Esses dois me sustentaram, desde o começo, incondicionalmente (sempre fui introspectivo e vivi em meu mundo, então não dei muito trabalho).
Meu avô um exemplo, que mesmo tendo ido cedo,(e ser tão ou mais introspectivo do que eu) deixou marcas, e impressões que até hoje escuto de outras pessoas, familiares e amigos.
Mais velho, tendo escutado de outros que ele se preocupava, falava de mim, e teria orgulho de mim, só me deu orgulho. E este amor é palpável.
Minha vó, a pessoa mais ingênua e boa que conheci. Dai a preocupação de meu avô: puxei essa ingenuidade da minha vó, ele que sabia muito bem como o mundo real era, e sabia que sozinho, do jeito que vim ao mundo, eu não conseguiria…ele estava certo.
Me deu toda a orientação possível, que um avô com 7 irmãos e um emprego desgastante e ingrato para a pessoa que era podia. Morreu pelo caráter que tinha, e morreu infeliz. Se tivesse vivido pelo menos mais uns 10 anos eu seria outra pessoa, e teria outra vida.
O Paciello que carrego com orgulho, é por conta dele, e de mais ninguém.
Entendendo desde cedo o que era a morte, sabia que eles iriam primeiro, se as coisas seguissem sua ordem natural.
E por isso peço perdão a minha avó…
Busquei vínculos afetivos nos amigos, que cultivei por anos, mas assim como meu avô, estava regando plantas mortas. Com as mulheres não foi diferente.
Busquei também a vida toda a verdade, a clareza, o conhecimento, que também tive muita dificuldade em obter, pela má vontade, egoísmo, covardia e arrogância alheia.
O estigma virá, como vi acontecer com meu grande amigo Rafael, que apesar da dor, nunca julguei, é tabu, “pecado”, “egoísmo”.
E aos que que juntam suas mãos e rezam perguntando se poderiam fazer alguma diferença, a resposta é: SIM!
Mas é mais fácil “mandar boas energias”, rezar, gratidão, etc…
Eu estendi minhas mãos para TODO MUNDO que me procurou. Eu não consigo fazer uma pessoa atender a um telefone, vir a minha casa? Mais de 20 anos que não sei o que é isso. A frieza de uma mensagem de texto, um Block…”tamo junto”, “saudade”, “vamos marcar”, demorei a entender o vazio das palavras da maioria.
Tudo que fiz foi por amor, nunca passei por cima de ninguém para conseguir nada, minha consciência é mais do que tranquila em relação a isso. Agora, esse papo furado de que: “não mudaria nada na minha vida, pois me fez quem eu sou?” Sempre vem das piores pessoas, que deveriam querer. Eu mudaria várias se soubesse melhor como tudo se tornaria. Principalmente as pessoas que perdi tanto tempo cultivando, tempo este que não cuidei de mim.
Entendo que muitas coisas são somente resolvidas com medicação, nunca foi o meu caso (e eu tentei, só pra provar que não era). Sofrimento é uma condição humana, que muitas vezes é “remediado”, curado com: AMOR!
Não me mediquei nem me entrevei quando meu melhor amigo tirou sua vida aos 19 anos, nem meu avô meses depois, pois ainda tinha vínculos afetivos, e música…
Vivi e morri sozinho, com breves períodos de convivência, que de novo, tirando meus avós, foram todos pueris. Pelo menos vivi como eu quis, minhas escolhas, dentro das minhas possibilidades.
Enfim, não lamentem nada. Existiu tempo, paciência e perdão da minha parte de sobra. Em uma semana no máximo, 99% das pessoas já estarão “bebendo uma gelada”, e rindo de uma piada sem graça.
“Fade to Black”




