladeira!
Rebolativos, minhóquicos, supersticiosos,
crédulos, inabaláveis, venais…
amantes de uma boa trapaça…
com nossa displicência carnavalesca espetacular
e os repetecos anuais dos feriados enforcados de destruição em massa.

E não me venha com essa lenga-lenga do tipo
“não gostou, se manda! vai pr’outro lugar”,
porque eu estou aqui para exterminar:
vossa hiponga modorra, vossa preguiça macunaímica,
vosso caráter vacante, vossa antropofagia cínica,
pois esse lugar também me pertence,
e ninguém vai me calar. Ninguém vai me calar.

E nas almas de artistas natimortos
em berço chapa branca e exangue,
ecoam as vozes dos cadáveres insepultos de sempre,
impondo língua morta a se eternizar
numa geração de frouxos engrossando sua gangue.

Frouxos, acometidos por
síndrome de dignidade intelectual.
Espalhando o evangelho da Mediocridade
para milhões de populares e estudantes semianalfabetos
com o beneplácito da imprensa oficial.

E no cagaço metafísico
das multidões de contritos telerredimidos
brota o pavor da morte, da vida, do sexo,
da doença, da pobreza e do castigo.
Fazendo bispos milionários,
gângsteres do paraíso,
lotearem pedacinhos do firmamento
para histéricos apocalípticos aguardarem
o fim do mundo fora de perigo…

Às vezes é mais exato ser impreciso, contradito.
Ser o Terror da próxima edição, a Corrosão, o Maldito
dos jornais que me inventam em manchetes
tentando me silenciar em vão.
Uma pena que nunca me enxergaram,
nem nunca me enxergarão…
É subestimando o inimigo que se perdem as guerras
e, por isso mesmo, agradeço a desatenção.

Pois agora é tarde e a Eternidade é Agora.
O brasileiro, com sua autoestima permanentemente precária,
vive adernando entre Ali e Outrora
num orgulho às avessas, que destrói
qualquer possibilidade de enxergarmos
o que verdadeiramente somos,
e isso dói.

Uma nação que se recusa terminantemente a crescer,
paralisada por um embevecimento geonarcisista, indolente e servil.
Bem-vindos à Terra do Nunca!
Bem-vindos a essa pocilga chamada Brasil!

E eu? Eu sou o Nada,
o Fim da vossa picada,
o Oblívio dos desatentos,
a Ira da reação,
o Exterminador de todos vocês,
bunda-moles de plantão.

Muito prazer! É chegada a vossa hora!
Comecem a rebolar como é do vosso feitio,
pois eu voltei para decretar o fim
dessa festa pobre que vocês armaram.
Dessa lambança de favorecimentos e apadrinhamentos
de causar náuseas, vômitos & arrepios,
desse imenso arraial brega, tosco e vazio,
um fim por mim ansiado, premeditado,
e já há muito tempo datado, tardio.

Agora, mãos à obra.
Estou na área e vamos começar.
Agora é necessário andar entre os pedestres,
viver as suas banalidades
e convocá-los, enfim, para o desafio
que é o delírio de viver e de voar.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012



Noam Chomsky: 10 estratégias de manipulação midiática

1. A estratégia da distração.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

2. Criar problemas e depois oferecer soluções.
Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade.
Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir.
Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade.
A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “A e alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”).

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade.
Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.
No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.